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Esporte

Êxodo do Brasil é justificável, diz "imigrante da bola"

Vinícius deixou o calor do Brasil para "arriscar-se" na Alemanha. Chegou ao Hannover, impressionou dirigentes e torcida, machucou-se e, enquanto se recupera, aconselha jovens jogadores a buscarem "algo mais" na Europa.

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Zagueiro brasileiro (e) luta para ficar de pé na Alemanha

Enquanto alguns brasileiros sonham com um curso de aperfeiçoamento na Europa, um upgrade profissional ou simplesmente com uma evolução cultural, outros atravessam o Oceano Atlântico atrás do sonho dourado que a bola de futebol cria na mente de qualquer garoto.

Os astros brasileiros que ganham milhões de euros anualmente fazendo gols estão por aqui. São mundialmente famosos, carregam o status de super-heróis e são badalados por onde passam.

Mas até que ponto o risco compensa? Como anda o custo-benefício da vida dos que deixam os seus lares no Brasil para enfrentar o frio, as incertezas, as dificuldades e, muitas vezes, a decepção?

Vinícius, de 24 anos, é um exemplo positivo. Foi criado no Ituano, no interior de São Paulo, defendeu o São Caetano e o Gama no país natal e aceitou o desafio de vestir a camisa do Hannover, clube do norte da Alemanha.

Assinou um contrato longo, até junho de 2007, mas desembarcou projetando a já famosa "ponte" para o clube grande da Europa. E, enquanto batalha para atravessá-la, o zagueiro aproveita para dizer, em entrevista à DW-WORLD, que os esforços só se tornam válidos quando há uma certa garantia.

Bundesliga Fußball Stuttgart gegen Hannover 96

Hannover (cinza) em ação: 'ponte' para o sucesso?

Ao mesmo tempo, o defensor acredita que o êxodo de jogadores de futebol do Brasil é justificável – a Alemanha, por exemplo, importou 44 brasileiros em 2002 e só perdeu para Portugal (132). Trouxe 56 no ano seguinte, 30 em 2004 e seis até março desta temporada.

Em todos os rankings, é o país que está sempre entre os três primeiros no mercado de "importação" de promessas canarinhas. A transmissão de jogos, os salários três vezes mais altos e a segurança, para Vinícius, sobrepõem-se às barreiras.

DW-WORLD – Você chegou à Alemanha em 2003 bastante jovem e depois de ter passado pelo São Caetano, Gama e Ituano. Como foi a sua chegada ao país? De que maneira você veio parar aqui?

Vinícius – Eu estava no Ituano e, em 2002, no primeiro semestre, fomos campeões paulistas. Um pessoal do Hannover estava lá assistindo a algumas partidas e eles se interessaram por mim. No momento não deu certo, mas em dezembro voltaram a entrar em contato e aí acabamos acertando tudo.

Como foi a sua carreira no Brasil?

Então, eu comecei no Ituano e fiquei lá até o começo de 2001. Fui emprestado para o São Caetano em março e fiquei até dezembro, quando voltei para o Ituano para disputar o Paulista de 2002 e ficar até julho. Fui então para o Gama, fiquei até o final do ano e em janeiro de 2003 vim para o Hannover.

Por que você resolveu sair tão cedo do Brasil? Não teria sido melhor ficar mais tempo lá, se tornar mais conhecido e partir para um clube de maior expressão?

Até poderia ter acontecido isso, mas naquele momento apareceu um time da Primeira Divisão da Alemanha, que tem um grande campeonato. Eu tinha a intenção de vir para a Europa e não pensei duas vezes. Vim direto e não me arrependo de nada. Sei que poderia ficar mais tempo no Brasil e vir direto para um time grande, mas poderia também acontecer o contrário. Tenho passaporte italiano e isso facilitou também.

Os comentários dizem que você chegou à Alemanha, impressionou a torcida, os dirigentes, virou titular e depois se machucou. Como foi essa sua trajetória?

Os quatro primeiros meses foram os melhores e os mais surpreendentes. Eu cheguei bem, fisicamente, porque estava fazendo pré-temporada com o Ituano em Ribeirão Preto, com 40 graus e cheguei aqui com menos cinco, menos sete. Achei que o idioma e a culinária seriam obstáculos, mas isso não aconteceu. Fui muito bem recebido, virei titular e depois de um ano tive esta lesão no tornozelo direito. Fiquei dois meses parado e neste período tivemos troca de treinador e, desde que me recuperei, estou treinando para recuperar a posição. Tenho até atuado em outras posições. Estou jogando como lateral-esquerdo e até volante, algo diferente para mim.

