1. Inhalt
  2. Navigation
  3. Weitere Inhalte
  4. Metanavigation
  5. Suche
  6. Choose from 30 Languages

Internacional

UNESCO: Eleição do Cais do Valongo não deixa esquecer escravatura no Brasil

Entre as atrações da zona portuária da cidade do Rio de Janeiro, há um lugar que merece atenção: o Cais do Valongo - o principal porto de entrada de escravos africanos no Brasil. É agora Património Mundial da Humanidade.

Localizado na região portuária da cidade do Rio de Janeiro, o sítio arqueológico Cais do Valongo foi declarado Património Mundial da Humanidade pelo Comité da Organização das Nações Unidas para Educação, Ciência e Cultura (UNESCO). A decisão foi tomada pelos 22 países que integraram a comissão que esteve reunida na cidade de Cracóvia, na Polónia, entre os dias 2 e 12 de julho.

O Cais do Valongo foi o principal porto de entrada de escravos africanos no Brasil. Estima-se que 1,4 milhões de homens, mulheres e crianças tenham desembarcado neste local em meados do século XIX para trabalhar, apanhar e morrer.

Em entrevista à DW África, Marcelo Brito, diretor do Departamento de Articulação e Fomento do Instituto do Património Histórico e Artístico Nacional (Iphan-Brasil), afirma que este é um episódio que deixa uma enorme cicatriz na história da humanidade.

Brasilien Marcelo Brito, diretor do Departamento de Articulação e Fomento do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) (Fernando Holanda)

Marcelo Brito, diretor do Departamento de Articulação e Fomento do Instituto do Património Histórico e Artístico Nacional

De acordo com este responsável, o Cais do Valongo "é um sítio de memórias sensível sobre um facto ocorrido na história da humanidade” que deve ser lembrado para "evitar que volte a ocorrer”. Marcelo Brito destaca ainda o facto desta nomeação colocar o Cais do Valongo "na mesma posição” que outros patrimónios mundiais conhecidos como são Hiroshima, no Japão, e Auschwitz, na Polónia. "É algo muito especial”, acrescenta.

A titulação de Património Mundial da Humanidade, entregue ao Cais do Valongo, exige que as autoridades do Brasil assumam certas responsabilidades, como por exemplo, ações específicas para a gestão dos vestígios arqueológicos e paisagísticos, com o objetivo de propor aos visitantes uma visão holística sobre o cais e o que ele realmente representa para a sociedade.

Eleição desperta interesse

Janaina Nascimento assume que apenas conheceu este sítio arqueológico aquando das obras de infraestrutura para os Jogos Olímpicos em 2016. Segundo a pedagoga, o local ainda é desconhecido pelos seus conterrâneos. Na sua opinião, esta "não é uma área muito ampla, mas é muito significativo o que lá existe”.

Brasilien Rio Cais do Valongo - Welterbe 5 (Fernando Holanda)

Cais do Valongo, Rio de Janeiro

Também nascida no Rio de Janeiro, a jornalista e professora Flavia Mello assume que não conhece o lugar mas que tenciona visitá-lo em breve. "Com certeza vou levar os meus sobrinhos e, se tiver possibilidade, vou levar os meus alunos para que todos juntos possamos reviver essa história para que ideias positivas como a não existência mais do racismo, a igualdade entre os povos [prevaleçam]. Quando começamos a incentivar o próximo, a valorizar o outro da maneira que ele é, estamos, na verdade, a implementar a paz”, afirmou.

Já a carioca Silvana Nistaldo, que trabalha há mais de 10 anos em prol da comunidade africana que vive no Rio de Janeiro, celebra o título conquistado, lembrando que Angola também está de parabéns.

Ouvir o áudio 04:07

UNESCO: Eleição do Cais do Valongo não deixa esquecer escravatura no Brasil

"Tanto o Rio de Janeiro, neste caso o Brasil, está de parabéns por esta conquista do Cais do Valongo como Património da Humanidade, como Angola, pois o Mbanza Congo também ganhou este título. Que o mundo possa observar estes dois fatos históricos e valorizar um pouco mais esta história a custa de muito sangue, suor e dor”, afirma.

Foram várias as mensagens de parabéns que o Brasil recebeu dos integrantes do Comité da UNESCO. Finlândia, Cuba e Polónia foram alguns dos países que congratularam a conquista brasileira. Angola, por exemplo, enalteceu o "excelente trabalho” do país, acrescentando que este "é o reconhecimento internacional deste acontecimento doloroso”. "Celebramos a iniciativa. Valorar a memória histórica que nos una e não que nos divida”, afirmou a Croácia.

Leia mais

Áudios e vídeos relacionados