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Guiné-Bissau

Resultados das eleições gerais na Guiné-Bissau "são sinais de mudança"

Os órgãos diretivos do Partido Africano da Independência da Guiné e Cabo Verde (PAIGC) vão reunir-se a partir de sexta-feira(18.04) para discutir a formação do próximo governo guineense.

A reunião de sexta-feira foi anunciada pelo presidente do partido, Domingos Simões Pereira, que será o novo primeiro-ministro, depois de o PAIGC ter vencido as eleições legislativas de domingo(13.04) com maioria absoluta. Nas presidenciais, o candidato do PAIGC, José Mário Vaz, foi o mais votado, mas ficou abaixo dos 50% necessários para assumir o cargo, sendo necessária uma segunda volta, marcada para 18 de maio, com o candidato independente Nuno Nabiam.

Resultados que Vincent Foucher, investigador do International Crisis Group (ICG), actualmente na Guiné-Bissau, considera um sinal de mudança. A DW África quis saber se esta é também uma indicação de um sinal de distanciamento do aparelho militar. O analista responde que sim e acrescenta "acho que significa claramente que a maioria dos guineenses não estava contente com o golpe de Estado que aconteceu a 12 de abril e queria algo novo. Acho que todos, incluindo os militares, compreenderam o preço elevado a pagar pelos golpes de Estado. Talvez esta tenha sido uma experiência de aprendizagem".

Instabilidade acabou na Guiné-Bissau?

International Crisis Group

ICG segue com atenção a evolução da situação na Guiné-Bissau

Um dia depois de conhecidos os resultados das eleições gerais, a pergunta que se impõe é se será este o ponto final na instabilidade político-militar na Guiné-Bissau. Há quem tema um golpe de Estado ainda antes da segunda volta das presidenciais, tal como aconteceu em 2012, após a vitória de Carlos Gomes Júnior, na altura, líder do PAIGC. Por isso, o actual período de revelação e análise dos resultados é visto com alguma apreensão. Mas, Vincent Foucher afasta a hipótese de um novo golpe de Estado, pelo menos, para já: "Claro que é sempre uma possibilidade, mas, dado o alto envolvimento internacional, parece-me difícil. Já a violência política...é outra questão. Este país tem uma longa história de políticos e militares vítimas de ataques violentos, por vezes mortais. É recorrente, uma hipótese que não pode ser excluída. Mas acredito que, pelo menos a médio prazo, não haverá um golpe de Estado.

População guineense é contra golpes militares

O PAIGC venceu as eleições legislativas com maioria absoluta, mantendo assim o domínio do parlamento, mas perde lugares em relação às últimas legislativas, de 2008, baixando a representação de 67 para 55 deputados. Ainda assim, consegue uma vitória clara que, segundo o investigador do International Crisis Group, revela que a população não está contente com o passado recente do país, nomeadamente o golpe de Estado de abril de 2012.

Präsidentschaftswahl in Guinea-Bissau 13. April 2014

José Ramos-Horta, representante do secretário geral da ONU na Guiné-Bissau, defende a constituição de um governo inclusivo

Quanto à possibilidade de o PAIGC sair também vitorioso da segunda ronda das presidenciais, Vincent Foucher lembra um ponto fundamental na agenda dos eleitos: o aparelho militar: "Várias pessoas acham que uma vitória dupla será um problema para os militares ou, pelo menos, para os seus líderes, que têm estado a torcer por Nuno Gomes Nabiam. Muitos temem que a dupla vitória signifique mais problemas, insegurança", sublinha o analista do ICG para em seguida acrescentar que "há conversações em curso, com o apoio de atores internacionais, para que se encontre um compromisso. Toda a gente compreende que não se podem excluir as Forças Armadas. É preciso convencer os militares da necessidade de modernização e eles também têm que beneficiar das negociações", sublinhou.

Os militares devem fazer parte da nova agenda do executivo

Mas, de acordo com vários observadores, não só os militares devem ser incluídos na nova agenda do Governo. O representante do secretário-geral da ONU em Bissau, José Ramos-Horta, já apelou a um governo de todos para todos, que inclua todas as forças políticas, reunidas em consenso. Vincent Foucher acredita no sucesso desta possibilidade. "Tem havido conversações nesse sentido entre o PAIGC e o PRS (Partido da Renovação Social). Acho que é possível. Se facilitaria a situação? Acho que sim. Os principais factores, aqui, são a forte pressão internacional e o facto de o PRS ter aumentado a sua representação no Parlamento, com 41 deputados, o que é muito e pode satisfazer o partido. Pode ajudar a dar-lhes a percepção de que estão representados e que têm influência".

Ouvir o áudio 04:13

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