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Internacional

Televisão digital em África: sinal ainda não chegou a todos os países

Expirou esta quarta-feira o prazo estabelecido pela ONU para a transmissão exclusiva em sinal digital dos programas televisivos em África. Em 12 países a migração da televisão analógica para a digital ainda nem começou.

Dois Países Africanos de Língua Oficial Portuguesa (PALOP) - a Guiné Bissau e São Tomé e Príncipe - aparecem na lista da União Internacional de Telecomunicações da ONU, que inumera os países que falharam o prazo para a introdução da televisão digital, a par de utros países, como a República Centro-Africana, a África do Sul e a Serra Leoa.

Na África do Sul, o Ministério das Comunicações já havia admitido que não poderia cumprir o prazo, apesar da força económica do país. Uma série de contratempos entre agências governamentais e empresas de radiodifusão também travaram o início do processo.

Quando estará concluida da conversão?

Para a cientista política sul-africana Julie Reid, “quando a conversão será feita” é uma pergunta sem resposta. Ela explica que um dos principais problemas é o custo da conversão. Quem não tem uma TV digital compatível deve adquirir um decodificador, que custa cerca de 50 dólares.

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Televisão digital em África: sinal ainda não chegou a todos os países

E adianta: "Os valores de todos os serviços básicos na África do Sul estão a aumentar, embora a maioria da população seja pobre. E ainda querem que as pessoas paguem do próprio bolso por algo tão simples como um serviço básico de comunicação. Por isso, há tanta resistência. É algo muito difícil de as pessoas alcançarem."

O governo prometeu distribuir de forma gratuita cinco milhões de decodificadores, mas segundo Reid, o número não é suficiente.

Custos incomportáveis para as camadas pobres

CCTV Africa kenia TV-Studio China Public Diplomacy Medien

Estação chinesa CCTV está preparada para emitir em sinal digital

Os custos da conversão digital são um pesadelo em África. Em Kinshasa, capital da República Democrática do Congo, o valor do aparelho chega a 300 dólares, fora do alcance de muitos moradores, como Guy Asalako. O jovem congolês conta que o salário mensal da classe média se situa entre os 70 e os 90 dólares e, por isso, o momento da conversão digital ainda não chegou para os congoleses. Com o fim do prazo, a questão continua a ser adiada.

O jornalista Boubacar Diallo, do Níger, conta que nada mudou na estação de TV em que trabalha. A rotina dele e dos colegas é a mesma, já que os equipamentos necessários à conversão não existem. E eles não sabem por quanto tempo isso vai continuar.

Crises e terrorismo atrasam o processo de digitalização

Um dos grandes mercados midiáticos do continente, a Nigéria ainda não concluiu o processo de implantação da TV digital. Um dos principais motivos para o atraso é a instabilidade política e a constante ameaça da milícia terrorista Boko Haram, afirma Auwalu Salihu.

O porta-voz da Comissão Nacional de Radiodifusão da Nigéria afirma: “O programa de conversão digital começou no meio de uma série de problemas políticos no país. Estávamos no meio de uma transição. Um novo presidente assumiu o cargo depois de o anterior ter falecido. Tudo isso não permitiu que os governos prestassem a atenção devida à digitalização. É uma vergonha não conseguirmos cumprir o prazo.”

DW Akademie Projekt in Sansibar

Pequenas estações de tv poderão sentir dificuldades

Salihu alerta que os países que não aderirem à conversão digital podem perder a proteção da União Internacional de Telecomunicações. Os sinais analógicos podem ser desligados caso passem a interferir nos satélites digitais.

A Fundação dos Média da África Ocidental expressou "profundo pesar" com a falta de progressos. Quando o fim da era analógica televisiva finalmente chegar, devem surgir novos obstáculos. Os operadores da rede podem aumentar o preço da transferência, custo que pode ser fatal para as pequenas empresas de radiodifusão.

Poucos países conluiram processo

Em África, apenas Moçambique, Ruanda, Tanzânia , Malawi e Ilhas Maurícias concluíram o processo.

A Televisão Digital Terrestre ainda está em fase de implantação em Cabo Verde, com um impasse sobre a entrada de novos canais no sinal aberto. A conversão deve se estender até 2016, depois que a Autoridade Nacional de Comunicações de Portugal concluir um processo de reorganização de frequências.

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