1. Inhalt
  2. Navigation
  3. Weitere Inhalte
  4. Metanavigation
  5. Suche
  6. Choose from 30 Languages

Angola

Risco de ressurgimento e alastramento da febre-amarela em Angola

Desde dezembro de 2015, a doença matou mais de 400 pessoas em Angola e na vizinha RDC. Segundo a OMS, o vírus causador da febre-amarela dirige-se para a África Central e Oriental. Há críticas à falta de prevenção.

default

Aedes Aegypti, o mosquito transmissor da febre-amarela

Em Angola já não se registam novos casos de febre-amarela desde 23 de junho deste ano, revela a Organização Mundial da Saúde (OMS). Dos 369 óbitos suspeitos de terem sido causados pela doença, 119 foram laboratorialmente confirmados.

Enfrentar o surto da doença tem sido um grande desafio para as autoridades sanitárias do país. É ainda um teste à capacidade para lidar com endemias, cujo combate implica um enorme esforço financeiro para os cofres do Estado angolano.

O surgimento da febre-amarela também obrigou a classe médica a um grande esforço para controlar os efeitos da doença, reconhece Carlos Pinto de Sousa, bastonário da Ordem dos Médicos de Angola, que falou à DW África durante o VII Congresso da Comunidade Médica de Língua Portuguesa que termina na sexta-feira (02.09), na cidade do Porto, em Portugal.

Carlos Pinto de Sousa Vorsitzender des Ärztebund Angola

Carlos Pinto de Sousa, bastonário da Ordem dos Médicos de Angola

"Houve uma mobilização muito grande a nível nacional e com o esforço, naturalmente, do Ministério da Saúde e dos governos provinciais foi possível debelarmos a epidemia, o que é muito bom. Portanto, a classe esteve ao nível e as estruturas naturalmente e outros profissionais também envolveram-se de uma forma muito grande neste trabalho," avalia.

E que lição Angola retira deste surto?

"Nós temos que continuar a apostar sobretudo na prevenção e a classe médica, naturalmente, terá formação contínua nesta área muito importante, apostando nomeadamente na especialização em saúde pública e áreas afins," responde Pinto de Sousa.

Até agosto último, foram vacinadas em Angola 2,4 milhões de pessoas. As medidas governamentais visam reforçar a capacidade de resposta do Serviço Nacional de Saúde.

Angola Gelbfieber Impfaktion 2016

Até agosto último, foram vacinadas em Angola mais 2,4 milhões de pessoas

Risco latente para África

No entanto, de acordo com o mais recente balanço divulgado pela OMS, cerca de seis mil pessoas podem estar infectadas com febre-amarela em Angola e na República Democrática do Congo: um número de casos seis vezes maior do que o já confirmado. O perigo, a nível nacional e regional, não está posto de lado, segundo os médicos angolanos ouvidos pela DW África.

A aproximação da época das chuvas suscita preocupação de alastramento da doença, espalhada pelo mosquito transmissor Aedes Aegypti a zonas do país onde a vacinação não chegou. O alerta vem de Armindo José Queza, médico angolano de saúde pública, que trabalha na região do Grande Porto, onde acompanha a situação no seu país: "O acumular do lixo, a falta de saneamento, com a época das chuvas, propiciam o surgimento ou o ressurgimento de algumas epidemias que já estavam ou controladas ou mesmo eliminadas e quase erradicadas. É o que aconteceu com o ressurgimento da febre amarela em Angola," considera.

Angola Luanda Lixo Wilde Mülhalde

Acúmulo de lixo propicia a proliferação de mosquitos transmissores de doenças

A resposta das autoridades angolanas foi a possível, mas perderam-se vidas humanas – lembra. "Quando já surgem os casos, é muito complicado resolver. Isto foi uma lição para todos nós," diz o médico.

Apostar na prevenção

A questão é saber o que deve ser feito para se evitar uma nova epidemia, nomeadamente a criação de estruturas para a conservação de vacinas.

"Temos é que proporcionar qualidade de vida e saúde ambiental. Porque havendo saúde ambiental adequada vamos prevenir várias doenças. Nesse caso vamos gastar menos recursos com a assistência medicamentosa e apostamos mais na prevenção," diz Armindo José Queza.

Para este médico angolano há várias lições a tirar do surto da febre amarela em Angola.Por exemplo, importa reconhecer que a responsabilidade da saúde pública é transversal a toda a sociedade, e não cabe apenas ao Ministério da Saúde.

Ouvir o áudio 03:41

Risco de ressurgimento e alastramento da febre-amarela em Angola

Até 28 de julho registaram-se em Angola 3.818 casos suspeitos de febre-amarela, dos quais 879 foram laboratorialmente confirmados.

A epidemia, que começou a 5 de dezembro em Luanda, alastrou para a vizinha República Democrática do Congo - com 2.051 casos suspeitos e 95 vítimas mortais até 27 de julho -, decorrendo no terreno, com o apoio da OMS, várias campanhas de vacinação contra a febre-amarela.

Leia mais

Áudios e vídeos relacionados