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Calendário Histórico

1925: Josephine Baker estreia em Paris

A apresentação no dia 2 de outubro de 1925, em Paris, marcou o início da carreira de estrela para Josephine Baker. Marcantes eram sua maneira de seduzir o público e a forma de cantar, como se fosse um pássaro tropical.

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Josephine Baker em seu número indiano, em 1936, numa foto dos arquivos nazistas

O cenário da estreia de Josephine Baker no teatro de Champs-Elysées, em Paris, tinha uma paisagem dos estados sulinos dos EUA, às margens do Mississippi. No palco, uma negra muito jovem.

Ela se contorcia, dançava com movimentos de êxtase, cantava com voz de passarinho tropical. E não estava vestida com roupa nenhuma, a não ser uma saia de bananas. Era a Vênus Negra: Josephine Baker.

Baker, sem par

Na estréia da "Revue Nègre" em Paris, dia 2 de outubro de 1925, Josephine Baker contava 19 anos de idade. Ela vinha das favelas de St. Louis, no Missouri. Aos 8 anos, teve de começar a trabalhar como empregada doméstica. Com 13, juntou-se a um grupo teatral de terceira classe. Ela não possuía nada, apenas um talento artístico excepcional e a vontade férrea de vencer na vida.

Aos 16 anos, Josephine Baker foi para Nova York, onde conquistou um lugar no grupo das dançarinas do Music Hall. Não demorou para que a produtora Caroline Reagan enviasse Josephine Baker a Paris. Começou assim uma carreira ímpar.

Josephine Baker: "Deixei os Estados Unidos num dia nevoento de setembro e desembarquei aqui, com o sol da França no coração. Eu decidi vir para cá, pois sabia através dos meus pais – oriundos de Martinica –, que na França eu encontraria opiniões liberais, liberdade de pensamento e uma visão mais natural do corpo."

Protestos até de Paris

Josephine tinha razão. Inicialmente, mesmo na liberal Paris, ouviram-se alguns protestos após as suas primeiras apresentações. Mas foi muito mais forte o entusiasmo pela forma inteiramente nova de dançar.

Jean Cocteau a descreveu como "um ídolo de aço escuro e bronze, ironia e ouro". Seguiram-se apresentações nos Folies Bergères e no cassino de Paris. No Chez Josephine, ela mostrava todas as noites uma dança que trouxera do sul dos EUA e que ninguém ainda conhecia na Europa: o Charleston.

A popularidade de Josephine Baker era ilimitada. Ela tornou-se o símbolo da decadente década de 20 em Paris. Seus cabelos curtos, grudados na cabeça com brilhantina, à guisa de um capuz laqueado, tornaram-se moda para toda uma geração.

Josephine Baker mandou estofar os assentos do seu carro esporte com couro de cobra. Seu animal doméstico era um leopardo. Seus cachês milionários lhe permitiam todo tipo de extravagância. Através do diretor de teatro Max Reinhard, a estrela exótica passou a apresentar-se também em Berlim.

Estrela nômade

Josephine Baker: "Eu era muito jovem quando cheguei a Berlim. Queria aproveitar tudo na vida. Então, logo deixei Berlim e fui para Paris. Mal cheguei lá, comecei a sentir saudades de Berlim. E, quando estava novamente em Berlim, queria ir para Paris. Fiquei numa enorme indecisão entre esses dois amores."

Em Berlim, Josephine Baker teve o seu primeiro contato com o  racismo na Europa. Os nazistas começavam a ganhar terreno. Os simpatizantes do nazismo impediam, com vaias, as suas apresentações. Em alguns jornais, ela era difamada como "macaca".

Como penitência "pelos graves delitos contra a moral, cometidos por Josephine Baker", a cidade de Viena mandou celebrar missas especiais durante as suas apresentações. Josephine buscou então refúgio nos Estados Unidos. Em Nova Iorque, a artista negra foi expulsa de um restaurante "só para brancos". Decepcionada, ela retornou a Paris.

Résistance e onze órfãos

O seu engajamento na Resistência, durante a Segunda Guerra Mundial, valeu a Josephine Baker altas condecorações do Estado francês. No pós-guerra, ela realizou um dos seus desejos mais ardentes: como não tivesse filhos próprios, Josephine Baker adotou doze crianças órfãs de diversos países. E passou a dedicar-se exclusivamente à sua nova família. Mas a falta de dinheiro acabou levando-a de volta ao palco.

Josephine Baker: "É o mesmo problema no mundo inteiro! Agora eu tenho uma grande família e preciso de muito dinheiro!" Ela atuou no palco até quase os 70 anos de idade. Em Paris, em abril de 1975, ela celebrou os seus 50 anos de vida artística com uma grande espetáculo. Josephine: "Agora, tenho de dizer adeus e envio um grande beijo a todos!" Dois dias depois, sofreu um derrame cerebral: morria assim a Vênus Negra. 

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