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Calendário Histórico

1918: Fim do império dos Habsburgos

No dia 11 de novembro de 1918, o imperador austríaco Carlos 1º renunciou ao trono, encerrando assim os mais de 600 anos da dinastia dos Habsburgos, que teve ramificações até na América espanhola e no Brasil.

Franz Joseph I.

Imperador Francisco José simbolizou a época áurea da dinastia

Originária de Aargau, na Suíça, a família Habsburgo passou a integrar a nobreza europeia no início do século 11. A partir de 1273, quando Rodolfo 1º foi nomeado imperador do Sacro Império Romano-Germânico, a família reinou durante 645 anos sobre vários povos da Europa Central, com ramificações até a América espanhola e o Brasil.

A dinastia ocupou o trono austríaco até o fim da Primeira Guerra Mundial e dominou territórios que se estendiam de Gibraltar à Hungria e da Sicília a Amsterdã, superando em tamanho até mesmo o império de Carlos Magno, de 700 anos antes.

Os Habsburgos tinham uma habilidade inigualável em aumentar seus territórios por meio de casamentos e heranças. O mentor dessa política foi Maximiliano 1º (imperador da Áustria de 1493 a 1519), que se casou duas vezes: primeiro, com a herdeira dos Países Baixos e do reino de Borgonha (região entre a França e a Espanha) e, depois, com a filha do duque de Milão, o que lhe deu acesso ao norte da atual Itália. Numa outra manobra, acrescentou os territórios da Hungria e Boêmia.

A aliança dinástica mais extensa promovida por Maximiliano, porém, foi o casamento de seu filho Filipe com Joana, filha de Fernando e Isabel de Espanha, cuja união havia reunido as possessões de Castela e Aragão (inclusive Nápoles e Sicília). O herdeiro de todos esses acordos matrimoniais foi Carlos 5º (1500-1558).

Recursos inigualáveis

No livro Ascensão e queda das grandes potências, Paul Kennedy atribuiu a inigualável abundância de recursos da Casa de Habsburgo ao fato de Carlos 5º ter herdado as coroas de quatro grandes dinastias (Castela, Aragão, Borgonha e Áustria), a posterior aquisição das coroas da Boêmia, Hungria, Portugal e temporariamente até mesmo da Inglaterra, além da coincidência desses acontecimentos com a conquista espanhola e a exploração do Novo Mundo.

De 1519 a 1659, os Habsburgos tentaram dominar a Europa, mas foram sistematicamente combatidos pelos reis franceses e príncipes germânicos. Calcula-se que, em 1600, cerca de 25 milhões dos 105 milhões de europeus viviam em território governado pelos Habsburgos.

Carlos 5º sonhava com um grande Estado europeu e alguns de seus ministros almejavam até uma "monarquia mundial", embora não dispusessem de uma tática para tal. Segundo Paul Kennedy, "os Habsburgos simplesmente tinham inimigos demais a combater e frentes demais a defender".

Eles começaram a entrar em decadência com a perda da Europa Central, a partir da conquista de Viena por Napoleão. Com o tratado de paz, os Habsburgos perderam suas possessões na Alemanha e na Itália, e o Sacro Império Romano-Germânico se extinguiu.

A partir de 1849, durante o reinado de Francisco José, a Alemanha unificou-se e derrotou as tropas austríacas. A Hungria tornou-se autônoma e os povos eslavos conquistaram sua independência. O golpe final veio na Primeira Guerra Mundial, quando a Áustria perdeu três quartos de seu território e ficou sem saída para o mar. Em 1916, morreu o imperador Francisco José 1º, cujo reinado de 68 anos simbolizou a época áurea da dinastia na Áustria.

Em novembro de 1918, seu sucessor, Carlos 1º, renunciou ao trono. Em abril do ano seguinte, o governo austríaco desapropriou seus bens. A dinastia Habsburgo também deixou sua marca no Brasil. Após a união das coroas ibéricas, em 1580, a então colônia portuguesa passou ao domínio da Casa da Áustria. O imperador brasileiro dom Pedro 1º foi casado de 1817 a 1826 com Maria Leopoldina de Habsburgo. (gh)

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