À venda, centenas de terminais ferroviários alemães | Notícias e análises sobre a economia brasileira e mundial | DW | 12.06.2008
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Economia

À venda, centenas de terminais ferroviários alemães

Prédios de estações ferroviárias, sobretudo de pequenas cidades, tornaram-se obsoletos no século 21. Dos 3 mil existentes na Alemanha, a companhia ferroviária alemã Deutsche Bahn pretende vender mais de 2 mil edifícios.

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Prédio de 1846 da estação ferroviária de Neustadt, em Brandemburgo, está à venda

Pitorescas estações ferroviárias são marcos de uma época que não vivenciamos. Além de cartão-postal de pequenas e grandes cidades, seus prédios – construídos durante o século 19 e no começo do século 20 – simbolizaram a ascensão da arquitetura burguesa.

Pequenos ou pomposos, lá trabalhavam vendedores de bilhetes, carregadores de malas, funcionários dos correios ou administradores da estação. O mundo mudou, e a venda de bilhetes em máquinas ou através da internet fez das antigas estações um fardo para a companhia ferroviária alemã Deutsche Bahn (DB).

Estações ferroviárias de cidades maiores transformam-se cada vez mais em shopping centers. O intenso afluxo de passageiros justifica o alto aluguel pago pelos lojistas. Sem a mesma sorte, centenas de terminais obsoletos em pequenas estações espalhadas por toda a Alemanha já foram vendidos ou ainda esperam por um novo dono.

Redução de portfólio

Bahnhof Schladen

Estação de Schladen foi transformada em residência

Atualmente, a Deutsche Bahn administra 5,4 mil estações ferroviárias em toda a Alemanha. Três mil destas possuem prédios de terminais de passageiros, sendo a DB ainda proprietária de 1,6 mil, afirmou André Zeug, chefe da DB Station & Service AG, empresa responsável pela administração dos edifícios das estações da companhia ferroviária alemã. A empresa quer reduzir para 600 seu portfólio de edifícios, informou Zeug na revista da Deutsche Bahn, mobil.

Muitos dos prédios estão vazios há muito tempo e ameaçam deteriorar. Por este motivo, a DB pretende vendê-los a prefeituras ou à iniciativa privada. "Podemos e queremos gerenciar somente os prédios que são administrativamente necessários", acresceu o administrador de estações.

Este foi o caso, por exemplo, da sede da estação ferroviária de Schladen. O edifício de 168 anos de idade foi restaurado e transformado em residência por um funcionário da própria Deutsche Bahn. Como o acesso às plataformas e aos trilhos continua a pertencer à empresa, estações como esta ainda funcionam como terminal de passageiros.

Pacotes à venda

Bahnhof Neuruppin

Terminal de Neuruppin virou centro turístico

Há anos que a Deutsche Bahn vem se desfazendo de prédios obsoletos de terminais, que em muitos casos já foram desativados. Em 2000, a DB vendeu 170 edifícios a prefeituras e municípios. No ano seguinte, desfez-se de 500 prédios e, no início deste ano, outros 490 foram comprados por um mesmo consórcio, formado pelo investidor imobiliário londrino Patron Capital e pelo hamburguês Procom Invest.

Segundo uma porta-voz da Deutsche Bahn, a venda de estações para este mesmo grupo é porque a empresa está satisfeita com a atuação do consórcio. Dos terminais vendidos em 2001, muitos foram reformados e transformados em restaurantes ou lojas.

Patron Capital e Procom Invest se comprometeram, nos próximos cinco anos, a investir 15 milhões de euros nos 490 terminais adquiridos. O futuro das estações ainda é incerto. "Ainda estamos analisando. Algumas serão vendidas, outras reativadas", afirmou uma porta-voz da Procom de Hamburgo.

Uma biblioteca, um museu e um centro turístico

Bahnhof Neustadt Dosse

Neustadt: plataforma e máquina de bilhetes bastam

Nem todos estão contentes, no entanto, com a venda das centenas de prédios de terminais de passageiro à iniciativa privada. É o caso, por exemplo, das prefeituras de Kellmünz e Vöhringen, no município de Neu-Ulm, na Baviera.

Segundo o jornal Ausgsburger Allgemeine, as prefeituras das cidades bávaras teriam mostrado interesse pelas estações, mas a Deutsche Bahn não reagiu às solicitações.

Embora uma porta-voz da DB tenha afirmado que foram vendidas à iniciativa privada somente estações pelas quais municípios e prefeituras não teriam mostrado interesse, comentou o jornal, os prédios dos terminais ferroviários de Kellmünz e Vöhringen foram parar nas mãos do consórcio londrino-hamburguês – para desgosto dos prefeitos bávaros.

No estado de Brandemburgo, segundo o diário berlinense Tagesspiegel, a maioria das prefeituras não reagiu ao anúncio de venda dos prédios das estações ferroviárias. Entre as exceções, o jornal mencionou as cidades de Luckenwalde, Ludwigsfelde e Neuruppin, que montaram, respectivamente, uma biblioteca, um museu e um centro turístico.

Trem para todos

Einkaufspassage in Leipzig

Terminal de Leipzig foi transformado em shopping center

Prédios de estações ferroviárias podem ser um problema para prefeituras alemãs. Em entrevista ao Tagesspiegel, o secretário de Infra-estrutura de Brandemburgo, Reinhold Dellmann, afirmou que os municípios não têm verbas para mantê-los. Para Dellmann, em nada adianta oferecê-los a prefeituras sem dinheiro. Como muitos dos terminais têm importância urbanística, porém, o secretário adiantou que um financiamento estatal seria "em princípio" possível.

Como os edifícios dos terminais ferroviários se tornaram obsoletos, plataformas e uma máquina para a venda de bilhetes bastam para o funcionamento de uma estação. Nem mesmo assentos e coberturas pertencem à oferta padrão, afirmou o Tagesspiegel.

Criticando a venda dos edifícios, a Bahn für Alle (Trem para Todos), uma iniciativa contra a privatização da Deutsche Bahn, comentou através de seu porta-voz que "um transporte ferroviário atraente requer uma estação ferroviária com área de espera, informação e serviço. Um tímido abrigo contra chuva e uma máquina de venda de bilhetes muda espantam os clientes".

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