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Eleições 2014

Ânimos exaltados e ataques marcam último debate

Na luta para garantir vaga no segundo turno, Aécio Neves e Marina Silva intensificam críticas mútuas. Corrupção e economia são foco dos ataques a Dilma Rousseff.

A três dias do primeiro turno, o último debate com todos os candidatos à Presidência da República, exibido nesta quinta-feira (02/10) pela Rede Globo, evidenciou uma das marcas desta campanha eleitoral: a agressividade. Em meio aos ataques mútuos dos presidenciáveis, sobrou pouco espaço para a discussão de propostas de governo.

Corrupção a economia foram os principais temas abordados em momentos de tensão. Logo no início do debate, os recentes escândalos na Petrobras foram mencionados por Luciana Genro (Psol), em pergunta à Dilma Rousseff (PT). Luciana questionou se os desvios de dinheiro eram resultado de "acordos com a direita".

Dilma se defendeu listando propostas contra a corrupção e afirmando ter demitido o ex-diretor da estatal, Paulo Roberto Costa. "Não são as alianças que definem corruptos. Há corruptos em todos os lugares. Ninguém está acima da corrupção, todo mundo pode cometer. As instituições é que devem investigar", disse.

Em seguida, foi a vez de Aécio Neves (PSDB) e Pastor Everaldo (PSC) abordarem o tema. O tucano acusou Dilma de mentir sobre a demissão do ex-diretor da Petrobras. "Ela acaba de dizer que demitiu o diretor. Não é o que está na ata do conselho. Ali diz que ele renunciou ao cargo e recebeu elogios pelos serviços prestados", atacou.

Em outro momento, Dilma respondeu que o governo havia pedido ao ex-diretor que entregasse uma carta de demissão. "É sabido que se dá sempre o direito da pessoa, no serviço público, de pedir demissão", acrescentou.

Quando se confrontaram novamente, Aécio defendeu que o aparelhamento do Estado era "uma marca" do PT: "Não é a melhor forma de tratar alguém que assaltou os cofres da Petrobras. Faltou explicar quais foram os relevantes serviços prestados pelo diretor."

"Demissão premiada"

Brasilien TV-Debatte Präsidentschaftswahlen 02.10.2014

Marina tenta desqualificar trajetória política de Dilma: "Virou presidente sem ter experiência política"

Marina Silva (PSB) também usou o tópico para criticar o discurso de Dilma sobre corrupção. "[Dilma] disse que deu autonomia ao Ministério Público, mas quem deu foi a Constituinte. A Polícia Federal é um órgão de Estado, não de governo, e faz suas investigações a duras penas", afirmou a ambientalista.

Depois, em confronto direto com Dilma, Marina disse que a petista havia incentivado uma "demissão premiada", em referência à delação premiada de Paulo Roberto. Ela acusou a presidente de não se esforçar para pôr fim aos atos ilícitos na política. "Existe uma lei no Congresso Nacional que faz o combate de corrupção das empresas. Você tem o projeto de regulamentação na sua gaveta e até hoje não regulamentou."

No embate, Dilma mencionou o caso de um funcionário, escolhido por Marina, que havia sido afastado do governo por corrupção. "O seu diretor, nomeado por você para a fiscalização do Ibama, foi afastado do meu governo por crime de desvio de recursos. E eu não saí por aí dizendo que você tinha acobertado a corrupção."

Marina tentou responder, mas, sem direito à tréplica, foi repreendida pelo moderador ao tentar falar com o microfone desligado.

Privatizações

Com a mira apontada para o candidato do PSDB, Dilma voltou a levantar o tema privatização, acusando Aécio de querer privatizar a Petrobras. O candidato negou e disse que o seu partido havia acertado nas privatizações. "Imagina a telefonia de hoje na mão do PT, imagina a Embraer nas mãos de gente indicada pelo seu partido. No meu governo, a Petrobras será devolvida aos brasileiros", afirmou o tucano.

Dilma rebateu, afirmando que, na gestão do PSDB, um funcionário havia dito que as privatizações estariam "no limite da irresponsabilidade". "Vocês entregaram a Caixa e o Banco do Brasil extremamente precários. Hoje, são bancos sólidos", disse.

Autonomia do Banco Central

Aecio Neves und Marina Silva

Aécio e Marina protagonizam disputa pela segunda vaga para o turno final da eleição

A política econômica foi pivô de outro momento tenso, desta vez entre as líderes das pesquisas eleitorais, Marina e Dilma. "A senhora tem feito uma série de acusações sobre a autonomia do Banco Central, que inclusive a senhora defendeu em 2010. Agora a senhora diz que é contra. Qual Dilma está falando agora?", perguntou a ambientalista.

