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Internacional

Regime ugandês aperta o cerco a opositores

A prisão domiciliária do líder da oposição Kizza Besigye continua a ofuscar a vitória eleitoral do Presidente Museveni, que prometeu usar todos os meios para travar protestos. Centenas de opositores também foram detidos.

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Polícia à porta da casa de Kizza Besigye em Kampala, a capital do Uganda

Termina esta terça-feira (01.03) o prazo para contestar os resultados das eleições gerais no Uganda, de que Museveni saiu vitorioso. O líder da oposição Kizza Besigye anunciou que o iria fazer, mas ainda não teve oportunidade. Há uma semana que a sua casa está cercada pela polícia.

"Sou prisioneiro desde que os resultados foram anunciados", diz Besigye. Segundo o líder do Fórum para a Mudança Democrática (FDC), na sede do partido a situação é semelhante. "Os nossos agentes estão em prisões, dificultando assim a recolha das provas que precisamos para uma petição".

Yoweri Museveni, há 30 anos no poder, ganhou as presidenciais de 18 de fevereiro com 61% dos votos, de acordo com os resultados oficiais. Kizza Besigye ficou em segundo lugar, com 35%.

O opositor considera que as eleições foram "fraudulentas". No dia da votação, houve atrasos na entrega de boletins de voto em zonas consideradas bastiões da oposição e episódios de violência. Além disso, o Governo bloqueou as redes sociais.

Uganda Afrika Kizza Besigye Forum for Democratic Change Forum demokratischer Wandel

O líder da oposição Kizza Besigye conseguiu 35% dos votos nas presidenciais

Besigye pediu uma investigação independente às eleições e desafiou os seus apoiantes a contestar os resultados de forma pacífica, nas ruas. Porém, as autoridades consideraram que o opositor tencionava fazer muito mais. "Havia informação que indicava que estavam a ser mobilizados arruaceiros para as ruas de Kampala", declarou o porta-voz da polícia, Fred Enanga. "Isto não é bom. É parte da atual campanha de desafio às autoridades e às leis deste país".

O Presidente Museveni ugandês prometeu usar todos os meios para travar protestos contra a sua vitória. Na sexta-feira (26.02), as forças de segurança detiveram mais de 200 apoiantes do FDC. Segundo o partido de Besigye, muitos dos detidos estavam na posse de material da votação que poderia ser usado como prova em tribunal.

Campanha de intimidação

Amama Mbabazi, outro candidato derrotado nas presidenciais no Uganda, diz que Museveni está a levar a cabo uma campanha de intimidação para silenciar os críticos. Mas não vai funcionar. "A intimidação e a detenção de pessoas não vai silenciar a democracia", garante Mbabazi.

Embaixadores da União Europeia (UE) e dos Estados Unidos da América encontraram-se com o Presidente Museveni e com o opositor Kizza Besigye e apelaram à calma.

Ouvir o áudio 03:28

Regime ugandês aperta o cerco a opositores

"Pedimos às autoridades ugandesas que respeitem os direitos da oposição e as liberdades fundamentais", disse o representante da UE no Uganda, Kristian Schmidt, que considerou a detenção de Besigye "uma violação das suas liberdades fundamentais e dos direitos humanos".

Segundo a missão de observadores da UE, as eleições gerais no Uganda decorreram sob uma "atmosfera intimidatória" e à Comissão Eleitoral ugandesa terá faltado independência e transparência. Já os observadores da União Africana (UA) e da Comunidade da África Oriental disseram que o processo foi, no geral, livre e justo.

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