Combo: Fonseca und Vinicius

Leandro (e) e Vinícius, dupla de brasileiros do Hannover

Você tem no Hannover a companhia do Leandro Fonseca. Como é a sua relação com ele e com os demais jogadores do elenco?

O Kleber, que era do Corinthians, também esteve aqui no ano passado. Agora ele está no Basel, da Suíça. O meu relacionamento é ótimo com eles. Com o Leandro posso falar português e isso é muito bom. E não tenho problema com nenhum, sou o cara que brinca com todos no time.

Como você explica o êxodo de jovens jogadores do Brasil? Por que você acha que muitos têm saído do país, bem novos, para tentar algo na Europa?

Eu acho que o maior motivo é a grande propaganda dos campeonatos. A quantidade de jogos dos times europeus que é transmitida no Brasil é muito grande. Todo domingo o pessoal está vendo um jogo do Barcelona, do Milan e isso encanta os jovens jogadores. É um outro futebol, tem um algo a mais do que o futebol brasileiro. O pessoal diz que o Brasil está organizado, mas na minha opinião não está. Então o pessoal se encanta com isso, quer vir logo e estar no meio desses jogadores famosos. Mesmo que venha para um time pequeno, todos sonham com a ponte. Pensam em fazer um campeonato bom e a partir daí se projetarem para um time grande. Há a parte financeira, mas este encanto fala mais alto.

E você acredita que esta tal "ponte" é algo real, ou no fundo isso é uma grande ilusão?

Não, eu acho que eles têm que vir atrás, sim. É difícil ficar longe de tudo, mas a organização e a segurança e a tranqüilidade que a Europa oferece compensam. Eu até recomendo, porque no Brasil hoje em dia as coisas não estão bem. Temos problemas de violência, de organização e aqui a vida do jogador é mais longa. Treinamos menos, os clubes são mais cuidadosos com os atletas, e isso pesa. Mas tem que ser diretamente com o clube, não com aquele tipo de empresário que pega o garoto jogando na praia e faz promessas. Eu recomendo, mas desde que o contrato seja correto. Não no escuro.

Quais são os seus planos na Alemanha? Ficar no Hannover até o final do contrato, ou acelerar o seu processo de transferência para um clube maior?

Eu tenho a idéia de permanecer no clube, claro. E mais para a frente quero ficar na Europa, até os 30, 32 anos. Se estarei no Hannover ou não, é uma incógnita ainda.

Depois da sua lesão no tornozelo, você se viu obrigado a atuar em outras posições. Teve que mudar alguma características? Como você classifica hoje o seu futebol?

Eu tive que mudar para jogar no meio-campo e na lateral. Precisei de muito mais preparo físico e força. Sou destro, e jogar na esquerda é difícil. Preciso pensar mais rápido, ser mais técnico.

Que tipo de problemas você enfrentou quando chegou aqui? E qual é a sua rotina?

O maior foi o frio. Até hoje ainda sinto bastante. Estava acostumado ao calor do interior do São Paulo, que dura o ano inteiro. E aqui cheguei a pegar menos sete graus. A minha rotina é bem tranqüila. Treino, volto para casa, fico na internet e no telefone com os amigos. O máximo é sair com o pessoal do time, gosto de ir para Hamburgo e jogar boliche.

Há dois anos e meio aqui, como você compararia o futebol brasileiro ao alemão?

Não há muita semelhança. Aqui é muito mecânico e teórico. No Brasil é sempre aquele futebol do improviso, com algo novo a cada dia. Aqui sempre se sabe o que será feito. Nos treinos e nos jogos. Isso se transmite para dentro de campo, e o jogador não tem muita criatividade. Eu acho que a presença dos brasileiros na Alemanha contribui muito para o futebol deles. Não só dentro de campo, mas fora também. A gente brinca muito com o pessoal, faz brincadeiras. Eu vejo alguns jogadores entrarem em campo para treinar e parece que eles saíram do cassino depois de perder um milhão de euros. Estão sempre de cara fechada.

O futebol alemão pode oferecer muita coisa boa para jogadores consagrados mundialmente. O que ele pode oferecer para alguém como você, que ainda não é famoso e bastante jovem?

É claro que eu não tenho nome como o Marcelinho. Mas pelo menos aqui em Hannover o pessoal tem muita consideração, respeito e tudo tem o seu lado bom e a sua medida. Eu quero mais, mas não posso reclamar porque o futebol aqui me oferece muito. Estou aprendendo uma outra cultura, um outro idioma e tudo soma pelo lado positivo.

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