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Angola

Um morto e quatro feridos em exploração de diamantes na Lunda Norte

Um funcionário da empresa de segurança privada ALFA 5 é suspeito de ter morto a tiro um trabalhador e ferido outros quatro na região diamantífera de Xá Muteba, Lunda Norte em Angola.

O incidente ocorreu no sábado, 7 de novembro, quando os garimpeiros exigiam o pagamento dos salários que estavam em atraso à empresa de exploração diamantífera chamada Cooperação Muteba Lda. Dos disparos resultou a morte de um jovem de 18 anos e outros quatro ficaram feridos.

O caso foi denunciado pelo líder do Movimento do Protetorado Lunda Tchokwe, José Mateus Zecamutchima. Este movimento reivindica a autonomia de uma vasta região angolana designada por Reino Lunda.

Segundo Zecamutchima os mineiros foram alvejados, quando solicitavam o pagamento dos salários em atraso.“Na passagem do próprio rio Cuango, existe uma pequena empresa chamada Cooperação Muteba que faz garimpo artesanal legal. Esta empresa contrata garimpeiros, nós não chamamos garimpeiros porque são cidadãos com falta de emprego. Esta semana a empresa do Sr. Muteba não estava a pagar então os funcionários sentiram-se no direito de reivindicar esse dinheiro."

Um morto e quatro feridos

Os disparos provocaram a morte de um jovem de 18 anos enquanto outros quatro ficaram feridos.

Ouvir o áudio 02:38

Um morto e quatro feridos em exploração de diamantes na Lunda Norte

Zecamutchima declara que “na região das Lundas, os assassinatos organizados pelas empresas de segurança mineira até hoje continuam impunes. O mesmo general do exército é o mesmo general dono da empresa de segurança, e é o mesmo general dono da mina de diamantes. O agente de segurança da ALFA5 não fez mais nada senão disparar diretamente contra as pessoas sendo uma delas o senhor Paulino Manuel Adolfo que morreu. Ele tinha 18 anos de idade. Os disparos também atingiram os senhores José Pascoal Tximuanga, Zeca Daniel, Manuel Sakalalika e Pedro Kiluange”, disse o chefe do protetorado.

Morte de garimpeiros nas Lundas tem um longo historial

Numa investigação iniciada em 2004, e publicada mais tarde em livro, o jornalista angolano Rafael Marques denunciava as ações de nove generais das Forças Armadas de Angola, alegadamente responsáveis pela tortura e morte de trabalhadores na região diamantífera das Lundas, sobretudo nos municípios do Cuango e Xá-Muteba.

Angola José Mateus Zecamutchima EINSCHRÄNKUNG

José Mateus Zecamutchima

O livro "Diamantes de Sangue" valeu ao seu autor dois processos por difamação que decorreram em Portugal e em Angola.

A região das Lundas, próxima da República Democrática do Congo, é rica em diamantes. A sua exploração começou em 1917 e no final da década de 1960,

Angola produzia cerca de dois milhões de quilates.

"Hospital de Cafunfo nao prestou assistência médica aos feridos"

Aos feridos foi-lhes "recusada assistência médica no Hospital de Cafunfo", denúncia Zecamutchima porque “a policia de intervenção rápida esteve no hospital para impedir que os familiares e as pessoas fossem atendidos. Soubemos que o individuo que disparou no primeiro dia foi levado pela polícia mas agora está à solta na rua”, disse.

Diamantes de Sangue

O livro de Rafael Marques "Diamantes de Sangue"

Contactadas as autoridades locais, o comandante da Policia do Cuango, Caetano Bravo da Rosa, garantiu à DW África que os seus homens prenderam o suspeito: "Sim o autor dos disparos foi detido. Efetuamos a prisão por estarmos mais próximo do local mas o indivíduo foi levado para o Município de Xá Muteba. É um segurança da Alfa 5”, confirmou Caetano Rosa.

A DW África solicitou um comentário à empresa Alfa5 mas não obteve resposta até ao fecho desta peça.

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