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Brasil

Índice de corrupção aponta Brasil como país que mais piorou

País perde sete posições e aparece em 76º no ranking da Transparência Internacional, que atribui resultado a escândalo da Petrobras. Para ONG, corrupção é hoje mais visível e mais debatida entre brasileiros.

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Manifestante com cartaz contra corrupção em protesto em Porto Alegre, em 2013: tema mais presente na sociedade

Dentre todos os países do mundo, o Brasil teve a maior queda de desempenho no Índice de Percepção da Corrupção 2015 da Transparência Internacional. O país perdeu cinco pontos e caiu sete posições, ficando em 76º lugar no ranking, que avalia a corrupção no setor público em 168 países e foi divulgado nesta quarta-feira (27/01).

No relatório, a ONG atribui os resultados negativos aos escândalos na Petrobras. Segundo o economista e coordenador do Programa Brasil da Transparência Internacional, Bruno Brandão, a pesquisa é realizada com especialistas nacionais e internacionais e, por isso, costuma ser pouco afetada por questões conjunturais ou escândalos isolados.

“O índice mede a percepção de um público que acompanha a questão de forma sistêmica. Mas, mesmo assim, a Petrobras e a Lava Jato foram tão impactantes, que o desempenho sofreu uma piora significativa”, afirma Brandão.

De acordo com ele, o resultado não significa necessariamente que mais crimes estão ocorrendo, mas é um indicador importante sobre o nível de corrupção do país.

“Não há parâmetros para medir empiricamente esse fenômeno, pois ele é, por essência, oculto. Só se pode medir empiricamente a corrupção que foi revelada e que, em geral, falhou”, aponta.

Apesar de destacar os valores exorbitantes, o número de criminosos envolvidos e as consequências negativas do escândalo da Petrobras, Brandão também classifica o momento como “extraordinário” na luta contra a corrupção no Brasil.

Para ele, é normal que, ao “encarar de frente o problema”, a corrupção se torne mais visível, mais debatida e também mais perceptível.

Como melhorar?

Para melhorar seu desempenho, Brandão sugere que o Brasil garanta avanços que, segundo ele, já foram conquistados. Por isso, afirma que os brasileiros e a imprensa devem cobrar e apoiar as investigações, além de debater propostas, como as chamadas Dez Medidas contra a Corrupção, do Ministério Público Federal.

“Muitos poderosos querem ver a Lava Jato enfraquecida, a nulidade dos processos e a impunidade. Claro que abusos, se existirem, devem ser corrigidos e, mesmo, punidos. Mas, como dizem os procuradores, não se deve derrubar um edifício para consertar um furo no encanamento”, diz.

O coordenador também alerta que a sociedade deve estar atenta às tentativas de flexibilizar ou abrandar leis importantes para o combate da corrupção.

Por fim, Brandão recomenda que o setor privado se envolva mais ativamente na causa, pressionando os sistemas jurídicos e políticos. Para o especialista, a corrupção “é péssima para o ambiente de negócios” e, portanto, os empresários brasileiros deveriam cobrar reformas profundas.

No relatório, a ONG ressalta os impactos negativos dos crimes para o Brasil. “Com a economia em crise, dezenas de milhares de brasileiros comuns perderam seus empregos. Eles não tomaram as decisões que levaram ao escândalo. Mas são eles que estão vivendo as consequências”, afirma o texto.

O diretor da Transparência Internacional para as Américas, Alejandro Salas, diz que, em 2015, houve tendências positivas na região: a descoberta e investigação de grandes redes criminosas e a mobilização em massa dos cidadãos contra a corrupção.

“Os escândalos da Petrobras e La Línea são provas dessas tendências nos dois atores regionais que declinaram no índice: Brasil e Guatemala. O desafio agora é atacar as causas subjacentes e reduzir a impunidade para os corruptos”, afirma Salas.

Países ricos

No índice, Dinamarca, Finlândia, Suécia, Nova Zelândia e Holanda tiveram os melhores desempenhos. A ONG ressalta, entretanto, que nem sempre os países considerados “limpos” têm uma atuação correta no exterior.

Eles dão o exemplo da Suécia, cuja empresa TeliaSonera, parcialmente controlada pelo Estado, é acusada de ter pago milhões de dólares em suborno no Uzbequistão.

Para Brandão, nenhum país tem a “corrupção em seu DNA”, e a diminuição destes crimes está ligada a uma série de fatores, como a redução da impunidade. “A corrupção não é privilégio de rico ou pobre. E a solução nunca passa por medidas isoladas ou por salvadores da pátria”, afirma.

De acordo com a ONG, os países no topo da lista compartilham aspectos importantes: alto nível de liberdade de imprensa, acesso a informação sobre o orçamento público, integridade dos que detêm cargos de poder, e sistemas judiciários igualitários e independentes do governo.

Do outro lado, no final do ranking, aparecem Somália, Coreia do Norte, Afeganistão, Sudão e Sudão do Sul. Além dos conflitos e guerras, a fraca governança, instituições públicas débeis – como a polícia e o judiciário – e a falta de independência da imprensa são características comuns dos países nas ultimas posições do índice.

Austrália, Líbia e Turquia também tiveram uma queda importante de desempenho nos últimos quatro anos. Por outro lado, Grécia, Senegal e Reino Unido tiveram avanços significativos desde 2012. Segundo a ONG, em 2015, o número de países que melhoraram suas pontuações superou o de nações que retrocederam.

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