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Internacional

Violência assola a República Centro-Africana

Presença militar estrangeira e novo Governo de transição na República Centro-Africana parecem estar a falhar. Em declarações à DW África, missionários polacos dão conta de um massacre ocorrido no interior do país.

Assassinatos, linchamentos e saques fazem parte, há vários meses, do quotidiano de muitos cidadãos da República Centro-Africana. Apesar da presença de tropas estrangeiras, a violência está sempre presente, tanto na capital, Bangui, como no interior do país.

Do interior continuam a chegar relatos de graves violações dos direitos humanos, como o massacre ocorrido na noite de 4 de Fevereiro na aldeia de Nzakoun, perto da fronteira com os Camarões e o Chade.

A DW África falou com um missionário polaco que se encontrava em Ngaoundaye, localidade vizinha Nzakoun, e que viajou até à aldeia onde o incidente ocorreu, juntamente com um colega centro-africano. O que viram quando lá chegaram foi atroz, relata o missionário, que pediu o anonimato: "Vinte e duas pessoas foram mortas e vinte e cinco casas foram incendiadas. Também foram queimadas motas, bicicletas e a farmácia local. As pessoas estão a sofrer muito.”

Mulheres e crianças

Zentralafrikanische Republik Sangaris MISCA 05.02.2014

Operação militar francesa “Sangaris”

Entre os mortos, os religiosos dizem ter contado pelo menos três homens, dez mulheres, cinco meninos e quatro meninas. O cenário era de cadáveres, paredes pintadas de sangue e moscas por todo o lado. O cheiro de decomposição pairava no ar. O missionário comentou que as pessoas que não deixaram suas casas foram mortas.

Os que conseguiram sobreviver, fugiram para o mato. Até hoje, o clima é de medo. O religioso afirma não ter dúvidas de que os autores desses crimes são antigos rebeldes da Séléka, a coligação de milícias que derrubou o Presidente François Bozizé, em março de 2013.

Provas do crime

A fonte diz ainda ter reconhecido os carros e as motas dos rebeldes. Além disso, cita também como prova uma carta enviada pela Séléka às milícias anti-Balaka, maioritariamente cristãs, a anunciar a sua passagem de forma “pacífica” por Ngaoundaye:

"O general enviou alguém com uma carta, que dizia que eles queriam passar de forma pacífica pela cidade de Ngaoundaye. E as milícias anti- Balaka responderam que podiam passar aqui pela aldeia, desde que não parassem. Mas isso não foi cumprido, porque depois de passarem por cá, queimaram seis casas.”

Nesta zona, porém, não se encontram soldados da operação militar francesa “Sangaris” ou da MISCA, a Missão da União Africana na República Centro-Africana, lembra o missionário.

Francois Bozize Zentral Afrika

François Bozize, Presidente derrubado em março de 2013

O religioso comenta que já solicitou várias vezes ao Governo na capital, Bangui, e aos militares franceses, que fossem colocados soldados à disposição, mas não obteve sucesso. "Não entendo porquê. A nossa aldeia fica muito perto da fronteira com os Camarões e com o Chade. E para nós é muito difícil, porque a Séléka, para sair da República Centro-Africana, passa obrigatoriamente por Ngaoundaye", desabafa.

Missionários ficam apesar do risco

Apesar da insegurança, os missionários decidiram permanecer no terreno. “A população aqui precisa de nós”, justificam. Mas se a situação piorar, o próximo passo será fugir da aldeia.

A violência na República Centro-Africana já fez quase um milhão de deslocados e refugiados, entre uma população total de 4,6 milhões.

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