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NOTÍCIAS

República Democrática do Congo: "Os sinais não são bons"

Ainda não houve anúncio oficial, mas é provável um novo adiamento das eleições na RDC. A comissão eleitoral já anunciou que muito dificilmente será possível organizar o escrutínio este ano. Crise poderá agravar-se.

Inicialmente, as eleições na RDC estavam agendadas para novembro de 2016, antes do término do segundo mandato do Presidente Joseph Kabila, em dezembro. Kabila insiste em não deixar o poder e a resistência do chefe de Estado gerou uma onda de violência que causou dezenas de mortos. O Presidente e vários partidos da oposição, sob a égide da Igreja Católica, chegaram a acordo para a realização de eleições este ano. Agora, um novo adiamento parece cada vez mais provável, com a comissão eleitoral a admitir que muito dificilmente será possível organizar o escrutínio este ano. Adiar as eleições significa romper o acordo: a oposição entende que Joseph Kabila está de novo a tentar ganhar tempo para se manter no poder.

Ben Shepherd, da Chatham House, instituição de investigação política com sede em Londres, não descarta essa ideia, mas considera que há razões técnicas para um possível adiamento que, sublinha, não seria surpresa.

"É um grande desafio organizar eleições num país como a RDC, a logística é muito complicada, o país é muito vasto”, explica o analista. "Vários milhões de eleitores têm de ser registados e o registo foi interrompido em regiões como nas províncias de Kasai, devido à violência nos últimos seis meses. As eleições são também muito dispendiosas. O Governo de Kinshasa anunciou recentemente que precisa de pelo menos dois biliões de euros. E disse claramente que não tinha como financiar.”

Estabilidade do Estado não está em risco, diz analista

Kongo Präsident Joseph Kabila (picture-alliance/dpa/M. Kappeler)

Presidente Joseph Kabila

O Presidente Kabila não esconde o desejo de um terceiro mandato, apesar de, para isso, ser necessário mudar a Constituição - uma intenção que gerou protestos violentos.

Ainda assim, Ben Shepherd, da Chatham House, não vê grandes riscos para a estabilidade da República Democrática do Congo no caso de um novo adiamento das eleições, uma vez que "não existe um único grupo com legitimidade, autoridade e capacidade para mobilizar um grande número de pessoas”.

"O partido do histórico líder Etienne Tschisekedi, a União para a Democracia e Progresso Social, dividiu-se quando apenas uma fação concordou em participar no governo de unidade nacional, promovido pela Igreja Católica. E a restante oposição falhou em chegar a um compromisso para encontrar um único candidato”, explica o analista.

Portanto, conclui Ben Shepherd, "é possível que aumentem os protestos, mas não a um ponto de representar riscos para a estabilidade do Estado congolês”.

No entanto, o analista lembra que as condições económicas no país estão a piorar, a inflação aumenta e o Estado tem cada vez dificuldade em pagar aos funcionários, incluindo às forças de segurança.

Angola poderá intervir

Ouvir o áudio 04:09

RDC: "Os sinais não são bons"

Também a comunidade internacional está a perder a paciência com Kinshasa, particularmente Angola, o mais fiel e poderoso aliado de Kabila em África.

Com eleições em agosto, Luanda quer estabilidade. E a vaga de refugiados congoleses, que fogem da violência na região de Kasai, preocupa as autoridades angolanas, afirma o analista Alex Vines, também da Chatam House:"Não vamos ver algo definitivo antes das eleições legislativas em Angola, em agosto próximo, mas depois, com o novo Governo em Luanda, vai ver-se uma intervenção política angolana mais forte sobre a RDC”.

Esta terça-feira (11.07), os Estados Unidos ameaçaram a República Democrática do Congo com sanções se o escrutínio não tiver lugar este ano e apelaram ao Conselho de Segurança da ONU para punir os responsáveis pela violência no país.

Ainda não é claro se Joseph Kabila vai ceder à pressão. "Os sinais não são bons”, diz Ben Shepherd, da Chatham House. O analista duvida que "os líderes da RDC sejam coerentes o suficiente, com uma visão de futuro, para chegar a um acordo político que permita ao país avançar para umas eleições verdadeiras nos próximos tempos”.

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