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Brasil

Índios usam internet para defender seus direitos

Projeto inovador desenvolvido por ONG brasileira, com ajuda do Ministério da Cultura e assessoria alemã, garante inserção digital de sete povos indígenas do Nordeste.

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Índios Online viabiliza inserção digital de minorias étnicas

Houve um tempo em que, no Brasil, "todo dia era dia de índio", diz uma música de Jorge Benjor. Pelos menos virtualmente esse tempo parece estar voltando. Os índios começam a povoar a "aldeia global" formada pela internet.

Um exemplo disso é o portal Índios Online (www.indiosonline.org.br). Trata-se de uma rede de diálogo intercultural, formada pelos povos Kiriri, Tupinambá, Pataxó-Hãhãhãe e Tumbalalá da Bahia, os Xucuru-Kariri e Kariri-Xocó de Alagoas, e os Pankararu de Pernambuco.

A intenção do projeto, desenvolvido pela ONG Thydewa, de Salvador (BA), com o apoio do Ministério da Cultura, da Associação Nacional de Apoio ao Índio (Anai) e assessoria de um etnólogo alemão, é facilitar a inserção digital indígena e apresentar aos internautas "os índios na visão dos índios", dizem os coordenadores.

Segundo o diretor da Thydewa, Sebastián Gerlic, além de ser útil ao resgate da cultura e da cidadania indígenas, o portal também está dando resultados práticos. "Os índios valeram-se da tecnologia para cobrar salários atrasados, receber merenda escolar, tirar o lixo de suas aldeias e ser cidadãos mais ativos", conta em entrevista à DW-WORLD (veja link abaixo).

Fascínio pelo chat

O portal tem uma seção de notícias, uma apresentação das atividades desenvolvidas pelos povos, um fórum de debates, além de oferecer cursos de cidadania e disponibilizar um chatroom. "É nessa sala virtual que os índios se encontram com maior freqüência. O contato imediato é uma magia para eles", revela Gerlic.

O chat indígena já se tornou conhecido além das fronteiras do projeto. Segundo Edilaise Santos Vieira, do povo Taxá, "esse espaço uniu nações. Hoje eu sei o que está acontecendo com meus parentes em Pernambuco e no sul da Bahia. Conseguimos em cada bate-papo, em cada matéria escrita, lida e comentada, um laço de amizade e solidariedade entre os parentes".

Ela garante que, para a juventude indígena, esse foi "o projeto que veio para nos inserir no mundo digital e não mais sermos tachados como burros ou atrasados pela juventude dos não-índios".

Mobilização internacional

Segundo Ivonne Bangert, da Sociedade alemã para os Povos Ameaçados, os indígenas descobriram rapidamente as vantagens da internet para romper o isolamento em que muitos deles vivem. "Por conta própria ou com a ajuda de ONGs, eles aprenderam a usar a internet como ferramenta para chamar a atenção internacional para a luta por seus direitos", disse à DW-WORLD.

Na opinião do etnólogo alemão Nico Czaja, que prestou assessoria técnica ao portal Índios Online e agora atua no Projeto Integrado de Proteção às Populações Indígenas na Amazônia Legal (PPTAL), a internet melhorou muito a comunicação entre os grupos envolvidos e a opinião pública brasileira. "É também uma ajuda na luta contra a repressão, discriminação e violação dos direitos humanos desses povos", acrescenta.

"Índios Online é um projeto inovador, que possibilita o acesso de minorias éticas aos modernos meios de comunicação. E tem futuro", garante Czaja. Esta é também a convicção do jovem Alexandre dos Santos, do povo Pankararu. "Temos a esperança de que, num futuro bem próximo, todos os povos indígenas do Brasil estejam fortalecidos com o recurso da internet", disse à DW-WORLD.

Além do site Índios Online e de outros projetos nacionais e internacionais desenvolvidos junto aos índios, também as estatística apontam um cenário de renascimento do povos indígenas no Brasil.

Segundo a Fundação Nacional do Índio (Funai), a população indígena brasileira cresce em média 3,5% ao ano. Atualmente existem no Brasil entre 450 mil e 460 mil índios, quatro vezes mais do que em 1950, quando se chegou ao mínimo da população indígena brasileira, informou a Funai.

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