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Guiné-Bissau

Provável saída da ECOMIB da Guiné-Bissau causa preocupação

A força de interposição da paz da CEDEAO (Ecomib) não começou a sair esta sexta-feira (28.04) da Guiné-Bissau, como tinha sido anunciado, por falta de orientações nesse sentido. Crise política continua no país.

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Forças da ECOMIB no aeroporto de Bissau em março de 2011

"Só Deus poderá salvar a Guiné-Bissau! Amém".

Em Bissau, bispos, pastores e imãs rezaram em conjunto. Num mesmo palco, de braços levantados para o céu, olhos fechados e cabeça erguida, os líderes religiosos pediram estabilidade política, paz e bem-estar para o povo guineense.

A mais longa crise política na história da democracia do país continua sem fim à vista. Esta semana, a Comunidade Económica de Estados da África Ocidental (CEDEAO) deu um prazo de 30 dias para implementar o Acordo de Conacri. Mas, até agora, não foi agendado nenhum encontro entre as forças políticas para acabar, de vez, com a crise no país. E o chefe de Estado, José Mário Vaz, está em viagem pela Guiné-Bissau, em Presidência Aberta.

Assim, fiéis católicos, muçulmanos, evangélicos, adventistas, a Missão Batista, a Igreja Universal do Reino de Deus e animistas reuniram-se no segundo maior campo de futebol da capital, para rezar.

Guinea-Bissau Jose Mario Vaz

José Mário Vaz, Presidente da Guiné-Bissau

A iniciativa contou com o apoio da União Europeia.

Saída da ECOMIB causa preocupação

Esta sexta-feira (28.04.), devia ter iniciado o processo de retirada da força de manutenção de paz da CEDEAO, mas não aconteceu por falta de orientações nesse sentido, segundo disse fonte do contingente em Bissau.

Recorde-se que uma missão ministerial da Comunidade Económica dos Estados da África Ocidental (CEDEAO) esteve em Bissau até terça-feira (25.04), tendo reiterado junto das autoridades guineenses a intenção de a força da Ecomib iniciar o processo de retirada a partir desta sexta-feira (28.04.). O processo deverá estar concluído até ao dia 30 de junho.

Composta inicialmente por 800 militares do Senegal, Nigéria, Togo e Burkina Faso, a ECOMIB tem agora pouco mais de 500 efetivos no país.

Para muitos guineenses, a retirada da ECOMIB demonstra que a paciência da CEDEAO chegou ao fim, face ao incumprimento do Acordo de Conacri.

Na imprensa local, vários observadores têm-se mostrado preocupados com um possível aumento da violência no país e temem, inclusive, um novo golpe de Estado. Mas, aos microfones da DW África, o antigo chefe das Forças Armadas, Afonso Té, diz que confia piamente nos militares guineenses. "Eu penso que não haverá golpe de Estado. As forças armadas já deram provas da sua equidistância das querelas políticas. Isso já é um bom sinal", afirma Afonso Té.

Mulheres exigem participação

As Nações Unidas acreditam que a solução da crise política está nas mãos dos guineenses. Esta semana, um grupo de mulheres guineenses entregou no Gabinete Integrado da ONU para a Consolidação da Paz na Guiné-Bissau um memorando para que sejam envolvidas na tomada de decisões. E segundo o representante adjunto da ONU no país, Marco Carmignari

Ouvir o áudio 03:28

Provável saída da ECOMIB da Guiné-Bissau causa preocupação

 "é necessário que às mulheres proponham, apresentem e promovam estratégias inovadoras com vista a melhor engajar os atores políticos e a comunidade internacional. A solução para a crise na Guiné-Bissau está nas mãos dos guineenses e em particular nas mulheres", disse Marco Carmignari.

Com o relógio em contagem decrescente para implementar o Acordo de Conacri, o partido Patriótico Guineense, força política extraparlamentar, espera mais clareza da CEDEAO para saber quem não está a cumprir o acordo e que tipo de sanções serão aplicadas, quando o prazo de 30 dias terminar. É o que questiona Halen Napoco, um responsável do partido. "A CEDEAO enquanto organização mandatária para mediar a crise tem que esclarecer não só ao povo guineense bem como a Comunidade internacional quem não está a cumprir com o acordo. A nosso ver, enquanto partido político, está bem patente, que é o Presidente da República que não está a cumprir. A CEDEAO tem que ser capaz de maior firmeza e mais concreta  na sua posição e explicar que tipo de sanções irá aplicar a quem não cumprir o Acordo de Conacri no prazo de 30 dias", sublinha Halen Napoco.

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