Transporte de carvão em vagões abertos causa riscos à saúde? | Moçambique | DW | 24.10.2017
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Moçambique

Transporte de carvão em vagões abertos causa riscos à saúde?

Diariamente, comboios de carvão em vagões abertos passam junto às casas dos moradores de Cuamba. A fuligem escura que o transporte levanta preocupa a população. Quem pode garantir que nada vai acontecer?

Transport von Steinkohle, Mosambik (DW/Manuel David)

Perigo? Moradores de Cuamba convivem com comboios de carvão em vagões abertos

Em uma audição pública que aconteceu no último mês, no município de Cuamba, na província do Niassa, a população mostrou grande preocupação com a poeira levantada pelo transporte de carvão mineral em vagões abertos. Os comboios passam muito perto das habitações, e os moradores temem por sua saúde.  

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Transporte de carvão em vagões abertos causa riscos à saúde?

O  presidente do Conselho Municipal de Malema, Ângelo Fonseca, que também participou da audição como convidado, disse que está preocupado com a situação. "O carvão está ser transportado a céu aberto. Eu sou da opinião que aquele carvão seja transportado com cobertura de lonas, de modo que possa dar mais segurança à população que está ao longo do corredor. Em Malema, o comboio também passa pela vila. Nós também sentimos", revelou.

Os efeitos a longo prazo

Os comboios de carvão em vagões abertos passam "ao pé" da casa de Isidro Ismael, em Cuamba. Ismael está apreensivo com os efeitos da passagem desses comboios a longo prazo. "Sou uma das vítimas. Estou mesmo a alguns metros da linha férrea. É uma preocupação muito grave. Agora, pode até não parecer uma questão muito preocupante, mas, ao longo do tempo, haverá muitos efeitos negativos para a saúde daqueles que moram ao longo deste corredor. A forma como o carvão é transportado é realmente muito perigosa", contou o morador.

Transport von Steinkohle, Mosambik (DW/Manuel David)

Transporte de carvão mineral em vagões abertos em Cuamba.

Outro munícipe que também teme os efeitos da poeira do carvão, Joaquim Patrício, disse em entrevista à DW que esta é "uma pedra no sapato, uma preocupação extremamente grande". Ele acredita que daqui há três ou cinco anos a população vai enfrentar situações de saúde pública, por causa da maneira como o carvão é transportado.

Nenhum risco à saúde

O edil de Cuamba, Filipe Zacarias, tranquilizou os munícipes afirmando que, em outros países, o carvão também costuma ser transportado em vagões abertos. O edil informou ainda que, depois de reuniões com especialistas do Corredor Logístico Integrado de Nacala (CLN) e do Corredor de Desenvolvimento do Norte (CDN), empresas ligadas ao transporte do carvão, ele ficou mais confiante. "Nós temos tido encontros regulares com a CLN e a CDN. Nesses encontros, nós também apresentamos essa preocupação, e eles asseguraram-nos de que o carvão não vai trazer nenhum risco secundário pelo fato de ser transportado sem cobertura", garantiu.

Sempre alerta

Ainda assim, o ambientalista na rede de organizações de desenvolvimento sustentável no Niassa, Faustino Faceira, avisou que é preciso ter cuidado. "Na verdade, nós estamos com uma situação de poluição do ar, em que os efeitos vão acontecer a longo prazo. E o ar, não sendo de qualidade, pode provocar muitas doenças", alertou.     

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