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Alemanha

Êxodo feminino leva a radicalismo de direita no Leste alemão

Segundo pesquisa, o êxodo de mulheres provocou um excedente masculino de até 25% em algumas partes do Leste alemão. Sem profissão, emprego e família, rapazes da região ficam susceptíveis ao radicalismo de direita.

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Êxodo feminino provoca surgimento de classe de desprivilegiados

Segundo o estudo Homens que sofrem: De heróis do trabalho à nova classe desprivilegiada?, divulgado nesta semana pelo Instituto de População e Desenvolvimento de Berlim, cerca de 10% dos habitantes da antiga Alemanha Oriental, ou seja, mais de 1,5 milhão de pessoas, abandonaram o Leste alemão desde a queda do Muro. Partiram, principalmente, mulheres jovens e qualificadas.

Além da falta de cerca de cem mil crianças, observa-se como conseqüência deste êxodo feminino o surgimento de uma nova classe desprivilegiada de homens jovens sem trabalho, formação profissional e família, afirma o estudo.

Em regiões economicamente frágeis dos estados da ex-Alemanha Oriental, o excedente masculino na faixa etária entre 18 e 29 anos chega até 25%. A pesquisa afirma ainda que, neste desenvolvimento sem paralelos na Europa, tais jovens seriam "especialmente susceptíveis a idéias do radicalismo de direita".

Suécia e Finlândia

Stress am Arbeitsplatz

Mulheres do Leste alemão não encontram namorados à altura

Nem mesmo nas regiões polares da Suécia e da Finlândia, que há muito registram êxodo da população feminina jovem, encontram-se cifras semelhantes às do Leste alemão, comenta o diretor do instituto, Reiner Klingholz.

Como causa principal, os responsáveis pela pesquisa mencionam o melhor desempenho escolar das jovens sobre os rapazes. O desnível entre meninas e meninos, que se observa em toda a Alemanha, é ainda mais evidente nos estados do Leste.

Entre 1999 e 2004, 31% das estudantes do Leste terminaram o ensino médio com o Abitur (de importância semelhante à do vestibular brasileiro) – 10% a mais do que os rapazes. Em regiões como o município de Elbe-Elster, em Brandemburgo, 70% dos alunos que abandonaram ou que terminaram somente o ensino fundamental eram homens.

No mesmo período, o número de estudantes masculinos que não completaram o ensino fundamental supera, em mais de 50 mil, o número de meninas. Atualmente, salienta Klingholz, 20% dos alemães do Leste pertencem a esta nova classe de desprivilegiados. Principalmente nas zonas rurais, fica cada vez mais difícil para as mulheres encontrar um namorado ou marido "a sua altura".

Melhor ensino para os meninos

A pesquisa realizada Instituto de População e Desenvolvimento de Berlim, cujo objetivo foi estudar as causas e conseqüências do êxodo feminino nos estados do Leste alemão, baseou-se em estatísticas da Agência do Trabalho, entrevistas realizadas em cidades do Leste alemão e na comparação de dados estatísticos municipais de toda a Alemanha.

Os cientistas sociais responsáveis pelo estudo sugerem uma melhor oferta de ensino para os meninos e o incentivo de novas profissões masculinas. Entre as medidas sugeridas, estão o aumento de pessoal do sexo masculino nos jardins-de-infância e escolas do ensino fundamental.

Como reação à pesquisa divulgada pelo instituto berlinense, o vice-presidente do Parlamento alemão, Wolfgang Thierse (SPD), declarou, nesta quinta-feira (31/05), ao diário Berliner Zeitung, esperar que o atual avanço da economia alemã também traga mais trabalho e educação a essas regiões problemáticas. Thierse salientou a responsabilidade dos municípios e a disposição de aprendizagem e mobilidade dos rapazes como fatores de desenvolvimento para tais regiões. (ca)

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