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Moçambique

Tensão em Moçambique ensombra início da campanha para as autárquicas

Campanha eleitoral começa durante a pior crise político-militar no país desde a assinatura do Acordo Geral de Paz. Ainda assim, os partidos políticos e grupos de cidadãos garantem que vão avançar com a campanha.

Ao longo dos próximos 15 dias, 14 partidos políticos e cinco organizações da sociedade civil deverão esgrimir argumentos e tentar conquistar para si o voto dos eleitores de 53 autarquias. Mas o atual cenário político é motivo de preocupação geral.

A Resistência Nacional Moçambicana (RENAMO) ameaçou inviabilizar o pleito. O maior partido da oposição exige a paridade de membros na Comissão Nacional de Eleições (CNE). Além disso, multiplicam-se os ataques de homens armados nalgumas regiões do país, depois da base da RENAMO em Satunjira (Gorongosa) ter sido tomada pelo exército moçambicano.

Unruhen in Mosambik

Centro de Moçambique vive clima de tensão

A violência "vem ofuscar o conteúdo das mensagens", diz João Massango, do partido os Verdes. Eleições e tiroteios são duas coisas que não combinam, refere. Isso "mancha o processo da democracia."

Ainda assim, o partido vai avançar com a campanha: "Vamos, porque já nos inscrevemos e estamos lá", assegura Massango.

Embora as eleições tenham um sabor amargo, os Verdes dizem estar preparados para convencer o eleitorado. O partido promove "um manifesto" para o "desenvolvimento sustentável" do município da Matola, nos arredores da capital moçambicana, Maputo. Para João Massango, o objetivo é muito claro: "ganhar".

Reassentamentos

Ganhar é também a palavra de ordem do Movimento Democrático de Moçambique (MDM). De acordo com Ernesto Estefano, o terceiro maior partido moçambicano definiu a questão dos reassentamentos como um ponto central na sua campanha.

"Temos uma política bastante ambiciosa", diz. Segundo Estefano, é preciso parar com as "situações inadmissíveis" de "desalojamentos desorganizados". "Parece que estamos a voltar ao tempo da colonização, algo que não é aceitável. Este país é nosso, de todos os moçambicanos. E temos de dizer que basta, que não aceitamos isso, porque, afinal de contas, Maputo é para todos, não é para certa gente de elite", comenta o político.

Ouvir o áudio 03:20

Tensão em Moçambique ensombra início da campanha para as autárquicas

Democracia vs. "soar das armas"

Tendo em conta a grave crise político-militar em Moçambique, o presidente do Partido Independente de Moçambique (PIMO), Yacube Sibinde, diz, no entanto, que não há moral para fazer promessas eleitorais.

"Tudo o que vamos prometer não será mais do que o desenvolvimento do cidadão económico e social", afirma Sibinde. "O PIMO não tem capacidade de prometer o calar das armas. Não há democracia que coadune com o soar das armas, com pessoas que não têm liberdade de circulação."

O presidente da CNE, Abdul Carimo, exorta os concorrentes a estas autárquicas a observar as normas éticas da campanha.

"Este é um momento de festa dos munícipes e não deve ser manchado por situações de desordem, incitamento ao ódio, à violência, à injúria, à difamação, à agressão física ou outras formas de injustiça", lembra Carimo.

A CNE diz que está a trabalhar para gerir a realização de dois escrutínios em simultâneo, nomeadamente as autárquicas de 20 de novembro e as legislativas e presidenciais de 2014, bem como as eleições para as assembleias provinciais.

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