A petista disse que Marina estava "deliberadamente" confundindo autonomia e independência, reiterando ser contra a autonomia formal do BC. "No seu programa está escrito de forma clara: independência. Somente os poderes podem ter independência. Eu sugiro que a senhora leia o que escreveram lá", devolveu.

Em resposta, Marina desqualificou a trajetória política de Dilma. "Por não ter experiência política e ter virado presidente da República, não ter sido nem vereadora, (Dilma) confunde os poderes", acusou a pessebista. "Autonomia é para combater a inflação, que hoje está alta, e para que não haja interferência política de quem acha que manda em tudo."

Dilma alegou que a inflação está controlada e afirmou que qualquer brasileiro com experiência e competência pode ser presidente. "É interessante, vindo de uma pessoa que defende a nova política. Quer dizer que uma pessoa que não fez a carreira – vereadora, deputada, senadora – não pode ser presidente? Onde isso está escrito? Não na nossa Constituição", rebateu.

Inflação

Aécio também usou a economia para criticar o governo petista. "A senhora acabou de nos brindar com uma pérola, de que a inflação está sob controle. Você também deve achar que o crescimento do país é adequado. A senhora fracassou na condução da política econômica?".

Dilma respondeu que seu governo foi superior ao do PSDB e criticou Armínio Fraga, responsável pelas propostas econômicas de Aécio e ex-presidente do Banco Central no governo de Fernando Henrique Cardoso. Segundo ela, o governo tucano teve altas taxas de inflação, desemprego e juros. "Vocês tiveram a capacidade de colocar o Brasil de joelhos diante do FMI", atacou.

Aécio rebateu afirmando que a inflação caiu de 916% para 7% durante o governo de FHC. "Nem a competência do seu marqueteiro João Santana é capaz de reescrever a história", concluiu.

Programas sociais

Outro ponto de atrito entre os principais candidatos foram os programas sociais, como o Bolsa Família. Marina prometeu expandir o programa e incluiu uma promessa nova: pagar um 13º salário aos beneficiários. "Vocês dizem que vão continuar os programas sociais do governo. Por que o povo iria acreditar que nós, que criamos os programas, não sabemos fazê-los, e vocês sim?", provocou Dilma.

Em pergunta de Dilma sobre o programa "Minha Casa, Minha Vida", Aécio reconheceu o valor do programa de habitação do governo federal. "Os bons projetos devem ser aprimorados. Administração pública, Dilma, é copiar as boas ideias, aprimorá-las, reinventá-las, mas com generosidade, sem achar que descobriu a roda, que é dona de todos os projetos", afirmou.

Aécio x Marina

Apertados em segundo e terceiro lugar nas pesquisas, respectivamente, Marina e Aécio também protagonizaram embates. Em uma oportunidade de se dirigir à ambientalista, o tucano tentou associar Marina ao PT, seu antigo partido, estratégia já usada por ele durante a campanha. " Onde está a nova política?", questionou Aécio.

Marina respondeu que a "nova política" seria, justamente, estar dentro de um partido sem se render ao que é "ilícito e ilegal". "Vossa Excelência também esteve em um partido que praticou o mensalão. E também permaneceu nele. Nunca vi vossa Excelência fazer crítica à origem do mensalão. A gente pode estar dentro de um partido e não compactuar com os erros que são cometidos", respondeu a ex-senadora.

Aécio seguiu no ataque, afirmando que Marina nomeava políticos derrotados nas urnas para cargos no Ministério do Meio Ambiente, quando ela era titular da pasta – prática classificada por ele como "velha política". Marina se defendeu, argumentando que há políticos "honrados e competentes" que perdem as eleições.

Nanicos

Os três principais candidatos não foram os únicos a protagonizar confrontos agressivos. Os chamados "nanicos" também foram responsáveis por momentos de grande tensão.

Ao longo do debate, Luciana Genro e Eduardo Jorge (PV) também colocaram Dilma, Marina e Aécio contra a parede. Ao discutir com Aécio, Luciana chegou a dizer ao candidato que não levantasse o dedo para ela.

No entanto, foi Levy Fidelix (PRTB) o principal alvo de Luciana e Eduardo Jorge no debate, que voltaram a confrontar o candidato com a temática gay. Fidelix foi muito criticado por suas declarações, no último debate, consideradas homofóbicas.

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