Que a política não seja ″via indigna″ de enriquecimento, exortam bispos de Angola | Angola | DW | 08.03.2018
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Angola

Que a política não seja "via indigna" de enriquecimento, exortam bispos de Angola

Conferência Episcopal de Angola e São Tomé exortou os políticos angolanos a seguirem no "caminho da realização e desenvolvimento" das populações e que a política "não seja via indigna de enriquecimento pessoal".

CEAST - Bischofskonferenz von Angola und São Tome (DW/N. Sul de Angola)

Foto de arquivo: Reunião da CEAST (2017)

"É ainda importante e imperioso neste campo desafiar os políticos dos próprios vícios históricos metendo-se num caminho da realização sem qualquer outro interesse daquilo que é o bem e o desenvolvimento das nossas populações", sustentou esta quinta-feira (08.03) o presidente da Conferência Episcopal de Angola e São Tomé (CEAST), Filomeno Vieira Dias.

O também arcebispo de Luanda discursava na província angolana do Namibe, durante a cerimónia de abertura da primeira assembleia plenária anual dos bispos da CEAST, tendo sublinhado que Angola vive "um momento particular de grandes expectativas, muita esperança e sinais de diálogo permanente".

"Sente-se, respira-se, toca-se com os dedos o desejo popular de mudança. Há sinais de querer-se ouvir e dialogar mais com todos e de pensar-se a nação a várias vozes e a várias tonalidades", observou, questionando igualmente quantos estão na política para "cuidar e servir".

Bem estar da população

Por isso, assinalou, "nesses tempos com muitos rostos visíveis novos e credíveis na política é importante perguntar a quantos estão neste campo do cuidar, do vigiar, do conduzir a coisa pública, perguntar de forma clara quais são as suas próprias intenções".

"Tendo em conta que o povo quer que a política e o político tenha de facto, sem retórica, no fazer e no pensar quotidiano o bem-estar da população como seu objetivo e centro da sua ação. As pessoas querem que a política deixe de ser uma via indigna para o enriquecimento pessoal", adiantou.

Para Filomeno Vieira Dias, todos os esforços que se têm realizado "pouco servem as necessárias leis se as consciências continuam a respirar uma cultura que exalta o sucesso e o enriquecimento fácil, em vez da honra e do dever cumprido".

Nara-Pflanze in der Namib-Wüste (DW/B. Osterath)

Deserto do Namibe

Na abertura desta primeira assembleia anual, que também marca o jubileu dos 50 anos da CEAST, o arcebispo católico Vieira Lopes fez saber que durante o encontro os bispos vão efetivar o projeto de reflorestação para travar a desertificação naquela província no sul de Angola, onde existe o deserto do Namibe, considerado o mais antigo do mundo.

"Sabemos que a questão ecológica é de grande atualidade sobretudo nas nossas terras, e o que pretendemos fazer é durante esses dias dar início a um projeto de reflorestação e um esforço para travar a desertificação aqui neste ponto do Namibe onde temos de facto esta realidade diante de nós", rematou.

Alerta sobre marginalização das minorias étnicas

Os bispos da Conferência Episcopal de Angola e São Tomé (CEAST) consideraram que as minorias étnicas angolanas têm sido "esquecidas e marginalizadas" ao longo dos anos, exortando a sociedade a prestar "maior atenção" a esta franja populacional.

O posicionamento foi manifestado pelo presidente da CEAST, Filomeno Vieira Dias. "É necessário que todos, a começar por nós, Igreja, tenhamos uma atenção e voltemos a nossa ação, os nossos recursos humanos e materiais, para estas populações. Para que possam participar no bem-estar, mo desenvolvimento e no progresso da nação como um todo", exortou.

Segundo o presidente da Conferência Episcopal de Angola e São Tomé, é necessário igualmente que as minorias étnicas populacionais do país "não se sintam como os irmãos mais pobres e até mesmo esquecidos".

Filomeno Vieira Dias destacou os esforços da Igreja para com esta franja da população "que ao longo dos anos tem sido esquecida, marginalizada e abandonada".A província do Namibe é precisamente uma das que apresenta maior diversidade de minorias étnicas, desde logo as comunidades nómadas do deserto, como os pastores Mucubai, que ainda vivem de forma tradicional, em tribos e cubatas.

No âmbito do Dia Internacional da Mulher, que se assinala esta quinta-feira com o habitual feriado nacional em Angola, os bispos católicos do país saudaram e felicitaram as mulheres, realçando que a celebração da data é uma oportunidade para "refletir sobre as injustiças e violência que muitas mulheres continuam a sofrer".

 

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