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Mundo

À espera de um milagre

Cúpula da UE não consegue superar impasse em torno da nova Constituição Européia. Bernd Riegert comenta.

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O chanceler federal alemão, Gerhard Schröder, saiu com lágrimas nos olhos da estréia de O Milagre de Berna, épico sobre a vitória alemã na Copa de 1954. No cinema de Berlim, foi a emoção que enxeu seus olhos de lágrimas, mas o encontro de cúpula da União Européia poderia tê-lo levado a chorar de raiva. Afinal, o encontro dos chefes de Estado e de governo europeus sobre a nova constituição da UE terminou como a recente cúpula de Roma, ou seja, sem nenhum resultado digno de nota.

Um possível consenso, ou pelo menos algum avanço concreto nas negociações, ficou para o encontro de cúpula de dezembro. Resta saber qual foi a função do encontro de Bruxelas. Afinal, os chefes de Estado e de governo não deveriam ter tempo a perder, comunicando aos outros, em declarações já prontas, que suas posições não mudaram.

Chirac leva o recado

O chanceler federal Gerhard Schröder e o ministro do Exterior, Joschka Fischer, já tinham avisado que só dariam uma passada rápida por Bruxelas, alegando terem coisas urgentes a resolver em Berlim. O ministro das Finanças Hans Eichel já tinha comunicado que não compareceria.

Esta displicência e o fato de Schröder ter pedido ao

Schröder und Chirac begrüßen sich

Chirac e Schröder abrem precedente: Paris representa Berlim em Bruxelas

presidente francês, Jacques Chirac, para representar de novo a posição da Alemanha no Conselho Europeu, geraram indignação entre os participantes da cúpula – uma reação disfarçada diante da imprensa através de observações cínicas.

O premiê de Luxemburgo, Jean-Claude Juncker, disse que – caso não tivesse vontade de ir ao próximo encontro – também pediria a Chirac para representá-lo. O chanceler federal austríaco, Wolfgang Schüssel, torceu o nariz, lembrando que costuma planejar seus compromissos de forma que importantes seções parlamentares não coincidam com as cúpulas da União Européia.

Entre posições irredutíveis

A atmosfera é explosiva. Diversos países menores acusam Chirac e Schröder de terem se unido para fazer valer o interesse dos grandes. Isso evidentemente se reflete na discussão sobre a constituição. A Polônia, a Espanha, a Áustria e a Finlândia estão se debatendo intensamente com a proposta do Executivo da UE. Pelo menos na fachada, o chanceler federal Gerhard Schröder ainda insiste, com toda tranqüilidade, que não há chances de alterar a proposta.

As delegações estão quebrando a cabeça para chegar a um consenso. Os grandes poderiam ir ao encontro dos menores e concordar com a nomeação de um comissário por país. Os pequenos, por sua vez, deveriam desistir de todas as outras exigências e aceitar o novo cálculo de maioria para as votações da comunidade, baseado numa combinação dos votos de cada país com as cotas populacionais. Foi com otimismo forçado que a Itália, na presidência do Conselho, anunciou um documento consensual até o fim do ano. Ainda é cedo demais para perder a esperança em um milagre.

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