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Moçambique

Substituto de Guebuza é a polémica por resolver no Comité Central da FRELIMO

A Comissão Política da FRELIMO apontou os nomes de três possíveis candidatos do partido à Presidência moçambicana, em substituição de Armando Guebuza. Mas nem todos os militantes concordam com os nomes escolhidos.

A escolha do candidato da FRELIMO com vista às eleições presidenciais de outubro próximo será o tema polémico em destaque no Comité Central do partido no poder em Moçambique, que começa esta quinta-feira (26.02).

Em causa está o facto da Comissão Política da FRELIMO ter nomeado três pré-candidatos à sucessão de Armando Guebuza: o primeiro-ministro, Alberto Vaquina, e os ministros da Defesa, Filipe Niusy, e da Agricultura, José Pacheco. Nomes que não agradaram à chamada velha ala do partido, que exige que seja alargado o leque de opções.

Na sequência disso, várias correntes no país já dizem que a hegemonia do Presidente Armando Guebuza está em queda livre, pois os contestados pré-candidatos são vistos como seus delfins, e assim qualquer ambição de Guebuza cairia por terra.

A DW África falou sobre o tema com Baiano Valy, jornalista e analista político moçambicano.

Bayano Valy

Jornalista moçambicano, Baiano Valy

DW África: O que se espera deste encontro que termina no próximo domingo?

Baiano Valy (BV): Será uma sessão muito renhida, com debates muito acesos, porque há elementos que indiciam para tal constatação. Antes desta sessão, houve um encontro da Comissão Política, e, na última semana, a ACLLN, que é a associação dos antigos combatentes da FRELIMO, veio a público dizer que não se revia nesses três candidatos, afirmando que era necessário alargar o leque das possibilidades.

Por isso, acho que esse será um ponto prévio, a inclusão de mais candidatos. Penso que um outro ponto prévio será a reestruturação do atual Secretariado-Geral, em que também a ACLLN não se revê, por ele ter cometido várias falhas.

DW África: Acha que as especulações sobre divergências no seio da FRELIMO podem vir a ser confirmadas de forma clara depois do Comité Central ou mesmo durante o próprio Comité?

BV: Em momentos conturbados como esses temos visto essas clivagens no seio da FRELIMO. No entanto, quando termina uma sessão do partido, principalmente quando essa sessão tem os problemas bem resolvidos, a FRELIMO aglutina-se como um todo.

Penso que durante o Comité Central essas clivagens serão bem claras. No entanto, se a questão for bem resolvida e se o candidato à Presidência for alguém que reunir o consenso da maioria dos membros do partido, a FRELIMO não fará outra coisa senão aglutinar-se e apoiar esse candidato.

DW África: Uma cisão, com a saída de membros da FRELIMO para formar um outro partido, à semelhança do que já aconteceu, por exemplo, na África do Sul, é um cenário absurdo?

Ouvir o áudio 04:21

Substituto de Guebuza é a polémica por resolver no Comité Central da FRELIMO

BV: Não estou a ver membros da FRELIMO a sair para formar um outro partido. Porque, nesse momento, quem aparece a contestar publicamente são os membros da chamada "velha guarda". E penso que, provavelmente, não terão a força suficiente para saírem do partido e criarem um outro.

Se essa contestação viesse, por exemplo, da nova geração, aí poderíamos antever uma cisão. Não podemos dizer que é, de todo, um absurdo, porque em política tudo é possível.

DW África: No final do Comité Central da FRELIMO, caso sejam propostos outros nomes como pré-candidatos, acha que a imagem de Armando Guebuza pode sair prejudicada, uma vez que os atuais pré-candidatos são vistos como os seus possíveis delfins?

BV: A imagem do Presidente Guebuza já está beliscada, porque a partir da altura em que a Comissão Política aparece publicamente a dizer que havia escolhido estes pré-candidatos, foi aí que as vozes no interior da FRELIMO começaram a levantar-se.

DW África: Dada esta negação em relação aos pré-candidatos propostos, acredita que o poder de Armando Guebuza no seio do partido FRELIMO está na reta final?

BV: Acredito que sim, porque a governação do Presidente Armando Guebuza foi uma governação de medo.

Olhando para aquela máxima de Nicolau Maquiavel que dizia "vale mais um líder ser amado ou ser receado? Talvez seja melhor que seja receado", então Guebuza governou e inspirou esse medo no seio dos militantes da FRELIMO, tanto que alguns que apareciam a dizer que não concordavam com algumas das decisões foram colocados de lado.

Os militantes vão lá com uma missão bem clara que é: "não podemos permitir que esse senhor continue por muito tempo aos lemes dos destinos do partido."

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