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NOTÍCIAS

Presidente angolano relativiza crise e pede "transparência" eleitoral

Apesar da atual crise em Angola, "a economia não estagnou", disse José Eduardo dos Santos no seu discurso sobre o estado da Nação. Principais partidos da oposição criticam declarações que "não trouxeram nada de novo".

Angola está ser assolada por uma crise económica e financeira resultante da queda do preço do barril do petróleo no mercado internacional. Porém, no seu discurso desta segunda-feira (17.10) sobre o estado da Nação, em Luanda, José Eduardo dos Santos mostrou-se confiante na recuperação do sistema económico angolano, apesar de não dizer nada especificamente sobre o futuro do país.

"Angola está lidar com a crise melhor que outros países, a baixa progressiva dos bens essenciais, da inflação e a taxa de juros, a recuperação da atividade das empresas e o nível do emprego", declarou.  "A economia não estagnou, apenas perdeu a pujança com que se vinha desenvolvendo, por causa da crise atual", disse ainda o Presidente. 

"Foi preciso fazer quase tudo de novo. Desminar, reconstruir, reequipar e reorganizar. Nós não podemos falar do nosso país como se estivéssemos a falar de Portugal, de Cabo Verde, do Senegal ou de outro país qualquer". 

Angola Luanda Nationalversammlung (Getty Images/AFP/A. Jocard)

Assembleia Nacional de Angola

A assistência médica nos hospitais ainda é deficitária, o índice de desemprego continua a subir e o fornecimento de água potável e luz elétrica também é deficiente. Curiosamente, durante o seu discurso sobre o estado da Nação, Luanda ficou às escuras.

Ainda assim, Angola cumpriu, até 2015, com mais da metade das metas estabelecidas pelas Nações Unidas sobre os objetivos de desenvolvimento do milénio devido ao clima de paz, diz José Eduardo dos Santos. 

Falando na abertura da quinta sessão legislativa da III Legislatura da Assembleia Nacional, José Eduardo dos Santos também não disse se será cabeça de lista do seu partido nas eleições gerais de 2017. Mas espera que o processo eleitoral se paute "pela lisura e transparência" para que as eleições "expressem e correspondam, de facto, à real vontade dos eleitores".

Críticas da oposição

As reações em torno do discurso do Presidente angolano sobre o estado da Nação não se fizeram esperar. Do lado da oposição, Abel Chivukuvuku, presidente da Convergência Ampla de Salvação de Angola - Coligação Eleitoral (CASA-CE), diz que acompanhou o discurso com um sentimento de preocupação. "O Presidente da República demonstrou excessivo desconhecimento da realidade. Hoje, mais da metade da população vive em pobreza extrema. Por causa da situação da crise o custo de vida aumentou, o custo de vida não diminui", sublinhou.

Angola - UNITA Parteiführer Isaias Samakuva (DW/N. Sul D´Angola)

Isaías Samakuva, líder da UNITA

Isaías Samakuva, o presidente da União Nacional para Independência Total de Angola (UNITA), o principal partido da oposição, disse que o discurso não trouxe novidades. "Não ouvi nada de especial. Esperávamos escutar aqui linhas políticas que dessem esperança ao cidadão. Não o escutamos", declarou.

Já a deputada do Movimento Popular de Libertação de Angola (MPLA), o partido no poder, Tchizé dos Santos, enalteceu o discurso do pai. "O discurso foi muito realista, muito coerente, muito exato em relação a situação nacional e internacional", disse.

Deputados revistados

Os deputados a Assembleia Nacional foram alvo de revistas. Os legisladores foram proibidos de entrar com computadores, telemóveis e blocos de anotações na sala do Parlamento angolano.

"É verdade que o Presidente da República carece de uma certa proteção. Mas os deputados que estão aqui nesta casa não são bandidos, não são terroristas para serem tratados de modo como estão a ser tratados", lamentou o deputado André Mendes de Carvalho "Miau", da CASA-CE.

"É de todo desnecessário que os deputados estejam na sua própria casa a receberem o Presidente da República e o Presidente da República dita as regras do jogo", desabafou Raul Danda, deputado da UNITA.

O Orçamento Geral do Estado para 2017, o pacote Legislativo da Comunicação Social e o Pacote Legislativo Eleitoral são os principais diplomas que serão discutidos e aprovados na presente legislatura.

Ouvir o áudio 03:23

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