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Moçambique

Zambézia: pessoas calvas estão a ser assassinadas para extração de órgãos

A polícia já confirmou a ocorrência dos crimes e assevera estar a “trabalhar para estancar" a prática. Representante dos médicos tradicionais da Zambézia aponta o dedo ao Governo por este não “controlar as fronteiras”.

Mann mit Glatze (Getty Images/C. Hondros)

Foto de arquivo

Alguns meses após um aparente abrandamento da violência contra albinos para extração de órgãos, surgem agora os ataques contra carecas na Zambézia, em Moçambique. As pessoas calvas estão a ser perseguidas e mortas por indivíduos que lhes extraem órgãos para utilizar em rituais tradicionais. A DW sabe que nas últimas semanas, foram assassinadas pelo menos oito pessoas calvas.

Os crimes ocorreram em diferentes distritos de Milange e Morrumbala, que fazem fronteira com o Malaui. As autoridades já detiveram quatro indivíduos acusados de praticar este crime. Dois dos indiciados exumaram o corpo de um homem careca e cortaram-lhe a cabeça.

Polícia confirma crimes

Mosambik Francisco Madiguida (DW/M. Mueia)

Francisco Madiguida, comandante provincial da Polícia na Zambézia

Em entrevista à DW África, Francisco Madiguida, comandante provincial da Polícia na Zambézia, confirma a ocorrência destes crimes na província. "Temos efetivamente esta informação. Já estamos a controlar. Tivemos dois casos de homicídio e já estão detidos quatro indivíduos indiciados", afirma Francisco Madiguida, acrescentando que a polícia moçambicana está a trabalhar conjuntamente com os colegas da polícia da República do Malaui.

"Estamos a tratar este assunto com muita seriedade. E chegámos à conclusão que temos que, periodicamente, trocar informações de forma a poder estancar esta prática de uma vez por todas", dá conta.

Crenças populares

Mosambik Ernesto Selemane (DW/M. Mueia)

Ernesto Selemane, representante dos médicos tradicionais da Zambézia

As autoridades não descartam a possibilidade dos crimes estarem ligados a crenças populares. Existem comunidades onde se acredita que algumas partes do corpo de um homem careca têm poderes sobrenaturais e podem gerar riqueza.

Ernesto Selemane, representante dos médicos tradicionais da Zambézia, desmente que haja, em Moçambique, qualquer tratamento tradicional para enriquecer com base em órgãos de homens carecas.

O responsável aponta o dedo ao Governo por este não "controlar as fronteiras", afirmando que se existisse um controlo, este tipo de crimes terminariam. 

"Falei com os presidentes de médicos tradicionais distritais e eles disseram-me que os assassinos são cidadãos malauianos e tanzanianos e não moçambicanos. O governo tem que ficar envolvido nesse controlo [de fronteiras]. Mas não atua, não toma atenção, é fraco no controlo. As pessoas entram e saem sem nenhum controlo", afirma.
Para este responsável, é "preciso que a polícia faça o seu trabalho" e que a "população denuncie" qualquer ação similar.

Ouvir o áudio 02:50

Zambézia: pessoas calvas estão a ser assassinadas para extração de órgãos

 

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