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Alemanha

"É hora de o Estado de Direito agir contra o Pegida"

Para especialista, movimento e seus simpatizantes devem ser chamados a prestar contas de seus atos perante a Justiça. Depois de um ano de negação do diálogo, não é mais possível atribuir inocência ao Pegida, afirma.

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Apoiadores do Pegida durante a manifestação de um ano de existência do movimento, em Dresden

Dentro de alguns círculos da sociedade alemã há algo fermentando que pode se tornar incontrolável, afirma o especialista Wolfgang Kaschuba, diretor do Instituto para Pesquisas Empíricas sobre Integração e Migração, de Berlim, em referência ao movimento extremista Pegida e seus seguidores.

Para ele, é hora de os políticos e a sociedade alemã reagirem de forma enérgica contra o discurso do Pegida. "Chegou a hora do Estado de Direito agir", afirma. "É preciso deixar ainda mais claro que aqueles que correm atrás da bandeira desses encantadores de ratos também terão que arcar com as consequências, e essas serão de ordem política e jurídica."

DW: Observa-se uma tendência de divisão na sociedade alemã. Há algo incontrolável fermentando entre os adversários da política de refugiados?

Kaschuba: Sim, se a política, a mídia e a ciência não reagirem de forma enérgica, então há algo fermentando. Isso acontece porque temos uma situação na qual determinados grupos dentro da sociedade, principalmente grupos radicais de direita, tentam embarcar nessa "onda de medo".

Ethnologe Wolfgang Kaschuba

Kaschuba: "Quem corre atrás desses encantadores de ratos terá que arcar com as consequências"

E essa "onda de medo" não se fundamenta em experiências. Ninguém perdeu sua casa ou seu trabalho, ninguém teve um parente ferido por causa dos requerentes de asilo e refugiados na Alemanha. Trata-se sobretudo de projeções e preconceitos. E se esses preconceitos não forem combatidos de forma decidida, alimenta-se um problema, pois temos um círculo bem simples, no qual se formam grupos que invocam situações de emergência apelando para o medo e as emoções e, a partir dessas supostas situações de emergência, partem para a agressão e suposta defesa.

Disso resultam situações como os acontecimentos em Colônia [o atentado a faca contra a candidata a prefeita]. Isso pode ser a ação de um indivíduo, mas ele acredita que age em nome desses grupos e meios sociais. É nesse ponto que política, sociedade e mídia devem reagir de forma ainda mais decidida contra as imagens e o discurso [usados por esse grupo].

Analisemos o espectro da direita. O senhor pode descrever pelo aspecto sociológico aqueles que são contra os refugiados?

Temos sobretudo dois grupos. O primeiro é o dos apoiadores e simpatizantes. Esse é o grupo maior. São pessoas geralmente com mais de 40 anos, que vivem de forma pacata, e que têm diante de si cenários que, em parte, nunca haviam vivenciado no seu vilarejo ou na sua cidade. Eles são confrontados com isso pela mídia ou pelo discurso do grupo menor, que claramente pertence ao espectro da extrema direita, é afiliado ao populismo de direita.

Nesse meio social existem, claro, elementos evidentes do crime organizado. Incêndios, ameaças, destruição de patrimônio de refugiados e assistentes são crimes porque tentam afastar pessoas que pensam diferente ou têm uma aparência diferente da livre escolha do local onde querem viver. Em qualquer outra situação, nós chamaríamos isso de associação criminosa e ato criminoso, e é o que devemos fazer também neste caso.

Ainda é possível dialogar com aqueles que categoricamente rejeitam o acolhimento de refugiados de guerra?

Depois de um ano de negação sistemática do diálogo, como no caso do Pegida, não é mais possível atribuir inocência aos participantes. Ao que parece, o diálogo realmente não é possível porque eles não o querem. Essa é uma posição extremamente fundamentalista, que não diz nós temos um outra opinião, mas diz nós temos apenas a nossa opinião e as demais nem queremos ouvir.

Aqui é necessário separar o joio do trigo. É preciso deixar ainda mais claro que aqueles que correm atrás da bandeira desses encantadores de ratos também terão que arcar com as consequências, e essas serão de ordem política e jurídica. Depois de um ano de Pegida, eu não consigo entender como ainda há políticos regionais ou municipais que não combatem o movimento de forma decidida. É absolutamente claro que, em algumas regiões, temos uma situação na qual uma turba condiciona o ambiente, e isso não pode acontecer.

Isso significa que chegou a hora de o Estado de Direito entrar em ação?

Chegou a hora do Estado de Direito agir, mas também chegou a hora de os políticos democráticos agirem. Eles devem se comprometer com aquilo que defendem. E chegou a hora de a sociedade civil agir, que já faz muito, em variadas situações. Há a tentativa, por parte de radicais de direita, de se estabelecer em algumas regiões, e eles não o conseguem porque lá a sociedade civil desde o início se coloca contra isso. Adotar essa atitude é muito importante. É necessário que pessoas que tenham uma reputação numa sociedade local digam: "não dessa maneira, não vocês. Nós somos o centro da sociedade, e vocês estão na margem".

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