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Conflitos

"Tudo é possível na Guiné Equatorial com a família Obiang"

O ativista Tutu Alicante diz não duvidar que o Presidente Teodoro Obiang seja capaz de recorrer à violência, cercar a sede da oposição e até matar para não perder o poder. Opositores foram acusados de tentativa de golpe.

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O Presidente Teodoro Obiang e a família estão entre os mais ricos do mundo

Se esta quinta-feira (28.12) houve de facto uma tentativa de golpe de Estado ou se há planos para tal em curso na Guiné Equatorial ninguém pode ainda confirmar. Certo é que o país está a ferver como uma panela de pressão prestes a explodir a qualquer momento. Esta é a sensação do ativista Tutu Alicante, advogado de direitos humanos da Guiné Equatorial.

De um lado, defensores do regime de Obiang afirmam que um general tentou "derrubar" o chefe de Estado com uma operação perto da localidade de Kye-Ossi, na fronteira com os Camarões. De outro, membros do partido da oposição Cidadãos para Inovação (CI) dizem estar a ser perseguidos e presos e a correr risco de vida.

Entre dúvidas e certezas

Em entrevista à DW África, Tutu Alicante, diretor da organização não-governamental EG Justice, disse que a única certeza até o momento é que mais de 500 oficiais da polícia cercaram a sede do CI em Malabo, capital do país, desde a manhã de quinta-feira.

Äquatorial-Guinea Teodoro Obiang Nguema (Getty Images/AFP)

Presidente Obiang duranre eleições na Guiné Equatorial

Fontes afirmaram que a polícia planeava prender o líder do CI, Gabriel Nsé Obiang. Alicante contou que tentou localizar um advogado que representasse o partido, a fim de obter uma informação imparcial, mas até agora não conseguiu. De acordo com os membros do partido, aproximadamente 30 militantes foram presos em Malabo e um número ainda maior foi levado da sede do CI em Bata, capital económica da Guiné Equatorial.

Depois do resultado das eleições parlamentares na Guiné Equatorial, em 12 de novembro, voltou a aumentar a pressão em torno de um dos chefes de Estado há mais tempo no poder no mundo: Teodoro Obiang Nguema, hoje com 75 anos, governa o país há quase 39 anos.

Indignação gera violência

"Ninguém pode imaginar em nenhuma sociedade o que foram os resultados das urnas", disse Alicante. "99 das 100 cadeiras do Parlamento foram para o partido do Governo e apenas um lugar foi para a oposição. Isso não acontece em nenhuma democracia do mundo, só na Guiné Equatorial. A oposição não vê outra saída senão manifestar-se com violência", completou o advogado.

Ouvir o áudio 03:34

Tutu Alicante: "Tudo é possível na Guiné Equatorial com a família Obiang"

Os rumores são muitos. Há informações de que o regime está a fazer planos para aniquilar membros da CI até o próximo dia 15 de janeiro. O ativista de direitos humanos não acredita que o Governo de Obiang, que está a tentar ganhar legitimidade, inclusive internacionalmente, iria envolver-se abertamente num massacre sangrento contra os membros do partido que eles derrotaram nas eleições. "Mas tudo é possível na Guiné Equatorial com a família Obiang", salientou Alicante.

Para o advogado, uma coisa é certa: pode-se esperar que o Presidente Obiang e o seu regime dificultem ao máximo possível que o partido "Cidadãos para Inovação”, ou qualquer outro partido da oposição, ganhe espaço no país. "E se para isso for preciso violência, cercar a sede do partido, atirar nas pessoas e, possivelmente, até matá-las, não tenho dúvida de que ele chegaria a esse ponto", afirmou.

À espera do fim de uma era

Alicante acredita que para aqueles que amam a liberdade, a igualdade, para os que defendem e lutam pelos direitos humanos, o fim desse regime não está a chegar tão cedo. Ele espera, no entanto, que a ditadura tenha fim na Guiné Equatorial.

"Mas essa é uma longa jornada. Este é um dos governos que está há mais tempo no poder no mundo, e que se segura no poder anulando todo e qualquer direito que os cidadãos têm, usurpando todos os recursos naturais do país. Tudo controlado por uma única família. Enquanto a maioria das pessoas vive na mais absoluta pobreza, o Presidente e a família dele estão entre os mais ricos do mundo", apontou o advogado.

A esperança de Alicante é que o fim desse regime não seja violento, mas que haja espaço na Guiné Equaltorial para surgir um governo democrático. "Eventualmente, isso vai acabar em violência, como vimos acontecer em outros lugares da África", concluiu.

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