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Angola

Presidente de Angola demite chefe da secreta

Eduardo dos Santos exonerou Sebastião António Martins, na sequência do alegado assassinato de Alves Kamulingue e Isaías Cassule. Foram raptados em 2012, quando tentavam organizar uma manifestação anti-governamental.

Demitido esta sexta-feira, 15 de novembro, Sebastião José António Martins estava na chefia Serviço de Inteligência e de Segurança do Estado apenas desde 12 de outubro. Para o cargo, o Presidente angolano, José Eduardo dos Santos, nomeou o seu adjunto, Eduardo Otávio.

Embora não haja qualquer informação oficial, a recente decisão poderá indiciar uma ligação entre o presumível assassinato dos ex-militares, Alves Kamulingue e Isaías Cassule, e elementos daquela instituição do Estado, no parecer do ativista angolano Domingos Chipilika Eduardo.

"É uma situação muito delicada. Neste momento, o regime angolano está muito preocupado porque este facto pode vir a levantar suspeitas sobre outras mortes (...). É uma mácula muito grande, pelo que o regime vai ter algumas dificuldades em reabilitar-se dessa situação. Ainda que haja um processo criminal, ainda que os presumíveis autores sejam condenados, fica na História uma atitude reprovável a todos os níveis", condena Domingos Chipilika Eduardo.

Mitglieder der ACA Angola

Os protestos são frequentemente reprimidos em Angola. Estes jovens foram perseguidos no Lubango por convocarem manifestação

De lembrar que a Procuradoria-Geral da República de Angola anunciou, na quarta-feira (13.11), a detenção de quatro pessoas, alegadamanete ligadas ao Serviço de Inteligência e de Segurança do Estado, por suspeita de sequestro e possível assassinato dos ativistas Cassule e Kamulingue

O desaparecimento dos dois ex-militares ocorreu quando preparavam uma manifestação em Luanda, em maio de 2012, para contestar alegados atrasos no pagamento de subsídios e pensões a um número indeterminado de antigos soldados, veteranos e antigos combatentes.

"Regime não olha a meios para atingir fins"

Para o jornalista da Rádio Despertar, Horácio dos Reis, trata-se de "um caso gravíssimo". O caso "vem revelar, de uma vez por todas, a imagem real do regime que governa o nosso país, um regime sanguinário que não poupa meios nem os seus cidadãos quando se trata de salvaguardar os seus interesses", afirma o jornalista.

Horácio dos Reis é peremptório quanto às consequências do caso: "estamos diante de um caso que justifica a queda do governo", declara Horácio dos Reis.

Nito Alves

O menor Nito Alves esteve detido entre 12 de setembro e 8 de novembro, acusado de ultraje ao Presidente"

Por isso, o jornalista angolano lança o apelo às autoridades: "a Presidência da República deve assumir as suas responsabilidades políticas e pronunciar-se publicamente, pedir desculpas ao povo angolano, em especial à família dos malogrados; e prometer a toda a nação que situações desse tipo não venham mais a acontecer no nosso país e que cidadãos que não partilhem as opiniões de quem esteja no poder não tenha as suas vidas sacrificadas".

Já o analista Viriato Nelson classifica de ficção a demissão do chefe da secreta angolana: "isso é um cenário político que, na verdade, vai arrastar-se anos e anos e depois vai terminar como aquela novela bem estruturada que o acusado foi condenado à pena máxima e depois todo o povo ficou feliz".

Recorde-se que o desaparecimento de Cassule e Kamulingue esteve na base de várias manifestações na capital angolana, convocadas pelo autodenominado Movimento Revolucionário, mas sempre foram reprimidas pela polícia.

E mesmo depois do rapto, ex-miliatares saíram à rua, a 7 e a 20 de junho do ano transato, em manifestações não autorizadas, tendo sido a última dispersada com tiros para o ar e granadas de gás lacrimogéneo.

Ouvir o áudio 03:24

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