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Calendário Histórico

1813: Carta de Tauragé reverte o avanço napoleônico

Uma discreta carta de um general prussiano ao rei Frederico Guilherme 3° marcou o início da libertação da Europa da hegemonia francesa. Uma vitória da coragem pessoal sobre a hierarquia.

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Xilogravura de cerca de 1870: A Convenção de Tauragé

Em sua carta a Frederico Guilherme 3° (1779-1840), o general prussiano Ludwig Yorck (1759-1830) incitava o rei a aproveitar a sorte do momento para selar uma coalizão contra o imperador francês Napoleão Bonaparte, que por sua vez acabava de passar, na Rússia, pela primeira derrota militar de sua vida.

Zar Nikolaus I von Russland / Mayer n Krueger

Czar Nicolau 1° da Rússia

Antes, o general havia se negado, pela primeira vez em sua carreira, a cumprir ordens superiores. Seu 10° batalhão de soldados fora recrutado à força por Napoleão (1769-1821), para passar a fazer parte de um exército violento, com cujas forças a resistência da Rússia deveria ser dobrada.

Junto com o czar russo, Napoleão havia decretado um "bloqueio continental" contra a Inglaterra, através do qual a ilha deveria ser exaurida economicamente. Quando Nicolau 1° precisou contornar esse bloqueio, pois a Rússia dependia urgentemente das importações inglesas, o imperador francês resolveu atacar o último Estado independente do continente europeu.

A derrota de Napoleão

A empreitada fracassou por completo, seu exército de 600 mil soldados estava tão mal preparado para o inverno rigoroso na Rússia quanto para enfrentar as grandes distâncias e a tática militar russa. Às beiras do rio Beresina, o Exército francês foi derrotado de forma aniquiladora. Napoleão fugiu para Paris, seu exército se desintegrou, e apenas 90 mil soldados conseguiram regressar à capital francesa.

Hans David Ludwig Graf York von Wartenberg

Ludwig Yorck von Wartenburg

Foi aí que chegou a hora do general prussiano Yorck. No dia 30 de dezembro de 1812, ele selou na pequena cidade de Tauragé, na Lituânia, um armistício de paz com os comandantes russos. Com isso, deixou de acatar ordens superiores, indo contra – mesmo sob pena de violência – as palavras de seu rei de que era preciso obedecer o rei francês a qualquer custo.

Ludwig Yorck não apareceu em público após a assinatura da Convenção de Tauragé junto ao general russo Hans-Karl von Diebitsch-Sabalkanski (1785-1831). Ele contava que seria punido com drásticas sanções por parte do rei prussiano, conhecido por sua política temerosa a Napoleão.

Sugestão de uma coalizão europeia

O general temia que sua decisão autônoma acarretaria sua expulsão desonrosa do Exército. Apesar dessas preocupações, redigiu uma carta histórica, que acabaria, afinal, iniciando a aliança europeia contra Napoleão.

Nunca houvera oportunidade mais propícia do que aquela para encerrar o domínio francês sobre a Prússia e outras nações europeias, escreveu o general a Frederico Guilherme 3°. De acordo com a carta, o rei deveria, a partir de então, tentar mover outras potências para a formação de uma coalizão contra o imperador francês.

O general Yorck enviou esta carta no dia 3 de janeiro de 1813. Frederico Guilherme 3° resolveu, relutante e a contragosto, se unir às aspirações do general Yorck. No dia 17 de março de 1813, publicou sua resposta.

"Ao meu povo!"

König Friedrich Wilhelm III. von Preußen

Rei Frederico Guilherme 3° da Prússia

No jornal Schlesische Privilegierte Zeitung, foi estampado o apelo real intitulado Ao meu povo, no qual Frederico Guilherme 3° pedia apoio para a guerra contra a França, declarada por ele um dia antes. Como ficou conhecido, ao mesmo tempo, que o rei dos prussianos havia conseguido selar uma aliança com outras potências europeias, espalhou-se pela Prússia um clima de euforia.

Por todos os lados eram realizadas assembleias, nas quais recolhiam-se objetos de valor e dinheiro para a guerra iminente. Casais especialmente patrióticos trocavam suas alianças de ouro por alianças de ferro, nas quais estava gravado o adágio "Troquei o ouro pelo ferro – 1813".

O confronto decisivo entre a aliança europeia e Napoleão aconteceu em Leipzig, na Batalha das Nações. Entre 16 e 19 de outubro, o Exército francês lutou contra as forças da Áustria, Prússia, Rússia e Suécia. Por fim, venceu a aliança, o que pôs fim à hegemonia francesa na Europa.

Fim amargurado

Napoleon Bonaparte, Gemälde von Jean-Baptiste Mauzaisse

Napoleão Bonaporte, em pintura de Jean-Baptiste Mauzaisse

As "guerras de libertação" acabaram no início de 1815, quando Napoleão retornou do exílio mais uma vez a Paris, arrogando para si o poder e querendo desafiar uma última vez os povos europeus. Na Batalha de Waterloo, ele foi novamente derrotado e mais condenado ao exílio.

No dia 5 de maio de 1821, Napoleão morreria, amargurado e dizendo-se incompreendido, na ilha britânica de Santa Helena, localizada no Atlântico Sul.

O general Ludwig Yorck recebeu diversas condecorações, tendo sido promovido a conde. No dia 10 de abril de 1830, ele morreu com a patente de general-marechal-de-campo Yorck von Wartenburg.

À sua pessoa é associada a coragem de um homem que, apesar de um grande peso na consciência, tomou uma decisão que poderia ter lhe custado a carreira, mas que, afinal, encerrou a hegemonia francesa sobre o continente europeu.

Autor: Matthias von Hellfeld
Revisão: Augusto Valente

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