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Cultura

Última chance de brilho para um condenado

Simbólico prédio da ex-Alemanha Oriental, o Palácio da República foi libertado do asbesto usado na obra e está liberado para demolição. No entanto, até lá a construção berlinense sobreviverá como centro cultural.

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Palácio da República: caixote com fachada de vidros dourados, no coração turístico de Berlim

Inaugurado em 1976, o Palácio da República abrigou a Volkskammer, o parlamento da antiga República Democrática Alemã (RDA), até 3 de outubro de 1990, data de sua dissolução e reunificação da Alemanha. Como a construção estava contaminada por asbesto – substância cancerígena muito usada em obras até a década de 70 e da qual o amianto é a variedade mais pura –, o prédio foi imediatamente desativado e mais tarde saneado.

Em julho passado, o parlamento federal decidiu sua demolição para reconstruir em seu lugar, bem no coração turístico da capital alemã, o palácio barroco Berliner Schloss. Mas, diante dos cofres públicos vazios, a execução do edifício comunista está prevista para somente daqui a três anos. O prédio permanece de pé, reduzido à estrutura de aço e cimento e à fachada externa. O condenado, porém, parece que desfrutará de seus últimos tempos em grande estilo.

Centro cultural – Antes de ir ao chão, o esqueleto deverá ganhar vida nova como palco de teatro, concertos e exposições, entre outras atividades culturais. O projeto é do programa europeu Urban Catalyst e da Universidade Técnica de Berlim. Se a proposta for aprovada pelo governo, tudo indica que a agenda do novo centro cultural estará rapidamente esgotada.

O plano prevê a transformação do antigo plenário, onde se sentavam 500 parlamentares alemães-orientais, em pista de dança para 800 pessoas. A artista sérvia Marina Abramovic, da Ópera Estatal de Berlim, já programa para o ex-palácio comunista a estréia alemã de Die Nacht (A noite), baseada em textos do poeta Friedrich Hölderlin. O Centro Federal de Formação Política quer montar ali uma exposição sobre a história do rock no leste e no oeste alemães. Também já estão em estudo eventos de dança e até mesmo esportivos, assim como projetos de teatro e música.

Tudo isto sem que as obras físicas consumam um centavo dos contribuintes. Do orçamento de 1,3 milhão de euros, previstos para a reforma do prédio, metade deverá vir de patrocinadores e a outra de doadores.

Mas uma coisa é certa. O centro cultural terá vida curta. Apesar do valor histórico do Palácio da República – tanto como símbolo do período autoritário da RDA quanto da transição democrática – e de seu engajamento no projeto cultural, o arquiteto Philipp Oswalt apóia a decisão de se demolir o prédio do regime comunista. "Não o acho urbanisticamente valioso, mas pode-se avaliar a possibilidade de integrar partes dele na reconstrução do Berliner Schloss", disse o coordenador do projeto cultural em entrevista à DW-WORLD.

Revitalização urbana – Oswalt trabalha para o programa europeu Urban Catalyst, que visa fomentar a utilização temporária de imóveis vazios. Ao todo são 40 arquitetos em cinco cidades européias. Além de Berlim, participam da iniciativa Nápoles, Amsterdã, Helsinque e Viena. Somente na capital alemã existem muitos terrenos e prédios ociosos. Então por que o projeto optou logo pela antiga Volkskammer?

"Com certeza seria mais fácil aproveitar outros edifícios, mas este é fantástico. Possui um vazio que nunca vi em outro lugar", opina o arquiteto. "Na prática, são estruturas totalmente banais, com pilares e pilastras de cimento e aço. No todo é uma construção gigantesca com uma estética impressionante", acrescenta.

A segunda razão para a escolha: a Urban Catalyst quer chamar atenção para seu trabalho. Os arquitetos esperam estimular a consciência social sobre áreas baldias. "Somente nos últimos dias, 1500 pessoas viram nossa apresentação sobre o Palácio da República. Visto assim, é um projeto estratégico", enfatiza Oswalt.

Entretanto, ainda não é certo que o condenado viverá ativamente seus últimos tempos. "A União ainda não tomou uma decisão sobre nossa iniciativa, mas os sinais no governo são positivos", afirma o arquiteto. Caso o sinal fique verde, haverá muito o que fazer, do sistema de ventilação aos banheiros, até que o palácio abrigue os primeiros eventos. Em 2006, então, chegará a vez do tiro de misericórdia.

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