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Moçambique

RENAMO reúne Comissão Política no seu bastião no centro de Moçambique

A Comissão Política da RENAMO, o maior partido da oposição em Moçambique, foi convocada para uma reunião de dois dias, a partir de domingo (21.12), na Gorongosa, no centro, para discutir as últimas eleições gerais.

A reunião da comissão política da Resistência Nacional Moçambicana (RENAMO) na Gorongosa é uma estratégia de pressão contra o Governo, considera o analista Calton Cadeado. Já o maior partido da oposição em Moçambique deixa ao critério de cada um a interpretação da escolha do local.

A partir do próximo domingo (21.12), as eleições gerais de outubro passado serão tema de debate no encontro da RENAMO, bem como o desempenho do partido e a situação política, económica e social do país.

Gorongosa, no centro do país, o local escolhido para o encontro, foi palco da confrontos militares recentes entre homens da RENAMO e as Forças Armadas de defesa do país. Também durante a guerra civil de 16 anos o lugar ficou marcado por ser a principal base da RENAMO.

"Livres para nos reunirmos onde quisermos"

Poderá a escolha do local reacender más lembranças entre os moçambicanos e trazer receios de um retorno à guerra? A RENAMO, através do seu porta-voz, António Muchanga, responde que não sabe, mas lembra que "as pessoas são livres de pensarem o que quiserem."

António Muchanga

António Muchanga, porta-voz da RENAMO

"Nós também somos livres de tomarmos as decisões. Neste caso foi escolhido Satungira, mas podia ser a Casa Banana, Vunduzi, Maringue ou outro local. Somos livres para nos reunirmos onde quisermos”, sublinha António Muchanga.

O maior partido da oposição rejeita os resultados eleitorais por considerar que o processo foi fraudulento. Uma vez que anulação do processo foi rejeitada pelo Conselho Constitucional, a RENAMO propôs um Governo de gestão, em que o partido estaria incluido, ou então a divisão do país, onde governaria as províncias onde obteve vitória.

No entanto, o Governo da FRELIMO recusou categoriamente as propostas, considerando-as anti-democráticas.

Governo e comunidade internacional pressionados?

Será este encontro da RENAMO no seu bastião militar uma forma de pressionar o Governo a satisfazer uma das suas exigências? António Muchanga nega e diz que se trata de uma reunião normal.

Mosambik Führer der Oppositionspartei RENAMO Afonso Dhlakama 2013

Afonso Dhlakama na Gorongosa

"Se esse encontro representa pressão ou não, até agora não tenho conhecimento. O que sei é que a Gorongosa, por fazer parte do território da República de Moçambique, foi o local escolhido pela Comissão Política da RENAMO para a reunião que vai ter lugar nos próximos dias. E é lá onde vamos estar reunidos”.

Porém, Calton Cadeado, analista político do Centro de Estudos Estratégicos e Internacionais em Moçambique, tem uma opinião contrária relativamente a este ponto. “Acho que tem um peso político e psicológico muito forte não só junto do governo mas sobretudo na opinião pública nacional e internacional derivado da guerra neste país”.

Como está instalado mais um impasse entre a RENAMO e o Governo da FRELIMO, as incertezas sobre o futuro do país reacenderam também. A assinatura do acordo do fim das hostilidades em setembro último e as eleições gerais ficam agora ensombradas.

Governo recusa "Governo de gestão"

A DW África perguntou à RENAMO que atitude pretende tomar se as recusas do Governo persistirem. “Já dissemos que o que a RENAMO vai fazer será anunciado nos próximos dias porque o Governo ainda não nos disse que recusa o “Governo de gestão”. Estamos a ouvir comentários dispersos provenientes de algumas pessoas", respondeu António Muchanga.

O partido vai agora "ouvir o que o Governo vai dizer amanhã no discurso a ser proferido no banquete do fim de ano", adiantou o porta-voz da RENAMO.

Ouvir o áudio 03:16

RENAMO reúne Comissão Política no seu bastião no centro de Moçambique

"Se calhar a partir dessa altura vamos tirar as ilações necessárias para podermos de facto esboçar uma estratégia em função da resposta que tivermos".

Esta espera da RENAMO é criticada pelo analista Calton Cadeado. “A RENAMO sempre entra a reboque do que a FRELIMO e o Governo fazem. Quando foi o Congresso, a RENAMO esperou para fazer tudo. E tudo o que fez era em oposição ao que a FRELIMO dizia e fazia. Este foi o comportamento da RENAMO em todo o processo político até agora, mas sobretudo nos últimos anos”.

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