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Moçambique

Triunfo da FRELIMO nas autárquicas manchado por avanço do MDM

A FRELIMO somou mais uma vitória eleitoral ao seu currículo sem derrotas, mas o triunfo foi manchado pelos surpreendentes resultados do MDM em Maputo e Matola, além das esperadas conquistas da Beira e Quelimane.

Quando ainda só há resultados provisórios, a FRELIMO, no poder, poderá conquistar 50 municípios, dos 53 em jogo, perdendo os da Beira e Quelimane para o Movimento Democrático de Moçambique (MDM), que já os governava.

A eleição para a importante cidade de Nampula foi adiada para 01 de dezembro, devido a um erro nos boletins de voto.

Erros na contagem, pedido de desculpas

Mosambik Kommunalwahl

Cabine de voto da CNE numa assembleia de voto em Pemba, Cabo Delgado

A contagem de votos segue com algumas falhas. Por exemplo, até agora não há divulgação sobre a eleição na cidade da Beira, bastião do MDM. E pelos dados já divulgados percebe-se que, embora a FRELIMO tenha ganho na maioria dos 53 municípios, a oposição ganhou mais força nos redutos do partido governamental.

Na sua página do Facebook, a Comissão Nacional de Eleições (CNE) pediu desculpas pela troca de resultados apresentada na sua página online. Por causa disso, o órgão eleitoral decidiu suspender a página por considerar que ela foi invadida. Assim, os resultados provórios das eleições continuam a ser divulgados através da sua página no Facebook.

MDM soma pontos inesperados

Mosambik Kommunalwahl 20.11.2013 Gorongosa

Eleitor vota em assembleia de voto na Gorongosa

Além da habitual vitória, com mais de 80% dos votos, nos seis municípios de Gaza, província de onde são originários os seus históricos
dirigentes, a FRELIMO viu o MDM avançar em eleitorados inesperados, como os de Maputo e da Matola, habituais bastiões do partido.

A destacar nesta contagem o facto de não terem sido divulgados resultados na Beira, a segunda maior cidade do país, gerida pelo MDM. Mas o líder da bancada parlamentar do MDM, Lutero Simango, garante vitória em casa.

"Internamente, já fizemos a contagem paralela na cidade da Beira e em Quelimane e somos vencedores", afirma, garantindo que "o MDM vai governar a cidade da Beira e terá uma maioria na Assembleia Municipal, assim como em Quelimane". "Não estamos preocupados. Em relação à cidade de Maputo, ainda estamos a efetuar a nossa contagem e estamos convictos de que seremos vencedores", conclui.

Ouvir o áudio 03:36

Triunfo da FRELIMO nas autárquicas moçambicanas manchado por avanço do MDM

Na capital moçambicana, o MDM tem 39,78% dos votos, quando estão contadas cerca de metade das 861 mesas de voto, e na cidade satélite da Matola o candidato da oposição leva 43,33% dos votos, com 72% das mesas de voto escrutinadas. No geral, na província de Maputo, a FRELIMO lidera a contagem, embora nalguns lugares com pequenas diferenças em relação ao MDM. Por exemplo, na cidade da Matola, a FRELIMO tem 51% e o MDM 46,8%.

Noutras votações, o MDM perde por margens mínimas, como em Milange, Gúrue, Mocuba e Alto Mulocoé, municípios da Zambézia, bem como na Gorongosa, província de Sofala, e em Chimoio, capital de Manica.

Um morto em Quelimane

Mosambik Kommunalwahl 20.11.2013 Quelimane Manuel de Araújo

Manuel de Araújo, atual presidente do Município de Quelimane, já proclamou nova vitória nestas autárquicas

Na província da Zambézia a FRELIMO vence em muitos municípios, mas por pouca diferença em relação ao MDM. No Gurué, a diferença foi de 25 pontos. Em Quelimane, o outro município gerido pelo MDM, Manuel de Araújo voltará a dirigir e até já celebrou vitória ao lado do seu eleitorado. Nesta localidade, no entanto, a polícia de intervenção rápida foi muito severa, tendo agredido apoiantes da segunda maior força da oposição. Nesta quinta-feira (21.11), um jovem foi morto quando celebrava os resultados do MDM. Sobre o sucedido, Lutero Simango diz que "a ação contra os apoiantes do MDM não é uma história de agora, sempre foi assim, desde a criação do partido".

"Os nossos membros e simpatizantes saíram à rua para celebrar a vitória na cidade de Quelimane, era uma celebração de alegria e, em troca, a polícia tentou a todo o custo impedir o progresso desta marcha ao longo da avenida onde se situa a residência do governador da província. Os nossos membro não estavam a dirigir-se para a casa do governador, mas sim a marchar na avenida mais populosa para agradecer aos eleitores", explica.

A CNE tem um prazo de 15 dias para divulgar os resultados finais do escrutínio, a contar da data da realização do pleito, ao abrigo da legislação eleitoral moçambicana. Até lá, os resultados oficiais só podem ser acompanhados pela rede social Facebook.

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