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Angola

Saída de Samakuva é "lição de democracia" em Angola

É a opinião do jornalista angolano Ilídio Manuel. A retirada de Samakuva dará lugar a uma luta pela liderança, em que já se perfilam vários nomes.

Depois de liderar a União Nacional para a Independência Total de Angola (UNITA) durante 15 anos, Isaías Samakuva, que havia apresentado a possibilidade de cessar o seu mandato, anunciou publicamente a sua intenção. Sugeriu a realização de um congresso extraordinário, assim como mandam os estatutos do partido do Galo Negro.

A Comissão Política do Partido "vai reunir para que, além de analisar o relatório da direção da campanha eleitoral, possa também, nos termos dos estatutos, ser ouvida quanto à realização de um congresso extraordinário para a eleição do novo presidente do partido", anunciou Isaías Samakuva.

À DW África, o porta-voz da UNITA, Alcides Sakala, informou que a reação do principal partido da oposição angolana vai ser tornada pública esta quinta-feira (28.09).

UNITA - Ende des Wahlkampfs

Comício do líder da UNITA durante a campanha para as eleições de 23 de agosto de 2017

Para o jornalista Ilídio Manuel, o anúncio do fim do "reinado" de Isaías Samakuva "pode ser um sinal de renovação no seio da própria UNITA". "O Galo Negro vai a votos e, nesse sentido, está a dar uma grande lição de democracia, contrariamente ao MPLA [Movimento Popular de Libertação de Angola, no poder], onde as coisas ainda são feitas por indicação", nota o jornalista angolano.

Na opinião do ativista Hitler Samussuku, o dirigente conseguiu reconquistar a sua popularidade, pois estava a perdê-la por ter admitido aceitação dos lugares no Parlamento. "Conseguiu-nos surpreender e conquistou a simpatia quer dos seus militantes quer dos apartidários, que começaram a identificar-se [com o partido] logo que o anúncio foi feito", acrescentou Samussuku.

Para o também especialista em Ciências Políticas, Isaías Samakuva mostrou que é homem de palavra ao decidir abandonar a direção do partido que dirige desde 2003, depois da morte do fundador Jonas Savimbi, em 2002.

Luta pela liderança

"A cessação de Samakuva na UNITA vai abrir uma luta de liderança", antevê o jornalista Ilídio Manuel. "Há várias correntes, umas defendem Adalberto Costa Júnior, outros defendem Paulo Lukamba "Gato" e há ainda uma terceira figura, Raúl Danda", explica o jornalista angolano.

Entre estes potenciais candidatos à liderança do partido fundado por Savimbi, "Adalberto Costa Júnior é a pessoa mais querida quer a nível interno quer a nível quer a nível externo do partido", no entender do ativista Hitler Samussuku

Ouvir o áudio 03:53

Saída de Samakuva é "lição de democracia" em Angola

Para o ativista, a UNITA, sob liderança de Samakuva, contribuiu para estabilidade política que se vive em Angola. "A estabilidade e a paz não dependeram simplesmente de quem está no poder. Dependeu, em parte, de Isaías Samakuva. Porque se em vez dele tivéssemos um outro líder, que poderia não concordar com as irregularidades e partir para a violência, talvez o país não teria chegado" o ponto em que se encontra atualmente, diz o ativista angolano.

Apesar da UNITA estar ainda a "pagar a factura da guerra", avalia o jornalista Ilídio Manuel, o partido conseguiu durante os 15 anos de mandato de Samakuva recuperar a sua imagem, principalmente no casco urbano.

"Hoje a UNITA é a segunda maior força política em Angola, é o maior partido da oposição", tendo conseguido eleger 51 deputados para o Parlamento nas eleições de 23 de agosto, lembra Ilídio Manuel.

"Embora o seu desempenho tenha sofrido críticas, é preciso ver que a UNITA era uma estrutura militar que estava a fazer uma transição bastante difícil com a morte de Jonas Savimbi", em 2002. "Portanto há quem diga que poderia ter obtido melhores resultados ao longo dos processos eleitorais, mas é algo que não é muito fácil, tendo em conta o próprio contexto" angolano, conclui o jornalista angolano.

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