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São Tomé e Príncipe

São Tomé e Príncipe é um país esquecido pelos investidores?

A economia de São Tomé e Príncipe cresce em média cinco por cento ao ano, mas há visivelmente uma falta de interesse de empresas estrangeiras em investir no país. O Governo são-tomense quer mudar isso.

Investir em São Tomé e Príncipe é um ato de coragem e de perseverança, ouvia-se esta terça-feira (07.04) em Lisboa numa conferência sobre as oportunidades de negócio e de investimentos que oferece o arquipélago africano de 1001 quilómetros quadrados. Dizia-se ainda que as ilhas do Equador não são para quem procura protagonismo ou para aqueles que desistem ao primeiro obstáculo.

Portugal Konferenz zu Investionsmöglichkeiten in Sao Tome und Príncipe

Afonso Varela, ministro da Presidência e dos Assuntos Parlamentares

O próprio ministro são-tomense da Presidência e dos Assuntos Parlamentares reconhece que o país caiu num relativo esquecimento sobretudo devido à instabilidade política - São Tomé e Príncipe assistiu sucessivamente à queda de vários Governos. Mas, para Afonso Varela, 2015 é um ano de viragem e mudança de paradigma.

"Não é fácil quebrar hábitos e tradições de várias décadas", admite. Mas o Governo são-tomense quer convencer mais empresários a investir no país. A ofensiva conta mesmo com a ajuda de Patrice Trovoada: "O primeiro-ministro também está envolvido nesse processo e fará outras deslocações para que isso possa acontecer."

Segundo Afonso Varela, o Executivo quer converter as ilhas num espaço atrativo, melhorar o clima de negócios, criar riqueza e uma Nação próspera. Mas, para isso, será necessário um conjunto de reformas, diz. É preciso "clarificar e simplificar os procedimentos e torná-los muito mais seguros."

Portugal Konferenz zu Investionsmöglichkeiten in Sao Tome und Príncipe

Conferência em Lisboa sobre oportunidades de investimento em São Tomé e Príncipe

Menos burocracia, mais segurança

Este é o primeiro sinal de abertura para atrair investimento estrangeiro direcionado para setores potenciais - os recursos marinhos e energéticos, além da agricultura, turismo, saúde, educação e serviços. Um dos projetos emblemáticos é a construção do porto de águas profundas em São Tomé.

Além de estabilidade política, o país precisa de menos burocracia e de mais segurança jurídica, que dê confiança aos investidores, sublinha Nuno Gonçalves, da Associação Empresarial de São Tomé e Príncipe. "Depois o resto é fazer negócios."

Portugal Konferenz zu Investionsmöglichkeiten in Sao Tome und Príncipe

Fernando Basto, empresário português

O Executivo são-tomense está também a trabalhar na elaboração de um Guia do Investidor, um dos instrumentos úteis a Fernando Basto, diretor da SolarWaters, uma empresa portuguesa na área das energias renováveis, com planos para operar em São Tomé e Príncipe. "A possibilidade de criar energia renovável e barata nestas áreas de insolação é sempre interessante".

Gloriana Echeverria, da Agência Multilateral de Garantia de Investimento, considera que São Tomé e Príncipe é uma pequena economia que tem muito potencial e vantagens comparativas em África.

"A agência que eu represento está focada em desenvolver o turismo, como uma indústria fundamental para o crescimento económico e desenvolvimento do país", referiu Echeverria.

Proximamente, Patrice Trovoada estará em Portugal em visita privada, durante a qual reforçará a estratégia do país, cujos passos estão a ser seguidos e apoiados pelo Banco Mundial, que esteve representado na conferência na capital portuguesa.

Ouvir o áudio 02:48

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