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Mundo

À sombra da revolução, na defensiva

Os atuais protestos estudantis na França repercutem na Alemanha como revival de 1968, mas seu caráter anti-reformista e defensivo é interpretado como pouco emancipatório e até retrógrado.

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Um quadro de Delacroix?

As manifestações estudantis na França, em protesto à nova lei de emprego que afeta os ingressantes no mercado de trabalho, remetem ao movimento de 1968. Pelo menos é esta a associação imediata da imprensa alemã, que observa os acontecimentos no país vizinho com um misto de fascinação e ceticismo.

A revolução fica longe daqui

Por que isso nunca acontece aqui? Esta é a indagação central da opinião pública alemã. "Os alemães não gostam de protestos de rua, os franceses gostam. As fotos das manifestações nos jornais são como pinturas de Delacroix. As meninas com braços de fora, sentadas nos ombros dos meninos – esses são gestos que os franceses adoram. O protesto da juventude na França é um mito da individualidade. E também pode ser associado ao pathos republicano dos franceses. Os alemães não conhecem isso."

Esta constatação do jornalista político Claus Koch destaca – do ponto de vista alemão – não só a inventividade francesa, como seu potencial de se manifestar concretamente no cotidiano e na sociedade.

"A fantasia nas revoltas tem longa tradição na França", confirma Daniel Cohn-Bendit, parlamentar europeu do Partido Verde e ícone dos protestos estudantis na Paris de 1968. "Muitos jovens franceses têm impressão de que seu futuro é um beco sem saída. A fúria vem disso – e também da tradição francesa da revolta, que é muito mais rebelde do que na Alemanha", acrescenta Cohn-Bendit, em entrevista ao diário berlinense taz.

Revolucionários ou conservadores?

Frankreich - Proteste gegen Arbeitsmarktgesetz

Protestos contra a lei de emprego na França

A imprensa conservadora alemã, por sua vez, acusa os estudantes franceses de ativismo retrógrado e anti-reformista. A França estaria bloqueada e o principal freio seria a juventude que insiste em protestar contra todas as reformas.

Fato é que a força dos estudantes franceses não é de se desprezar – e isso, independentemente do mito de 68. Muitos foram os ministros obrigados a renunciar por causa da pressão dos jovens universitários. E agora, destaca o Frankfurter Allgemeine Zeitung, "a revolta conservadora da juventude conseguiu a adesão de quase todo o país".

Apesar de ser tentadora a imagem de um revival 68, os atuais protestos estudantis na França são bem diferentes das manifestações de quase 40 anos atrás. O sociólogo francês Alain Touraine, teórico de mudanças e rupturas sociais, não deixa de dar razão à tese do atual conservadorismo estudantil.

Guerra civil por qualquer coisa

"Não se trata mais de lutar por chances futuras, mas sim de defender conquistas adquiridas. Movimentos sociais requerem confiança e segurança, como era o caso dos movimentos estudantis de 1968, ocorridos numa fase de prosperidade econômica", declarou Touraine ao jornal Die Zeit.

"Hoje, pelo contrário, o que domina é o medo e a desconfiança. Naquela época, lutava-se por uma nova mobilidade social, enquanto hoje as pessoas encaram dinâmica e flexibilidade como fatores de insegurança. Tornar menos rigorosa a seguridade de emprego pode perfeitamente contribuir para combater o desemprego entre jovens, o que já foi feito em muitos países. Mas como sempre, os franceses adoram incitar uma guerra civil por causa de qualquer pequena mudança", acrescentou o sociólogo francês.

Punição a um governo autista

Daniel Cohn-Bendit

Daniel Cohn-Bendit

O antigo líder estudantil Cohn-Bendit também distingue os atuais protestos dos ocorridos na década de 60, lembrando do teor emancipatório de 1968 e do caráter defensivo dos atuais protestos: "Hoje é um movimento defensivo, marcado pelo medo do desemprego e por condições precárias de trabalho".

Mas o político do Partido Verde não deixa de destacar o impacto dos estudantes de hoje: "O protesto dos jovens franceses contra a lei do primeiro emprego do governo Villepin também é rebelde – e carregado de fantasia anárquica".

E Cohn-Bendit acredita que isso levará a uma mudança de governo na França: "O governo Villepin é autista. Possivelmente não abrirá mão de sua lei de emprego. Em compensação, a esquerda sob liderança da socialista Segolene Royal vai ganhar as próximas eleições. Assim, finalmente teríamos – no lugar dos machos Chirac e Schröder – duas mulheres como símbolo da amizade franco-alemã. E talvez, nos EUA, a Hillary Clinton ainda venha a se juntar a isso".

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