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Internacional

RD Congo seguirá 'instável e violenta'

Cimeira regional buscou resoluções para paz e segurança na RDC, mas terminou (27.10) sem progressos. Para o especialista Phil Clark violência deve aumentar, diz à DW.

A cimeira, oficialmente denominada 7ª Reunião de Alto Nível Sobre Acordo Quadro da Região dos Grandes Lagos, buscou resoluções para o longo conflito na República Democrática do Congo (RDC), na República Centro-Africana (RCA), no Burundi e no Sul do Sudão.

Ao final de dois dias de debates em Luanda, Angola, apelou-se aos países da região que contribuam mais com a missão da Organização das Nações Unidas (ONU) na República Democrática do Congo, a denominada MONUSCO; e que, segundo especialistas, tem falhado.

O encontro buscou resoluções para as dificuldades do exército da RDC em localizar insurgentes e restabelecer a segurança no país. E enquanto o evento acontecia em Luanda, militares da RDC detiveram um dos líderes das milícias rebeldes pela libertação de Ruanda, o coronel ruandês hutu Habiarimana Mucebo Sofuni, até então ativo no leste do Congo.

Segundo especialistas, os países vizinhos têm papel fundamental em resoluções que levem a um acordo na região. 

A DW África conversou com Phil Clark, docente e investigador no Instituto de Estudos Orientais e Africanos (SOAS), de Londres, a fim de compreender os desafios e as possíveis resoluções para a crise na região:

DW: Por que tem sido difícil para o exército da RDC garantir a segurança e pôr um fim à insurgência de vários grupos rebeldes e saqueadores neste país?

Phil Clark (PC): Esse é um problema que as forças armadas congolesas enfrentam há muito tempo. E esses são praticamente incapazes de trazer a paz e a segurança para as províncias orientais, porque não dispõem de recursos e são mal treinados. Outro aspecto: o exército tem sido, algumas vezes, extremamente corrupto; e nos últimos dez ou doze anos construiu relações económicas e políticas com grupos rebeldes no leste. Como o exército é parceiro dos grupos rebeldes, não quer atingir ou erradicá-los. Ou seja, o exército tornou-se parte do problema e não da solução.

DW: Considerando-se a desconfiança entre a RDC, Ruanda e Burundi; qual a dificuldade para que esses países trabalhem juntos a fim de alcançar a paz duradoura na região?

PC: Os países vizinhos estão, com frequência, implicados nos conflitos uns dos outros, e essa tem sido uma das principais dificuldades dos atores regionais face ao conflito no Congo Democrático e no Burundi. Esse último país, por exemplo, acusa o Ruanda de armar os rebeldes que, dentro do próprio Burundi, atuam há quinze anos em vários grupos. Ruanda, por sua vez, já apoiou grupos no leste do Congo. Assim, esperar que Ruanda desempenhe um papel estabilizador mediante os Estados vizinhos é, sem dúvida, difícil. Por isso, uma das razões para se realizar a Cimeira dos Grandes Lagos da ONU em Angola foi buscar a resposta regional para esses conflitos.  A Organização das Nações Unidas (ONU) e a União Africana (AU) falharam em seus esforços no leste do Congo, isso é evidente. A cimeira dos Grandes Lagos, portanto, foi útil para que os atores regionais construam uma posição coerente entre si e sejam capazes de pressionar por resoluções o fim do conflito - esse será um grande desafio.

DW: Uma das questões abordadas na cimeira foi a reformulação da missão da ONU na RDC - a Missão das Nações Unidas na República Democrática do Congo, MONUSCO -, que teria permitido rebeldes prosperarem. Acredita que MONUSCO falhou?

PC: A missão MONUSCO tem falhado em sua tarefa de proteger os civis desde seu início, no leste do Congo, há quinze anos. Recentemente, encontra-se em uma posição complicada, pois pode agir apenas com apoio dos militares congoleses, por sua vez, acusados de crimes. São fatores que limitam a ONU em proteger os civis, e constituem uma das fragilidades dessa missão.

DW: A RDC está envolvida em uma crise impulsionada pelo Presidente Joseph Kabila, com suas tentativas de permanecer no cargo mesmo após o fim de seu mandato (2018). Como os líderes da RDC podem garantir alguma paz no país durante as eleições?

PC: Há necessidade real de um diálogo nacional sustentável na RDC, mas acredito que os actores regionais são fundamentais, e nisso Angola pode desempenhar um papel central. Dentre todos os vizinhos, Angola é o país que mais influencia o Governo de [Joseph] Kabila. As relações económicas e diplomáticas entre Angola e a República Democrática do Congo são muito fortes; por isso, Angola é o único país que poderia influenciar Kabila a enfim agendar as próximas eleições.  

DW: Acha possível alcançar a paz em breve na RDC?

PC: É difícil ser otimista em relação ao conflito neste momento. A situação tem sido sombria nos últimos doze meses. Quando ficou claro para a população que [Joseph ] Kabila não realizaria eleições, os protestos aumentaram no país. Com isso, a repressão aos manifestantes e líderes da oposição também aumentou por parte do Governo. Infelizmente, esse deve ser o cenário até que as eleições aconteçam. A polícia congolesa tem reprimido fortemente quando há protestos em massa nas áreas urbanas do país. O ciclo deverá continuar. Para os próximos doze meses, portanto, a previsão é de instabilidade e violência na RDC.

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