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Internacional

Protestos na Guiné-Conacri contra alteração do calendário eleitoral

As manifestações estão suspensas até segunda-feira, mas a capital da Guiné-Conacri continua em alerta, depois de dois dias de violentos protestos anti-governamentais. Pelo menos uma pessoa morreu e dez ficaram feridas.

A oposição decidiu suspender as manifestações até à próxima segunda-feira (20.04). É uma pausa para os residentes de Conacri "respirarem", disse o porta-voz da oposição, Aboubacar Sylla.

Na terça-feira (14.04), pelo segundo dia consecutivo, elementos da oposição e forças de segurança envolveram-se em violentos confrontos em Conacri. "Queremos que o Presidente Alpha Condé se demita", gritavam os manifestantes.

A polícia respondeu disparando gás lacrimogéneo contra a multidão. Pelo menos um manifestante foi morto e outros dez ficaram feridos. Uma fonte policial confirmou a morte.

O Governo nega, no entanto, ter disparado contra os manifestantes e acusa a oposição de "criar caos e violência". "Há realmente um morto. No entanto, ainda não está confirmado que ele tenha sido baleado durante a manifestação", disse Albert Damantang Camara, porta-voz do Governo de Conacri, acrescentando que estão em curso investigações para esclarecer a origem dos disparos.

Mudanças no calendário eleitoral

A razão para os protestos em massa foi a publicação pela Comissão Eleitoral Independente (CENI) do calendário eleitoral, no início de março. As eleições presidenciais foram agendadas para 11 de outubro deste ano. Já as eleições municipais, ao contrário dos planos originais, voltaram a ser adiadas para março de 2016.

Ouvir o áudio 03:28

Protestos na Guiné-Conacri contra alteração do calendário eleitoral

"O que nos incomoda é que o Governo mantém a qualquer custo representantes locais que não foram eleitos, mas sim nomeados. O Governo quer o apoio deles para manipular as eleições presidenciais em outubro, como todos esperam", acusa Aboubacar Sylla, porta-voz da aliança da oposição e presidente do partido União de Forças para a Mudança (UFC).

A oposição chamou a população às ruas para criticar a falta de segurança no país e acusar o Presidente Alpha Condé de má governação. "As instituições guineenses estão aos pés do Presidente", afirma Aboubacar Sylla, que critica Condé por "nomear sistematicamente pessoas próximas dele para cargos importantes". Além disso, sublinha, "o Parlamento aprova sem pensar todos os projetos de lei presidenciais".

Desde a independência, em 1958, a Guiné-Conacri passou por vários períodos de governantes autocráticos. Os protestos populares foram brutalmente reprimidos pelo uso excessivo das forças de segurança do Estado.

Por isso, tanto guineenses como a comunidade internacional viram com bons olhos a vitória de Alpha Condé nas primeiras eleições presidenciais em 2010. No entanto, as tensões entre o Governo e a oposição mantiveram-se. Após as eleições parlamentares de 2013, a oposição falou em fraude eleitoral.

Repressão policial

"As forças de segurança não estão preparadas para respeitar os direitos dos cidadãos nas suas operações. Aqui a violência é normal. Existe uma impunidade geral", conta Alpha Amadou Bano Barry, sociólogo e professor da Universidade Sonfonia em Conacri.

Porträt - Alpha Conde

Alpha Condé, Presidente da Guiné-Conacri

Nos últimos dias, as forças de segurança tomaram conta das ruas da capital. Moradores do bairro de Hamdallaye, na periferia da cidade, denunciaram que a polícia revistou as suas casas, noticiou a agência de notícias francesa AFP. Vários estabelecimentos comerciais e mercados foram fechados.

O primeiro-ministro da Guiné-Conacri, Mohamed Saïd Fofana, apelou terça-feira (14.04), em comunicado, ao diálogo político para que se possa chegar a um consenso sobre a data das eleições. "Queremos o diálogo, sem condições prévias, mas a oposição impõe condições. Queremos falar sobre todos os assuntos sem tabus e sem condições prévias", declarou o porta-voz do Governo Albert Damantang Camara.

Em resposta ao apelo lançado pelo chefe do Governo, o líder da oposição, o ex-primeiro-ministro Cellou Dalein Diallo, exigiu que a Comissão Eleitoral Nacional Independente (CENI) anule o atual calendário eleitoral.

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