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Ciência e Saúde

Água para salvar o Mar Morto

O Mar Morto está morrendo. Devido à retirada de água do rio Jordão, pode desaparecer até 2050. Um projeto bilionário que une israelenses, jordanianos e palestinos tenta salvá-lo transportando água do Mar Vermelho.

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Mar Morto deve seu nome ao alto teor de sal de suas águas

Localizado entre Israel, Jordânia e territórios palestinos, o Mar Morto já perdeu mais de 35% de sua superfície – e especialistas estimam que o lago salgado conhecido mundialmente deverá desaparecer até 2050.

Por isso, Israel e Jordânia lançaram, nesta terça-feira (1°/12), uma licitação para a construção de um duto que deverá transportar água do Mar Vermelho para o Mar Morto. Até o final de março do próximo ano, empresas e consórcios podem concorrer à gigante encomenda, declarou o Ministério da Água e Irrigação em Amã, capital da Jordânia.

Na ocasião, o vice-primeiro-ministro israelense, Silvan Shalom, falou na emissora i24news de um "passo histórico para salvar o Mar Morto". A licitação conjunta israelo-jordaniana, afirmou ele, é um "extraordinário sucesso ambiental e diplomático" e mostra "mais do que qualquer outra coisa a frutífera cooperação entre os dois países."

O plano é bombear anualmente 300 milhões de metros cúbicos de água do Golfo de Aqaba por meio de uma ligação de 180 quilômetros atravessando o Deserto do Neguev até o Mar Morto. Numa primeira fase deverá ser criada a infraestrutura para o projeto. Isso também inclui a usina de dessalinização com uma capacidade de 65 milhões a 85 milhões de metros cúbicos anuais. O ministério jordaniano avalia o custo desses projetos em 850 milhões de euros (por volta de 3,4 bilhões de reais).

Parte da água do Mar Vermelho deverá ser canalizada para o Mar Morto, outra parte deverá se dessalinizada, beneficiando tanto israelenses quanto palestinos. A Jordânia também precisa urgentemente de água: 92% da área do país é desértica, e sua população está cada vez maior com a chegada dos refugiados sírios.

Riscos ao meio ambiente

Ambientalistas criticam o projeto por temerem riscos para o meio ambiente do Mar Morto e do Mar Vermelho. O Golfo de Aqaba abriga corais que reagem sensivelmente às flutuações da salinidade da água.

A perda de volume começou nos anos 1960, porque Israel, Jordânia e Síria retiram cada vez mais água do rio Jordão, a principal fonte de abastecimento do Mar Morto – que ganhou esse nome por conter uma quantidade de sal dez vezes superior às dos oceanos, impossibilitando a existência, por exemplo, de peixes.

O projeto de desviar água do Mar Vermelho para o Mar Morto já foi pensado há décadas. Mas somente em dezembro de 2013, Jordânia, Israel e a Autoridade Palestina chegaram a um acordo para salvar o lago salgado, como também para a divisão da água na região.

O nível da água do Mar Morto diminui, atualmente, cerca de um metro por ano. Em 2013, sua superfície se encontrava a 427,13 metros abaixo do nível do mar.

CA/afp/kna/dw

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