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Angola

Poucas vagas nas públicas obriga angolanos a recorrer a instituições privadas

Estudantes queixam-se dos preços das proprinas nas universidades privadas que, no ano letivo que brevemente se inicia, podem chegar a 260 mil kwanzas (1.400 euros).

Angola Universität Agostinho Neto (DW/P. B. Ndomba)

Universidade Agostino Neto, Angola

A crise económica que assola Angola tem feito com que, nos últimos anos, se registe um aumento nas propinas universitárias. Em 2017, os jovens que quiserem ingressar no ensino superior terão que pagar, pelo menos, 260 mil kwanzas (1.400 euros).

O reduzido número de vagas nas universidades públicas do país obriga a que a maioria dos angolanos tenha que recorrer às instituições de ensino privadas. Este ano, a Universidade Agostinho Neto, por exemplo, a maior instituição pública do país, localizada em Luanda, disponibilizou apenas 5.385 vagas para 50 mil candidatos.

Propinas demasiado altas

A maioria dos estudantes angolanos é obrigada, assim, a recorrer ao ensino privado, no entanto, as propinas estipuladas não são acessíveis a todos os bolsos. Para frequentar o ano letivo que agora se inicia – março a dezembro – os estudantes terão que pagar uma mensalidade que oscila entre os 26 mil e os 36 mil kwanzas (148 a 205 euros).

Entretanto, os custos do ensino privado contrastam com o poder aquisitivo do angolano. Dependendo do setor de atividade, o salário mínimo nacional está fixado entre os 15 mil e os 22 mil kwanzas (85 a 125 euros).

Paulo Kiambata  foi um dos alunos que se candidatou a uma vaga no ensino público, no entanto, sem sucesso. Agora, explicou à agência de notícias Lusa, está "a avaliar os preços, que não são de todo baratos". "Terei de apertar o cinto para custear a universidade", afirmou o jovem que deverá candidatar-se  à Universidade Gregório Semedo (UGS), onde as propinas mensais estão fixadas em 32,2 mil kwanzas (182 euros).

Maioria dos estudantes dependem dos pais

Gilson Domingos iniciará, em março, o primeiro ano do Curso de Ciências da Comunicação na Universidade Independente de Angola (UNIA), que oferece 12 licenciaturas nas áreas das engenharias e ciências sociais. A propina mensal nesta universidade varia entre 33 mil kwanzas (148 euros) e 27,5 mil kwanzas (156 euros), o que para este jovem é um preço demasiado elevado. "Não é um preço acessível. Para nós que não trabalhamos e dependemos de alguém que nos pague, o preço está um pouco puxado", afirmou.

Por seu turno, Maura António, candidata ao curso de Direito, afirma que "a qualidade de ensino aqui é boa e a mensalidade é acessível ao meu bolso. Como não trabalho, serão os pais a custear os meus estudos", dá conta.

Noutro instituto de ensino superior privado, Ana Castelo Branco, inscrita no curso de administração de empresas, reconhece o esforço financeiro que os pais vão ter de fazer, mas garante confiança: "Eles estão preparados para suportar as despesas anuais do curso, é uma instituição que está legalizada e tenho informações que os professores aqui são excelentes", afirma.

Em 2016, frequentavam o ensino superior em Angola mais de 200 mil estudantes.

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