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Mundo

Índia proíbe documentário sobre estupro

Governo veta exibição de "India's Daughter" ("Filha da Índia") por declarações polêmicas de autor de estupro coletivo de uma jovem de 23 anos, em 2012. Autoridades dizem que filme é "afronta à dignidade das mulheres".

O governo indiano anunciou nesta quarta-feira (04/03) ter proibido a exibição do documentário India's Daughter (Filha da Índia), que aborda a violência contra a mulher no país. O filme gerou controvérsia por conter uma entrevista com um dos homens que cometeu um estupro coletivo em 2012, em que ele culpa a vítima.

Mukesh Singh, um dos cinco condenados por estuprar uma estudante num ônibus em movimento, declarou à cineasta britânica Leslee Udwin, sem nenhum sinal de remorso, que a jovem de 23 anos era a culpada pelo incidente. A jovem morreu 13 dias depois do ataque.

O estuprador, sentenciado à morte, disse que "mulheres que saem à noite são culpadas" e que "uma garota é muito mais responsável por um estupro do que um garoto".

O estupro coletivo ocorrido há pouco mais de dois anos provocou protestos em todo país e forçou a Índia a endurecer as leis contra o estupro, mas ativistas dizem que pouco mudou para as vítimas.

O ministro do Interior indiano, Rajnath Singh, disse ao Parlamento nesta quarta-feira que os comentários de Mukesh Singh eram "altamente depreciativos e uma afronta à dignidade das mulheres". "O governo condena o documentário e não deixará que nenhuma organização use um incidente desse tipo para fins comerciais."

Rajan Bhagat, porta-voz da polícia de Nova Déli, disse que as autoridades pediram a proibição da exibição, pois o filme tem "conteúdo condenável" e poderia causar desordem pública.

O filme de Udwin deveria ser transmitido pelo canal de TV indiano NDTV para marcar o Dia Internacional da Mulher, no próximo domingo. Em entrevista á agência de notícias AFP, Udwin disse que a "Índia é um país que valoriza os seus direitos e um dos mais importantes deles é a liberdade de expressão". "Tenho certeza que a NDTV vai lutar contra essa censura arbitrária."

A premiada cineasta britânica disse que recebeu permissão das autoridades prisionais e do ministério do Interior para filmar no interior da penitenciária de Tihar, em Nova Déli. No entanto, o ministro do Interior afirma que ela violou os termos do que fora acordado.

CA/afp/rtr

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