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Cultura

Ícone do jornalismo investigativo na Alemanha completa 70 anos

Günter Wallraff tornou-se famoso por suas reportagens investigativas, denunciando a situação dos desfavorecidos na sociedade alemã. Seus disfarces para conseguir informações também são motivo de polêmica.

Ele já esteve na pele do falso repórter sensacionalista do jornal Bild, Hans Esser, se disfarçou como um imigrante turco chamado Ali e também se fez passar por funcionário do McDonald's e da empresa de mineração Thyssen. Seus livros sobre as condições de trabalho muitas vezes subumanas dos imigrantes em empresas de grande porte o tornaram famoso nos anos 1970 e 1980.

Mas mesmo antes disso Günter Walraff já exercitava seu talento para disfarces. Ele se fez passar por morador de rua, alcoólatra internado em uma clínica psiquiátrica e contrabandista de armas para depois escrever a respeito. As várias identidades assumidas por ele em suas reportagens sempre despertaram grande interesse do público, observa o analista de mídia Bernhard Pörksen, da Universidade de Tübingen. "Eu sempre cito uma passagem do diário do Günter Wallraff de quando ele tinha 17 anos: 'Eu sou o criador das minhas próprias máscaras, sempre assumo novas identidades para tentar encontrar a mim mesmo'."

Buchcover Der Aufmacher

Capa do livro "Der Aufmacher", relato de Wallraff ao se passar por repórter sensacionalista

Nessa busca, Wallraff passou por diversas transformações entre sua atuação como repórter investigativo e escritor. Desde o início, afirma o biógrafo de Wallraff, Jürgen Gottschlich, ele teve como objetivo atrair a atenção do grande público ao tocar em assuntos considerados tabus. "E isso ele conseguiu. Tanto com sua história sobre o jornal Bild quanto com o livro Ganz Unten, sobre a vida dos imigrantes turcos na Alemanha, ele colaborou para o aumento da conscientização da população", diz Gottschilch. Na Suécia, o verbo wallraffen faz parte do dicionário oficial e significa "descobrir algo, revelar".

Jornalismo intervencionista

Wallraff tem grande significado também para o jornalismo alemão. Ainda que tenham existido jornalistas investigativos antes e depois dele, poucos escreveram com tamanho envolvimento pessoal. Na opinião do professor Bernhard Pörksen, Wallraff inventou o conceito de "jornalismo intervencionista", sem se preocupar com a objetividade. "Günter toma o partido dos fracos, das vítimas, dos sem-teto, dos explorados e marginalizados em nossa sociedade." Em seus primeiros anos como jornalista, Wallraff denunciou condições de trabalho abusivas em call-centers, grandes redes de padarias e empresas de entrega de encomendas.

Günter Wallraff Film Schwarz auf Weiss

Wallraff em pleno disfarce em seu filme "Preto no Branco"

Wallraff atraiu atenção especial – assim como muitas críticas – ao passar meses a fio disfarçado de homem negro. O resultado foi o filme Schwarz auf Weiß (Preto no branco) que documenta como o racismo se manifesta na Alemanha, às vezes de forma velada, às vezes declarada. O jornal Süddeutsche Zeitung classificou como racista o próprio método de Wallraff, ao imitar grotescamente minorias oprimidas. Diversas empresas processaram Wallraff e suas acusações desagradáveis pelo fato de ele utilizar métodos que ficam numa zona legal obscura.

Engajamento político e social

#big#Além de repórter investigativo, Wallraff também era engajado politicamente. Em 1974 ele foi preso em Atenas durante uma manifestação contra o regime militar na Grécia e só foi libertado depois de 14 meses na solitária. Ele saiu em defesa do escritor britânico Salman Rushdie quando este foi ameaçado de morte pelo governo iraniado por causa do livro Versos Satânicos. A defesa de colegas ameaçados sempre foi uma causa importante para Wallraff, afirma o biógrafo Jürgen Gottschlich. "Ele esteve mais de uma vez na Turquia quando colegas era acusados, apoiou publicações de jornalistas fossem eles turcos ou curdos."

Günter Wallraff Flash-Galerie

Aos 70 anos de idade o jornalista continua produtivo e incansável

As comemorações dos 70 anos de seu aniversário acabaram sendo ofuscadas por alegações de um ex-funcionário de Wallraff, de que ele teria lhe contratado informalmente e deixado de pagar contribuições sociais. Mas nada disso parece ter abalado Günter Wallraff, afirma Gottschlich. "Ele está cheio de energia, muito falante, produzindo muito e correndo maratonas. Ele não se cansa nunca, o que explica por que ele não consegue parar, mesmo aos 70 anos de idade."

Autor: Martin Koch (rc)
Revisão: Francis França