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Angola

Sobas processam empresa diamantífera em Angola

Líderes tradicionais da província da Lunda Norte apresentaram queixa na Procuradoria-Geral da República contra a Sociedade Mineira do Cuango. Acusam a empresa de retirar centenas de lavras a camponeses desde 2015.

Na participação criminal entregue à Procuradoria-Geral da República, em Luanda, na sexta-feira passada (18.11), os queixosos acusam a Sociedade Mineira do Cuango (SMC) de retirar à força 402 lavras a famílias camponesas para expandir a área de exploração de diamantes. 

"A companhia está a usurpar as lavras não só no Wamucico, mas também no Quimango e noutros sítios. Neste momento, a população de Cafunfu [município do Cuango] está sem lavras", diz o soba Costa Xatumbi. "Viemos reclamar devido ao que se passa nas Lundas, por causa do sofrimento." 

Angola Eine Gruppe von traditioneller Autoritäten reicht Beschwerde bei der Generalstaatsanwaltschaft gegen Diamantenunternehmen ein Txindjana (DW/N. Sul d'Angola)

Costa Xatumbi: "Viemos reclamar devido ao que se passa nas Lundas, por causa do sofrimento"

"402 lavras foram usurpadas de 2015 a 2016. A minha sogra perdeu cinco lavras", fez saber. 

A SMC é formada por três empresas, uma delas pertencente a altas figuras militares do regime angolano, entre as quais o ministro de Estado e chefe da Casa de Segurança do Presidente da República, general Hélder Manuel Vieira Dias "Kopelipa", e o antigo chefe do Estado-Maior General das Forças Armadas Angolanas (FAA), o deputado do MPLA, general Armando da Cruz Neto.

Conforme os lesados, a Procuradoria deu quinze dias para analisar a queixa e eventualmente abrir uma investigação ao caso.

Ouvir o áudio 03:15

Sobas processam empresa diamantífera em Angola

Diamantes não brilham na educação e na saúde 

Esta não é a primeira vez que as autoridades tradicionais da região diamantífera das Lundas fazem chegar uma queixa-crime à Procuradoria-Geral da República contra os chamados "barões dos diamantes" em Angola, denunciando a destruição e usurpação de terras de populares. A primeira vez foi no ano passado, mas a Procuradoria não abriu qualquer investigação.

O regedor Ernesto Caiânvua acusa o partido no poder, o Movimento Popular de Libertação de Angola (MPLA), e o Presidente José Eduardo dos Santos de neocolonialismo na região diamantífera das Lundas: "O que se está a passar na nossa terra é a colonização. É o diamante, é as lavras, é as casas... Tudo está destruído! Afinal de contas, o povo das Lundas fica como?"

Angola Eine Gruppe von traditioneller Autoritäten reicht Beschwerde bei der Generalstaatsanwaltschaft gegen Diamantenunternehmen ein Regedor MwaCafunfo (DW/N. Sul d'Angola)

Regedor MuaCafunfo, de seu nome Ernesto Caiânvua

Ernesto Caiânvua lamenta que os diamantes estejam a ser explorados sem benefícios para o povo das Lundas. "Não tem escola, não tem água, não tem posto de saúde", reclama.

Em relação à nova denúncia apresentada na Procuradoria-Geral da República, o regedor Miji Muleleno avisa que não está disposto a receber um "não" como resposta e resolverá o assunto como lhe convém: "Vamos fazer o que é nosso também. Não nos importamos com as armas de fogo. As armas não são para nós, pois também temos as nossas armas tradicionais", diz.

Contactada pela DW, a direção-geral da Sociedade Mineira do Cuango remeteu-se ao silêncio. Mas, na sexta-feira passada, uma fonte oficial da empresa, ouvida pela agência de notícias Lusa, negou as acusações, garantindo que está a cumprir um acordo com a população e as autoridades locais, que prevê, por exemplo, indemnizações para os camponeses comprarem sementes e prepararem outros locais de cultivo, "dando tempo" à sua retirada.

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