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Moçambique

Próximo governo de Moçambique terá muitos desafios

As eleições gerais moçambicanas de 15 de outubro, cuja campanha tem início no domingo (31.08), serão as quintas na história da democracia do país. A campanha decorrerá até 13 de outubro.

Durante 45 dias terá lugar em todos os cantos de Moçambique a campanha para as eleições gerais (presidenciais, legislativas e assembleias provinciais). A campanha terminará oficialmente dois dias antes da votação.

Enquanto isso, vários analistas já perspetivam os desafios que esperam o próximo governo moçambicano. Com a exploração dos recursos naturais, a sociedade vai exigir mais do executivo para que este combata a pobreza e melhore a vida dos moçambicanos. Académicos em Moçambique referem que o Estado terá a tarefa de tornar os recursos naturais numa bênção.

O governo que sair das eleições de 15 de outubro terá pela frente a dura tarefa de devolver ao país uma convivência pacífica entre o Estado e a sociedade. O próximo executivo terá ainda de afastar a ideia de que o Estado é capaz de resolver todos os problemas da sociedade.

Libertar-se da tutela do Estado

Os moçambicanos vão precisar de se libertar da tutela do Estado para ter capacidade de responder todas as vontades políticas, afirmou em Maputo o sociólogo Elísio Macamo.

Professor Elisio Macamo, Zentrum für Afrikastudien, Universität Basel

Elísio Macamo, sociólogo moçambicano

“E isso vai ser útil para que o governo, qualquer que seja o partido que o suporte, faça uso dos recursos do país de acordo com aquilo que é a vontade da sociedade moçambicana”, sublinhou.

De uma maneira geral, Elísio Macamo dá uma receita para melhorar a qualidade da política em Moçambique nos próximos tempos, tendo destacado uma “maior preocupação pela discussão objetiva dos problemas que temos."

Segundo o sociólogo, é natural que cada moçambicano tenha a sua preferência política e ideológica. "Todas as questões também podem ser abordadas a partir de uma perspetiva objetiva. Quais são os méritos de uma questão e até que ponto esses méritos têm espaço no debate na nossa sociedade”, concluiu.

Recursos naturais criam diferenças sociais?

Os recursos naturais abriram portas para novas oportunidades de lucro para o capital. O certo é que os recursos estão a criar diferenças sociais mais acentuadas.

20 Jahre Frieden in Mosambik Carlos Nuno Castel-Branco vom IESE

Nuno Castel-Branco, economista moçambicano

Segundo o economista Nuno Castel-Branco, a exploração dos recursos naturais deverá, com alguma urgência, refletir na satisfação das necessidades da sociedade moçambicana.

“E no fim vamos ter problemas como, por exemplo, se a pobreza diminui ou não, o que é que acontece com os transportes públicos, por que é que os hospitais não têm medicamentos, por que é que nas escolas a qualidade da educação piora e tantos outros", explica.

O economista sublinha que é verdade que Moçambique tem mais universidades, mais escolas e mais postos de saúde, “mas a qualidade dos serviços prestados piorou”.

A exploração dos recursos naturais causou a expectativa de que Moçambique iria sair rapidamente da extrema pobreza. Mas pode ser o contrário, alerta Nuno Castel-Branco. “Pode ser que haja pessoas que venham perder terras, venham ser expropriadas. Pode ser que algumas pessoas venham a ficar mais pobres e outras percam o seu modo de vida", exemplifica.

Segundo o especialista, "possivelmente grupos sociais irão desaparecer enquanto tal. Mas isso é feito num processo que resulta, acidentalmente ou não, ou então conscientemente, num processo de acumulação de capital por alguns outros grupos”.

Eleições gerais aguardadas com expetativa

O país vai a votos no dia 15 de outubro, depois de cerca de dois anos de tensão político militar.

Para o académico Luís de Brito, com o fim das hostilidades “espera-se que este seja agora o primeiro passo de uma caminhada de reforço da democracia, da inclusão e da promoção de uma convivência dos partidos e dos cidadãos cada vez mais respeitadores das diferenças e atentos ao debate sobre as opções de desenvolvimento”.

Estes pronunciamentos foram feitos na esteira da quarta conferência internacional do Instituto de Estudos Sociais e Ecómicos (IESE), sob o lema “Estado, recursos naturais e conflito: atores e dinâmicas”.

Ouvir o áudio 03:05

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