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Moçambique

Pré-candidatos da FRELIMO às presidenciais representam "inclusão" do centro e norte de Moçambique

Em Moçambique já são conhecidos os pré-candidatos à sucessão do Presidente do partido no poder, a FRELIMO, Armando Guebuza, para a eleição do novo Chefe do Estado em 2014.

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Campanha eleitoral da FRELIMO em Nampula com vista as eleições gerais de 2004

Os escolhidos são o atual primeiro-ministro, Alberto Vaquina, o ministro da Agricultura e chefe da delegação do Governo nas negociações com a RENAMO, o maior partido da oposição, José Pacheco, e o ministro da Defesa, Filipe Nyusi.

O anúncio foi feito esta quarta-feira (11.12.) pela Comissão Política do partido, quando faltam dez meses para as próximas eleições presidenciais.

O candidato único da FRELIMO, o partido no poder, será encontrado numa sessão do Comité Central daquela formação política que, segundo notícias, poderá reunir-se nos próximos dias 22 e 23 do corrente mês de dezembro.

O atual Chefe do Estado, Armando Guebuza, não faz parte da corrida por impedimento Constitucional, uma vez ter cumprido já dois mandatos no cargo.

Armando Guebuza

Armando Guebuza, Presidente de Moçambique

Perfil do candidatos

Os pré-candidatos fazem parte de uma geração mais nova, com idades que variam entre os 52 e 55 anos, e pela primeira vez nenhum dos membros do grupo é um histórico da luta armada de libertação nacional.

Todos são originários do centro e norte do país, contrastando com o passado em que os presidentes da FRELIMO, tanto antes como após a independência, foram sempre do sul do país, situação que criou sempre um certo mal estar.

O analista político Egídio Vaz explica como é que surgem os nomes dos atuais pré- candidatos: "São três pessoas que falam diariamente com o Presidente da República, um como primeiro-ministro, outro como o gestor de um processo político atual mais sensível e outro como ministro da Defesa, que por natureza deverá informar ao chefe de Estado sobre a situação da defesa a nível nacional nos dias de hoje."

Um dos pré-candidatos é o atual primeiro-ministro Alberto Vaquina, no cargo há pouco mais de um ano, ido de Tete, onde era Governador provincial.

Vaquina, médico natural de Nampula, o maior circulo eleitoral no país, ascendeu a comissão política do partido no último Congresso há um ano.

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Alberto Vaquina, primeiro-ministro de Moçambique


A capital de Nampula caiu nas mãos do MDM (Movimento Democrático de Moçambique) na oposição nas recentes eleições autárquicas.

Outro pré-candidato é José Pacheco, natural da província de Sofala, terra natal do líder da RENAMO, Afonso Dlakhama, e considerada o bastião do antigo movimento rebelde.

A capital desta província, Beira, é uma das cidades que está sob governação do partido MDM, a segunda maior força da oposição.

José Pacheco, um engenheiro agrónomo, é membro da Comissão Política da FRELIMO, já foi vice-ministro da Agricultura e das Pescas, governador da província de Sofala e ministro do Interior.

Atualmente é ministro da Agricultura e chefe da delegação do Governo nas negociações com a RENAMO.

Outro pré-candidato é Filipe Nyusi, natural de Mueda, em Cabo Delgado, bastião da FRELIMO. Ele ingressou na formação em 1973 ainda durante a luta armada.

Atualmente ministro da Defesa, ele trabalhou antes na área dos caminhos de ferro, onde ocupou vários cargos.

Reação positiva as reivindicações de inclusão

O analista político Amorim Bila afirma que o perfil dos pré-candidatos revela que o partido está num processo de renovação: "Significa que a FRELIMO chegou a um bom entendimento que era preciso fazer a passagem de testemunho, e a sociedade já reclamava isso, que devia ser um indivíduo da nova geração. Depois daquele grande problema, desde a fundação da FRELIMO, de que há uma zona geográfica privilegiada esta escolha vem responder o contrário, de que afinal de contas a FRELIMO aglutina todas as sensibilidades do ponto de vista da representação geográfica para assumir a liderança."

Jose Pacheco

José Pacheco, ministro da agricultura

Para Egídio Vaz, historiador, José Pacheco leva vantagem em relação aos seus opositores: "Consegue conciliar a experiência política, a idade, a proveniência regional, bem como a experiência da governação. Não vejo Alberto Vaquina como Presidente da República, principalmente quando há candidatos como Pacheco que o podem fazer bem. Nyusi tem o mérito de ser uma das poucas figuras limpas nessa admnistração, mas extremamente novo no jogo político e não pasou a nenhum teste sério."

José Pacheco tem sido apontado como fazendo parte da "linha dura" do partido e responsável pelos sucessivos impasses nas negociações que se arrastam desde maio de 2012 com a RENAMO.

Mas Egidio Vaz diz que Pacheco obedecia a um comando do Governo e do Partido.

Saída de Guebuza, um défice na área económica?

Com a saída de Armando Guebuza da Presidência de Moçambique, que completa em 2014 o limite constitucional de dois mandatos consecutivos, o país poderá enfrentar dificuldades sobretudo no que toca à expansão de Moçambique, caso a escolha do candidato não tenha em conta o contexto atual do país.

Calton Cadeado, analista político do Centro de Estudos Estratégicos e Internacionais em Moçambique, explica porquê: "Do ponto de vista económico acho que poderemos perder um pouco: O Presidente Guebuza trouxe uma vantagem muito grande do ponto de vista da diplomacia económica para Moçambique. A vibração com que ele fez da imagem e dos recursos do país, com todas as crítica que se podem fazer... mas ele promoveu o país."

E o analista questiona: "Agora, o próximo Presidente, se for o Pacheco, ele é mais político do que economicista. E é isso que para mim deve integrar agora: que tipo de Presidente precisamos para este contexto?"

Calton Cadeado

Calton Cadeado, analista político do Centro de Estudos Estratégicos e Internacionais em Moçambique

Quanto ao futuro de Armando Guebuza, este especialista prevê que o líder da FRELIMO continue a dedicar-se aos negócios pessoais e ao partido: "A primeira coisa que ele deverá querer fazer é trirar um bom tempo de descanso, porque essas coisas de governação é um desgaste, as pessoas envelhecem de um dia para o outro. Mas o que mais parece provável que volte à sua vida partidária, que se concentre na sua vida de negócios."

Quanto às eleições de 2014, a realidade política de Moçambique é bem diferente das últimas duas corridas presidenciais. E, por isso, poderá haver surpresas, defende Calton Cadeado: "Acho que temos novos contextos, e acredito que as eleições de 2014 vão ser extremamente renhidas. E há outros aspetos que serão incluidos agora na equação. O MDM, segunda maior força da oposição, já começou a ganhar mais municípios, há um eleitorado mais atento, o MDM vai conquistar mais votos e vai alargar os seus representantes, os seus parlamentares na Assembleia da República, há uma indicação clara para isso."

Ouvir o áudio 03:23

Pré-candidatos da FRELIMO às presidenciais representam "inclusão" do centro e norte de Moçambique

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