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São Tomé e Príncipe

Progressos na saúde aproximam São Tomé e Príncipe dos Objetivos do Milénio

São Tomé e Príncipe está no bom caminho para atingir os três Objetivos de Desenvolvimento do Milénio na área da saúde. Baixas taxas de VIH/SIDA e progressos no combate à malária colocam o país numa situação favorável.

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As redes mosquiteiras impregnadas de inseticida foram importantes no combate à malária

Segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS), os indicadores de mortalidade infantil, de VIH/SIDA e de malária em São Tomé e Príncipe estão perto das metas estabelecidas pelas Nações Unidas e é muito provável que estas sejam atingidas. A taxa de mortalidade materna é mais variável, mas também tem apresentado progressos.

A UNICEF também se mostra confiante. Luís Bonfim, especialista em saúde nesta organização, afirma que São Tomé e Príncipe tem tido uma evolução muito positiva.

“Apesar de sermos um país de fracos recursos, em termos de indicadores de saúde estamos muito bem posicionados comparativamente com a região da África subsaariana”, diz o especialista.

“Há três Objetivos de Desenvolvimento do Milénio (ODM) na área da saúde, e São Tomé e Príncipe está bem posicionado para os atingir. Por exemplo, no caso do ODM ligado à mortalidade infantil, a meta definida pelas Nações Unidas é de 34 mortes a cada mil crianças menores de cinco anos, e, de acordo com os dados do último inquérito que fizemos, essa taxa está por volta de 45 por cada mil. Isso significa que estamos quase a atingir este indicador.”

Já o objetivo de melhorar a saúde materna tem tido variações no país, explica Luís Bonfim. “Este é um indicador que oscila muito atendendo à nossa população total, que é reduzida. O denominador fala em 100 mil mulheres grávidas, mas nós não temos esse denominador, e isso faz com que o indicador varie bastante. Mesmo assim, em 2009 tínhamos cerca de 158 mortes por cada 100 mil mulheres grávidas, e a meta que temos para 2015 é de 100, o que quer dizer que podemos não atingir este indicador mas estamos no bom caminho.”

Sucesso na luta contra o paludismo

Malaria Sao Tome und Principe

Os progressos relativamente ao paludismo colocaram o país no bom caminho quanto aos ODM

Na luta contra a malária o país tem sido um caso de sucesso. Em dez anos reduziu em 97% a taxa de prevalência da doença que já foi a principal causa de morte no país.

“Já há dois anos que não tem havido qualquer caso de morte por paludismo, quer em crianças quer em adultos. Tem havido alguns casos desta doença em São Tomé, mas zero casos no Príncipe e nenhuma morte, por isso a situação tem estado devidamente controlada”, explica o especialista da UNICEF.

Quanto ao VIH/SIDA, Bonfim refere que “a prevalência é bastante baixa: 1.5%. Tem estado estável desde 2005 e tem havido muito poucos casos de morte.”

Apesar de a taxa de prevalência ser baixa, ainda representa cerca de 2280 casos, segundo a OMS. Comportamentos de risco, alto índice de gravidez na adolescência e baixas taxas de utilização de preservativos são alguns dos fatores que ainda fazem com que a epidemia da SIDA seja um motivo de preocupação para São Tomé e Príncipe.

Falta de médicos qualificados e de medicamentos

Apesar dos bons resultados, ainda há trabalho por fazer. O país precisa de resolver problemas como a carência de profissionais de saúde qualificados e a falta de medicamentos suficientes para toda a população.

“São Tomé e Príncipe está bem servido em termos de quantidade de médicos, mas não em termos de qualidade. Há uma grande carência de especialistas e de medicamentos. Tem sido frequente a ruptura de stocks de medicamentos, e é um dos problemas muito grave. Por vezes há falha de medicamentos essenciais, e mesmo de antibióticos", explica Luís Bonfim.

Rogerio Roque Amaro

Rogério Roque Amaro acredita que a medicina tradicional de São Tomé tem potencialidades que devem ser valorizadas

Rogério Roque Amaro, economista e professor no Instituto Universitário e Lisboa (ISCTE-IUL), acrescenta que há outros fatores a ter em conta nas questões da saúde, como por exemplo o acesso a água potável, que por vezes é limitado.

“No caso de São Tomé e Príncipe também há fragilidades no sistema de saúde, mas a situação não é tão débil como em outros países. Isso não significa que devam baixar os braços e contentar-se com o que têm, antes pelo contrário”, diz o economista. “Ainda há um desafio enorme em situações relacionadas, por exemplo, com a prevenção. Continua a haver um acesso insuficiente a água potável, em termos de quantidade e qualidade, por uma grande parte da população. Ainda há pessoas que recorrem a fontanários, muitas vezes percorrendo grandes distâncias, e a qualidade da água não é suficientemente monitorizada. Quando pensamos nas questões da saúde temos de pensar de forma abrangente, e não apenas em termos curativos.”

O economista defende ainda uma valorização da medicina tradicional, que tem um papel importante no país. “Outro aspeto importante é a relação entre a medicina moderna e a tradicional. São Tomé e Príncipe tem uma grande tradição deste tipo de medicina, e seria importante reabilitá-la e reforçá-la.”

Também na área da educação têm sido registados bons progressos . Já na luta contra a pobreza os avanços têm sido menos significativos, e o país ainda é considerado um Estado Frágil devido à vulnerabilidade económica, à insularidade e à insegurança face a situações imprevisíveis, como falta de alimentos ou mudanças climáticas.

Ouvir o áudio 04:13

Progressos na saúde aproximam São Tomé dos Objetivos do Milénio

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