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Moçambique

Projeto ProSavana em Moçambique visa garantir segurança alimentar do Japão, diz especialista

Para pesquisadora, o ProSavana, projeto de desenvolvimento agrícola de iniciativa japonesa, brasileira e moçambicana, tem por fim assegurar as exportações de grãos, principalmente de soja, para o país nipônico.

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Região de Kyoto, antiga capital do Japão: o país é montanhoso e tem poucas terras aráveis. Por isso, procura novas fontes para a importação de alimentos

O objetivo do Japão com projetos de cooperação na África, como o ProSavana no norte de Moçambique, é garantir a oferta de alimentos para consumo dos japoneses, afirma a pesquisadora da Universidade de Estudos Estrangeiros de Tokio, Sayaka Funada-Classen.

O ProSavana, que pretende fomentar o desenvolvimento agrícola no corredor de Nacala, foi lançado em 2011 pelos governos do Brasil, Japão e Moçambique. Deve ser implementado em 19 distritos no norte do país, que ocupam uma extensão total de cerca de 11 milhões de hectares, uma área maior que o território do vizinho Malawi.

O ProSavana, em Moçambique, não é o primeiro projeto de cooperação japonesa para desenvolver a agricultura em países do sul. Houve um antecessor no Brasil, o PRODECER, na década de 70.

Crises mundiais de alimentos impulsionam projetos do Japão no sul

Sojaanbau Brasilien

O PRODECER incentivou a produção de soja no centro-oeste brasileiro e criou grandes latifúndios

A professora defende que a origem destes empreendimentos foram as crises mundiais de alimentos de 1973 e 2008. Nestes períodos, o preço dos grãos, principalmente, teve uma alta vertiginosa, levando muitos países, como os Estados Unidos da América, a restringir as exportações de alimentos.

"A primeira concepção do PRODECER nasceu em 1973, quando os EUA colocaram um embargo nas suas exportações de grãos", conta Sayaka Funada-Classen.

Segundo ela, o Japão foi especialmente afetado por essas crises, já que é muito dependente da importação destes produtos, devido à sua alta densidade populacional e a escassez de terras livres e adequadas para o cultivo.

"O nosso país depende das importações de alimentos, especialmente de grãos, como a soja. Neste caso, nós dependemos totalmente das importações", afirma a professora.

Ouvir o áudio 03:42

Projeto em Moçambique visa garantir segurança alimentar do Japão, diz especialista japonesa

Júlio Inoue, coordenador de projetos da Agência de Cooperação Internacional do Japão, Japan International Cooperation Agency – JICA, no Brasil, também afirma que o PRODECER visava garantir novos mercados de grãos. "Na época, por motivos de alterações climáticas, houve uma pequena produção de grãos nos EUA", diz.

Inoue afirma que o Japão, temendo o corte de suprimentos, decidiu buscar outros mercados fornecedores."Como não havia, resolveu incentivar projetos de produção de grãos, como o PRODECER aqui no Brasil", explica.

Problemas ambientais e sociais

A pesquisadora Funada-Classen diz que, apesar das consequências sociais e ambientais negativas do PRODECER, o programa é avaliado positivamente. "O PRODECER enfrentou todo tipo de problemas, mas devido ao aumento no preço dos alimentos nos últimos anos, agora é considerado uma história de sucesso pelo Governo japonês", defende ela. "Essa é a razão pela qual eles começaram a pensar em promover uma cooperação internacional do tipo do PRODECER na África, como o ProSavana", conclui.

Sayaka Funada-Classen, professora da Universidade de Estudos Estrangeiros de Tokio, afirma que o PRODECER e o ProSavana são apresentados como projetos cooperação internacional, como forma de promover a imagem japonesa no exterior.

Traditionelle Landwirtschaft

O ProSavana será implementado em uma zona onde predomina a agricultura tradicional (na foto colheita de arroz na província da Zambézia)

Segundo ela, no entanto, o principal foco dos projetos é o investimento agrícola em terras estrangeiras: "a prioridade do ProSavana na fase inicial, antes de ser criticado pelas organizações e associações locais, era claramente o investimento".

Funada-Classen defende que o ProSavana não visava beneficiar os pequenos agricultores em Moçambique: "É interessante, o programa não era um plano para apoiar os fazendeiros moçambicanos, como foi dito recentemente. Ao contrário, foi criado nesse contexto internacional e com a intenção do Japão em se autopromover", afirma. Para ela, o ProSavana é apresentado como "uma contribuição do Governo japonês para a África e o Mundo".

Em Moçambique, existe uma preocupação de que o ProSavana implemente, com a ajuda do Japão, o modelo de latifúndios monocultores, voltados para o mercado externo, como ocorreu no PRODECER, no Cerrado brasileiro. Atualmente, as áreas de implantação do projeto em Moçambique são ocupadas principalmente por pequenos agricultores.

Straße von Mandimba nach Lichinga

Estrada de Mandimba a Lichinga na província do Niassa - uma das áreas onde será implementado o ProSavana

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