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São Tomé e Príncipe

São-tomenses acreditam que uma ditadura esteja a caminho no seu país

Em São Tomé e Príncipe grupos da sociedade civil acusam o Governo de censurar a opinião e liberdade de expressão e ainda molestar cidadãos cujas ações tendem a identificar-se com as da oposição política.

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Presidente de São Tomé e Príncipe, Manuel Pinto da Costa

O caso mais recente que chocou a opinião pública nacional e da sociedade civil foi o dos árbitros que não compareceram aos campos de jogos devido a agressão que o trio foi alvo por causa de uma decisão desfavorável à equipa dos militares.

A este incidente, seguiu-se a prisão de Esterline Gonçalves, em pleno local de trabalho. Gonçalves é um dos árbitros em causa e alto funcionário do ministério dos Negócios Estrangeiros, que criticou a atitude dos oficiais da instituição castrense na sua página do Facebook

Devido a este e outros acontecimentos, Ambrósio Quaresma, jornalista e diretor do jornal “O Parvo” entrevistado pela DW África, teme que o país caminhe para um regime ditatorial: "Hoje o cidadão comum tem medo de falar, porque por todos os lados há "bufaria", ou seja, agentes secretos que ouvem as coisas. Não é por acaso que alguns cidadãos são chamados pelo ministério da Defesa para serem ouvidos, porque alguém disse que ouviu isto ou aquilo. Isso não pode ser!"

Demonstration Sao Tome und Principe

Nos últimos tempos os são-tomenses têm saído às ruas para contestar. Em julho passado foi contra impunidade e corrupção

Suspeitas de ditadura

O jornalista considera que o Presidente Manuel Pinto da Costa não está preparado para viver num regime democrático, e que as detenções arbitrárias e repressão nas manifestações têm o cunho do chefe de Estado: "Pinto da Costa regressou ao poder de mãos vazias e com o cérebro cansado, mesmo com o prazer de voltar a mergulhar o país na ditadura. E isto não pode ser."

E Ambrósio Quaresma apresenta o que considera serem os indícios desta situação: "As pessoas estão a ser espancadas e interrogadas, há intimidações... Os jovens que querem reivindicar os seus direitos são presos e violentados. Já passou o tempo dos "15 anos". Pinto da Costa é um Presidente que já não serve a São Tome e Príncipe."

Olívio Diogo, sociólogo e analista politico, não tem dúvidas de que está a ser preparado um poder absoluto em São Tomé e Príncipe.

Para ele a nova proposta de revisão da Constituição e da lei eleitoral introduzida no Parlamento pelo Partido da Convergência Democrática (PCD), força política que sustenta o Governo de Gabriel Costa, é um exemplo: "Não podemos continuar a fortalecer o poder deste Presidente da República, porque quando ele subiu ao poder a Constituição era a mesma que vigora até hoje, e é essa Constituição que queremos."

Patrice Trovoada

Patrice Trovoada, ex-primeiro ministro de São Tomé e Príncipe

O Presidente justifica-se

Olívio Diogo apontou outros exemplos: "O eixo de Pinto da Costa está totalmente desconfiado do eixo de Patrice Trovoada [liderou o Governo do país pela Acção Democrática Independente ADI de 2008 a 2011]. E mal se diz alguma coisa as pessoas vão contar ao Presidente da República ou ao chefe do Governo. Então há esse tipo de reações de anti-corpos que se está a criar, e esses anti-corpos podem levar o país a uma situação incerta."

Durante uma visita aos serviços da guarda costeira, o Presidente são-tomense Manuel Pinto da Costa e Comandante supremo das forças armadas, questionado pela DW África se o país caminha para a ditadura por causa desses incidentes respondeu sorrindo: "Não senhor! Quem propaga coisas desse tipo são pessoas que andam à procura de qualquer coisa para lançar confusão."

Pinto da Costa é formado em economia na Universidade de Humboldt em Berlim, na ex República Democrática Alemã (RDA). Recorde-se que Pinto da Costa, governou São Tomé e Príncipe durante 15 anos no regime de partido único desde a independência em 1975 até ao ano 1991. Regressou ao poder através de eleições livres em 2011.

Ouvir o áudio 03:00

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