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Moçambique

Seca no sul de Moçambique cada vez mais difícil de suportar

No sul de Moçambique, fome e escassez de água potável acentuam-se devido à seca agravada pelo fenómeno El Niño. Gado continua a morrer por falta de pasto. Vender ou abater os animais é a opção de muitos criadores.

Está a ser difícil contornar os impactos da seca e estiagem no sul de Moçambique. No distrito de Chicualacuala, província de Gaza, por exemplo, nenhuma cultura alimentar sobreviveu à escassez de chuva.

A fome tomou conta da população, pois o milho, a mapira e os feijões não germinaram nos cerca de 34 mil hectares de área arável planificada para a campanha agrícola 2015/2016.

O gado continua a morrer por falta de pasto e água, deixando os criadores num total desespero.

"A situação é caótica. Não há chuva", diz Abel Machava, agricultor e criador de gado bovino em Chicualacuala. "Há uma situação de fome. No campo de pastagem, a situação é a mesma. Os animais estão a morrer por falta de pasto. Eu sou criador de gado bovino e este ano já perdi oito cabeças".

Mosambik Chicualacuala Wasserknappheit

Seca fez disparar os preços de produtos alimentares

População sem alternativas

Sem esperanças de melhorias na precipitação, Abel Machava socorre-se de frutas como melancias, que tem de comprar de fora do distrito, para sustentar a sua família. A venda do gado é outra solução encontrada.

"Estamos ainda a aguardar. Não sabemos se vai chover ou não. Se não há nada na machamba, temos que recorrer aos animais e vender as cabeças para nos sustentarmos", explica.

Machava diz que, como muitos outros criadores, não pensava em vender os animais, mas a situação a isso obriga: "Aquelas pessoas que têm gado, cabritos, podem vender, porque não há outra maneira este ano. Para poder sobreviver é preciso recorrer aos animais."

Escassez de água potável

Joaquim Nataniel, outro residente de Chicualacuala, salienta que é muito difícil aceder a água potável e conta que para conseguir água suficiente, os seus filhos recorrem à carroça por si construída para esse fim. "O plano quinquenal do Governo previa a abertura de furos nas zonas de pastagem. O Governo não o conseguiu fazer. E eu, como residente, com a minha preocupação, terei que dizer, porque aquela seca está a afetar a nossa realidade. Nós aqui vivemos na base da agricultura."

Caiene Ricardo, do setor das atividades económicas daquele distrito, confirma as dificuldades de gestão da situação.

"A atividade agrícola neste distrito está numa situação crítica. As precipitações não foram suficientes. Na época passada, aconteceu a mesma coisa e o INGC [Instituto Nacional de Gestão de Calamidades] decretou o alerta laranja", revela.

Segundo Ricardo, o orçamento não chega para a aquisição de sementes adequadas. "Temos planificado a aquisição de sementes. Mas, por falta do orçamento, não somos capazes de ir àquilo que queremos, porque dependemos sempre de alguém nos dar. Mesmo querendo uma coisa, recebemos outra", acrescenta.

Por causa da seca, agravada pelo fenómeno climático El Ninõ, os preços de produtos alimentares dispararam para o dobro do valor inicial um pouco por toda a região sul do país.

Ouvir o áudio 03:26

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