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Internacional

União Africana: Violência no Sudão do Sul é "totalmente inaceitável"

Centenas de pessoas morreram em vários dias de confrontos na capital do Sudão do Sul, Juba. Na segunda-feira entrou em vigor um cessar-fogo, mas clima permanece tenso. Cidadãos estrangeiros estão a ser retirados do país.

Dois meses depois da formação de um Governo de unidade nacional no Sudão do Sul, forças fiéis ao Presidente Salva Kiir e ex-rebeldes, leais ao vice-Presidente Riek Machar, voltaram a entrar em confronto - uma situação "totalmente inaceitável" para a presidente da Comissão da União Africana.

"Os Governos e as lideranças existem para proteger os vulneráveis, para servir o povo, não para o atacar e ser a causa do seu sofrimento", afirmou Nkosazana Dlamini-Zuma esta quarta-feira (13.07).

"Os beligerantes estão de volta às trincheiras, enquanto as pessoas do Sudão do Sul, em vez de celebrarem os cinco anos de independência [assinalados no sábado], estão uma vez mais barricadas nas suas casas ou têm de fugir como ovelhas diante de lobos".

Südsudan Präsident Salva Kiir und Vizepräsident Riek Machar

Presidente sul-sudanês Salva Kiir (dir.) e vice-Presidente Riek Machar

Segundo as Nações Unidas, os confrontos em Juba, que levaram à morte de pelo menos 300 pessoas, forçaram 36 mil habitantes a abandonar as suas casas. Os deslocados, sobretudo mulheres e crianças, refugiaram-se em locais de acolhimento da missão das Nações Unidas, a MINUSS, e noutros locais da capital.

"Estamos profundamente preocupados com as informações que nos chegaram sobre civis que estão a ser impedidos de procurar refúgio nas instalações da missão da ONU e que, em alguns casos, estão a ser alvo de disparos", afirma Cecile Poully, porta-voz do Alto Comissariado das Nações Unidas para os Direitos Humanos. "Alguns locais de acolhimento foram atingidos diretamente nos confrontos. Segundo a missão, oito pessoas morreram e 59 ficaram feridas desde domingo, em locais de proteção de civis."

Cidadãos estrangeiros estão a ser retirados

A violência parece ter acalmado na capital do Sudão do Sul, Juba, depois da entrada em vigor do cessar-fogo, na segunda-feira (11.07), embora o clima permaneça tenso. "O cessar-fogo parece estar a ser respeitado, apesar de disparos esporádicos", avançou na terça-feira Stephane Dujarric, porta-voz das Nações Unidas. "Os capacetes azuis conseguiram realizar algumas patrulhas na cidade."

Südsudan Evakuierung der Helfer aus Juba

Trabalhadores de organizações não governamentais estão a ser retirados do país

O Presidente Salva Kiir pediu à população que regresse ao trabalho e à rotina, depois de vários dias de confrontos. E, segundo a ONU, o aeroporto de Juba foi reaberto, embora os voos comerciais continuem suspensos, segundo Dujarric. Mas vários países, incluindo a Alemanha, estão a aconselhar os seus cidadãos a abandonar o Sudão do Sul, enquanto embaixadas e organizações não-governamentais como os Médicos Sem Fronteiras estão a retirar o seu pessoal do país.

A Alemanha e a Itália disponibilizaram meios aéreos para retirarem cidadãos europeus do país. A Força Aérea alemã estava a transportar alemães e cidadãos estrangeiros para fora do Sudão do Sul. Na quarta-feira de manhã, a Força Aérea italiana também transportou 30 passageiros que pediram para sair.

Renegociações?

O Presidente sul-sudanês afirmou na terça-feira que quer negociar com o antigo líder rebelde e atual vice-Presidente Riek Machar com vista a restaurar a paz.

Os dois líderes já pediram às suas tropas que respeitem o cessar-fogo. Tanto Kiir como Machar dizem desconhecer o que levou ao ressurgimento dos combates, mas as duas fações trocam acusações sobre os novos confrontos.

Ouvir o áudio 03:15

União Africana: Violência no Sudão do Sul é "totalmente inaceitável"

Aumentam assim os receios do regresso da guerra civil que teve início em dezembro de 2013, na sequência de uma luta pelo poder entre os dois líderes. O conflito, marcado por massacres étnicos, violações e homicídios, deveria ter terminado com um acordo assinado em agosto de 2015, mas a paz continua longe de ser uma realidade.

Num dos campos da ONU em Juba, um deslocado interno resumiu o sentimento da população sul-sudanesa: "Ninguém quer guerra no Sudão do Sul. Ninguém quer que ninguém morra, somos todos irmãos. O Governo tem de acabar com esta guerra."

A Agência da ONU para os Refugiados pediu aos países vizinhos que mantenham as fronteiras abertas para receber requerentes de asilo sul-sudaneses.

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