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Internacional

Primavera Árabe continua a ser tema de debate entre ativistas africanos

Terminou esta quarta-feira (2.07), em Bona, na Alemanha, a conferência internacional Global Media Forum, organizada pela DW. Repercussões da Primavera Árabe na África a sul do Sahara estiveram entre os temas em debate.

Em 2011, as revoluções que derrubaram os regimes de países como a Tunísia, a Líbia ou o Egito desencadearam uma onda de protestos um pouco por todo o continente africano. Três anos depois, activistas de vários países debateram o que resta desses protestos. Uma coisa é certa: O trabalho dos activistas não é fácil.

Na capital da Etiópia, Addis Abeba, os activistas costumam dizer quando se cumprimentam: “Está tudo bem na zona 9?” É que, como diz o blogger Eshete Bekele Tekle, “em Addis Abeba há uma prisão famosa dividida em oito zonas. A cidade de Addis Abeba é a zona 9". "Todos nós estamos numa prisão, porque o Governo [nos] controla demasiado", afirma.

Ouvir o áudio 03:37

Activistas africanos debatem protestos inspirados na Primavera Árabe

Em Maio de 2011, o jovem etíope esteve nas manifestações contra o Governo do então primeiro-ministro Meles Zenawi. O movimento de protesto seguiu o exemplo da chamada Primavera Árabe, no norte de África. Os manifestantes acusavam o Governo de violar os direitos humanos e reprimir a liberdade de expressão. Na altura, Zenawi não se mostrou muito preocupado. Uma revolução como no Egito não seria possível na Etiópia. Ele teve razão: a onda de protestos diminuiu no país antes de as multidões irem para as ruas.

Depois da morte inesperada do primeiro-ministro Zenawi em Agosto de 2012, muitos etíopes esperaram que a situação no país mudasse. Mas nada mudou, diz Tekle. “O Governo controla tudo. Há corrupção, má gestão, o poder e a riqueza não são distribuídos de forma justa. A mudança só pode partir das pessoas. Mas não sei como é que isso se faz", admite.

Protestos reprimidos e violação de direitos humanos

Global Media Forum 2014 Revolution Postponed 01.07.2014

Eric Topona, antigo correspondente da DW no Chade e Eshede Bekele Tekle, jornalista e blogger etíope participam no painel "Revolution Postponed" (Revolução adiada)

Em Bona, na Alemanha, o blogger etíope encontrou-se com activistas do Zimbabué, do Chade e de Angola. Num painel da conferência internacional Global Media Forum, os activistas debateram os protestos que se seguiram à Primavera Árabe um pouco por todo o continente africano. Em Angola, por exemplo, os protestos foram brutalmente reprimidos. As forças de segurança angolanas mataram três activistas, críticos da política do Presidente José Eduardo dos Santos.

O jornalista e activista angolano Rafael Marques sublinhou durante o debate em Bona que “os ditadores entram em contacto uns com os outros, ajudam-se mutuamente. É por isso que Angola compra diamantes ao Zimbabué: para ajudar Mugabe!”

Rafael Marques

Rafael Marques, jornalista e activista angolano

Robert Mugabe, de 90 anos, está no poder desde 1980. Foi primeiro-ministro e é Presidente desde 1987. Vindas de dentro e de fora, são constantes as acusações de graves violações dos direitos humanos, má gestão e repressão da oposição no país. A activista zimbabueana Jenni Williams já foi presa mais de cinquenta vezes por criticar abertamente o regime. “É preciso perceber o que leva as pessoas a ir para as ruas", explica. "Elas vão para o espaço público porque as eleições já não trazem democracia! Eu tinha 18 anos quando foi a independência no Zimbabué. Até agora, vi muitas eleições mas não vi democracia!”, diz a activista.

É preciso que os cidadãos continuem a reivindicar ao Estado os seus direitos, acrescenta ainda Williams: “Eu não quero o poder! Quero apenas mandar os meus filhos para a escola, quero que eles encontrem trabalho. O meu papel é pedir isso aos políticos. Essa é uma tarefa importante! Vamos assumi-la! Nem todos nos devemos tornar políticos. Eu não quero ser a presidente do Zimbabué!”

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