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Internacional

UE pondera reduzir cooperação com Burundi

A União Europeia poderá afrouxar os laços de cooperação com o Burundi devido à situação dos direitos humanos no país. O Governo burundês não convenceu a União de que está a conseguir resolver os problemas internos.

A União Europeia poderá restringir a cooperação com o Burundi, restringindo-a apenas a ajuda humanitária, devido à situação dos direitos humanos no país. O anúncio foi feito, esta terça-feira (08.12), em Bruxelas, através de um comunicado, citado pela agência de notícias France Presse, depois de longas conversações entre representantes das duas partes.

A ajuda humanitária da União Europeia, o principal doador do Burundi, para o período 2014-2020, representa cerca de 430 milhões de euros. No entanto, o financiamento poderá vir a ser interrompido já que os representantes europeus entendem que o país da África Oriental não tem feito o suficiente para resolver os problemas humanitários.

Burundi Bujumbura Willy Nyamitwe

Willy Nyamitwe, porta-voz governamental

O porta-voz do Governo do Burundi, Willy Nyamitwe, tinha contudo outras expetativas para as consultas com a União Europeia. "As pessoas vão perceber que criticaram o Burundi com base em informações falsas. Esperamos que a União Europeia entenda que o Burundi deve continuar o seu desenvolvimento e que apoie as iniciativas do Governo ", disse Nyamitwe antes das conversações.

Risco de genocídio?

O anúncio da União Europeia surge numa altura em que a Organização das Nações Unidas alerta para um "risco grave" de a violência no Burundi degenerar em genocídio.

"Não digo que isso aconteça amanhã, mas há um sério risco de, se a violência não parar, tudo isto poder descambar numa guerra civil. Depois disso, tudo é possível", afirmou Adama Dieng, conselheiro especial das Nações Unidas contra o genocídio.

O porta-voz governamental tem outra opinião: "Hutus e tutsis vivem juntos, não vão lutar. Não há ameaça de guerra civil ou genocídio no nosso país", afirmou Willy Nyamitwe.

Burundi Gewalt und Proteste

Protesto em maio de 2015 contra terceira candidatura de Nkurunziza

Dominado pelos grupos hutu e tutsi, o Burundi tem uma composição étnica semelhante à do vizinho Ruanda. A violência entre as duas etnias conduziu a uma guerra civil no Burundi, que entre 2003 e 2006, causou a morte de mais de 200 mil pessoas.

Atualmente, há tiroteios e explosões quase todas as noites na capital Bujumbura. A situação deteriorou-se desde que o Presidente Pierre Nkurunziza anunciou a recandidatura a um terceiro mandato, que venceu na eleição presidencial em julho. A escalada de violência causou centenas de mortos, desde abril, e obrigou mais de 200 mil pessoas a deixarem o país, segundo a ONU.

Teme-se por isso que a atual crise seja o rastilho de uma nova guerra civil. "Estamos praticamente em guerra. Se não começarmos um diálogo hoje, amanhã será demasiado tarde. O clima no Burundi é tenso. Se formos ao interior do país, sente-se medo no seio da população", disse o ativista Denis Ndayishemeza do Fórum para a Consciência e Desenvolvimento.

Ouvir o áudio 03:17

UE pondera reduzir cooperação com Burundi

O Fórum faz parte de um grupo de 10 organizações não-governamentais locais que foram proibidas pelo Governo do Presidente Pierre Nkurunziza por terem participado em manifestações. Assim, parte da sociedade civil do país ficou excluída da Comissão de Diálogo Inter-Burundês criada recentemente pelo Governo para impulsionar o processo de reconciliação.

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